HGLG11: "Xô pandemia" - FII de galpões diz que não sofreu nenhum impacto até o momento

CSHG Logistica (HGLG11), fundo imobiliário do segmento de galpões logísticos administrado pelo Credit Suisse, divulgou seu relatório de resultados referente ao último mês de março/20.

Seu documento começou informando que durante o mês foi possível verificar uma grande volatilidade no mercado acionário e na indústria de fundos imobiliários. O aumento no número de casos do novo Coronavírus (Covid-19) e a expectativa quanto ao seu impacto econômico têm gerado um forte sentimento de aversão ao risco, incertezas e