HFOF11: Uuuuufaaaaaa!! Que sufoco, alguém anotou a placa?



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Hedge TOP FOFII 3 FII (HFOF11), fundo imobiliário administrado e gerido pela Hedge Investments, apresentou uma carta para seus cotistas, juntamente com os resultados do mês de março/20.

HFOF11: Uuuuufaaaaaa!! Que sufoco, alguém anotou a placa?

Quando encerramos nossa carta de fevereiro/20, sabíamos das incertezas que viriam pela frente e da dificuldade de enxergar com clareza em meio a um nevoeiro tão intenso, mas a magnitude do tsunami que atingiu o mundo e os mercados globais estava longe de nossas previsões mais pessimistas.

Talvez imaginássemos algo como uma greve dos caminhoneiros um pouco mais duradoura, digamos assim, para tentar traçar um paralelo com uma situação que já vivemos.

Sem contar as distrações no meio do caminho que dificultavam a leitura da situação, como o súbito desacordo entre a Rússia e a Arábia Saudita na condução da política de controle da oferta de petróleo e derivados ou as idas e vindas do nosso presidente no enfrentamento da crise.

Infelizmente, Bolsonaro permanece em campanha e passa a impressão que não consegue compreender a gravidade da situação atual.

Enfim, embora ainda naveguemos na incerteza, temos alguns faróis para nos guiar. Sem dúvida estamos em uma posição de pelo menos duas a três semanas de atraso em relação aos países desenvolvidos no ciclo de desenvolvimento da pandemia, o que nos permite analisar quais das medidas por lá adotadas podem ser seguidas por aqui para promover o achatamento da curva e evitar a implosão do sistema de saúde

Outro ponto que já dá para constatar é que as instituições tem funcionado. Assistimos diversos ministérios reagirem com respostas rápidas às demandas da crise.

No Ministério da Saúde, descobrimos um comunicador excelente e um profissional incansável na figura do ministro Mandetta, que tem preparado nossas defesas e orientado as equipes públicas de saúde para o enfrentamento do pico da crise, que deve ocorrer no início de maio.

A equipe econômica adotou diversas medidas pra tentar ajudar a população a atravessar esse momento crítico, desde a postergação do pagamento de impostos até a distribuição de recursos aos mais necessitados, passando pela antecipação de receitas e benefícios.

Faz-se importante destacar a atuação do Banco Central, que está promovendo um afrouxamento monetário e solicitando ao Congresso a adoção de medidas que sustentarão a liquidez dos mercados e o achatamento da curva futura de juros, o que nos ajudará muito na recuperação mais à frente.

Não só o BACEN tem atuado com desenvoltura, como também os bancos públicos e privados, o Tesouro e os demais órgãos colegiados e autarquias.

No campo político vemos um Congresso movimentando-se, mesmo à distância, para promover a aprovação de medidas urgentes encaminhadas pelo Executivo e pelos próprios parlamentares, bem como Executivos Estaduais destacando-se em diversas unidades da Federação, como verdadeiras lideranças de suas respectivas populações, principalmente no que tange à organização das questões práticas da implementação do isolamento social que se mostrou a principal medida para evitar, em um primeiro momento, o colapso do sistema de saúde.

Se pensarmos na velocidade com que a pandemia se alastrou, o que conseguimos produzir de orientações e ferramentas para o enfrentamento do monstro foi uma surpresa positiva além do que poderíamos imaginar.

De novo, a nota que destoa é a figura do presidente, que aparentemente só tem preocupações políticas como a manutenção do cacife eleitoral que conquistou e que tenta manter de qualquer forma, usando e abusando de todos os instrumentos que as redes sociais lhe permitem.

Temos grandes problemas ainda não resolvidos, principalmente no fornecimento de EPIs (equipamentos de proteção individual), que ajudarão a população e principalmente os profissionais de saúde a enfrentar o agravamento da pandemia que virá nas próximas semanas, mas já começamos assistir à mobilização da sociedade civil e de empresários para tentar contribuir nesse ponto que será tão necessário.

A obtenção de testes em maior quantidade está sendo organizada, e apesar da concorrência mundial pelos mesmos produtos e insumos, seguimos tendo mais vitória que derrotas.

Voltando aos mercados, em março assistimos ao derretimento das diversas classes de ativos, das ações (queda de 29,9%), ao IFIX (queda de 15,8%), passando pelo IMA-B e mesmo por alguns segmentos do mercado de renda fixa, como o mercado de crédito, tendo como grande contraponto a valorização do dólar americano (alta de 16,0%).

O comportamento desses mercados ainda será marcado pela extrema volatilidade e não resta dúvida que está muito difícil ser realmente assertivo e trabalhar com cenários pré determinados.

Mas aquele delay de duas ou três semanas em relação aos países que estão hoje no epicentro da crise nos permitirá corrigir a rota, sempre que possível e, principalmente, nos ajudará na definição de qual será o momento de promover a saída gradual do isolamento social, qual deverá ser o ritmo da volta das pessoas às suas atividades e qual será o impacto final na economia.

Já foi dito que sempre que estamos no meio de uma crise parece que ela é a pior que já enfrentamos em nossas vidas e que ela nunca vai terminar.

Mas a verdade é que ela sempre termina em algum momento e, por mais destruição que ela possa ter causado, a vida, assim como os mercados, iniciam um novo ciclo com a reconstrução que se inicia.

Estamos naquele ponto em que as coisas ainda podem piorar, ou dar-nos uma sensação de piora, pois ainda não sabemos quando e com que velocidade voltarão a melhorar.

Essa é justamente a fronteira das oportunidades. Boas escolhas nesse momento definirão nossos resultados nos próximos dois a cinco anos e é isso que estaremos procurando para permitir que a recuperação dos nossos investimentos venha de forma segura e constante.

Esperamos que todos possamos atravessar esse momento sombrio com saúde e ao lado dos nossos familiares e amigos, e, mais uma vez, agradecemos a confiança em nós depositada.

Equipe Hedge Investments

HFOF11: Cenário dos fundos imobiliários em março

Segundo divulgou o relatório do HFOF11, em março/20 o IFIX, índice dos fundos imobiliários da B3, teve desempenho negativo de -15,85%, a pior variação mensal desde o início da série histórica, acumulando uma queda de 22,00% no primeiro trimestre de 2020. Em seu pior momento dentro do mês, durante o dia 19 de março, o IFIX atingiu a mínima de 1.883 pontos, acumulando naquele momento uma queda de -41,11 % no ano de 2020, retornando a valores de janeiro de 2017.

A queda do índice veio acompanhada de um aumento na volatilidade das cotas dos fundos imobiliários, nove vezes acima da volatilidade verificada nos anos anteriores.

Este comportamento de alta volatilidade, atípico no mercado de fundos imobiliários considerando o histórico de 9 anos do índice, foi observado durante todo o mês de março nos ativos de renda variável, devido à maior aversão a risco por parte dos investidores em um momento de incertezas em relação a extensão da quarentena e seus impactos na economia.

Destaca-se, ainda, uma relevante redução no volume de negociação dos FIIs que compõem o índice, saindo de aproximadamente R$300 milhões na média diária no início do ano para aproximadamente R$150 milhões nas últimas semanas.

HFOF11: Notícias e destaques

No dia 9 de março de 2020, o HFOF recebeu os recursos das sobras do direito de preferência e montante adicional da 7ª emissão de cotas, no volume de R$ 256,3 milhões.

O timing da captação foi muito positivo para o Fundo, que pode aproveitar o mês de maior queda da série histórica do índice dos fundos imobiliários com uma posição confortável de caixa.

Foram realizados R$ 251,3 milhões em investimentos em março, por meio do aumento da participação em ativos do portfólio e pelo início de novas posições.

As aplicações foram feitas em fundos de tijolos nos segmentos de shopping-centers e de lajes corporativas, buscando alocar os recursos em ativos resilientes, por serem considerados de difícil replicação, muitos deles com importante desconto em relação ao valor patrimonial e ao valor de reposição destes empreendimentos.

Nesse sentido, a Hedge acredita que apesar de parte dos ativos alocados poderem sofrer um impacto negativo imediato nos dividendos distribuídos, o HFOF11 terá condições de suportar um FFO forte (resultado operacional sem considerar lucros com vendas), que junto com lucros acumulados será importante para compor um dividendo competitivo nos próximos meses quando comparado com seus pares, e ao mesmo tempo posicionar o patrimônio do FII em posições de ganho de capital, que devem destravar valor no médio prazo, impulsionando positivamente a cota do HFOF11.

Carteira de ativos: A carteira de investimentos do Hedge TOP FOFII 3 está alocada conforme a figura abaixo.

hfof11

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Desses investimentos, o fundo destacou que apesar de boa parte dos investimentos realizados serem considerados posições estratégicas, a alocação de parcela dos recursos em alguns FII foi um movimento tático definido pela equipe de gestão.

Esta alocação tática, de acordo com a Hedge, é uma forma mais eficiente de investir os recursos temporários do que aplicá-los na renda fixa, com rentabilidade inferior e incidência de tributação.

Rendimentos: O Fundo distribuirá R$ 0,70 por cota como rendimento referente ao mês de março/20, na próxima quarta-feria, 15 de abril/20, aos detentores de cotas em 31 de março de 2020.

O gráfico abaixo mostra a composição do resultado gerado pelo fundo mês a mês nos últimos 12 meses em R$/cota e compara este valor com o rendimento distribuído no mesmo período.

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Importante: Com base nos rendimentos projetados dos FII investidos, lucros já realizados, ganhos de capital contabilizados na carteira do fundo e estrutura de custos, o HFOF11 acredita que será possível a distribuição de rendimentos para o primeiro semestre de 2020 conforme abaixo indicado.

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A Hedge, no entanto, deixou bem claro que a expectativa de dividend yield ou de rentabilidade não representam promessa, garantia de rentabilidade ou isenção de riscos para os cotistas.

Liquidez: Foram negociados no mês de março um volume de R$ 91,6 milhões, representando 5,7% do total de suas cotas.

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HFOF11 tem como objetivo auferir valorização e rentabilidade de suas cotas no longo prazo por meio do investimento preponderantemente em cotas de outros FII, com foco tanto dos rendimentos quanto ganhos de capital no processo de desinvestimento.

Leia também: HFOF11: FII acredita que entre 4 a 6 meses seus ativos estejam livres dos impactos da crise

Bruno Sperandio
Bruno Sperandio Autor

Engenheiro por formação, com mais de 7 anos de experiência no mercado de investimentos, trabalha com produção de conteúdo informativo e educacional para o mercado imobiliário brasileiro.




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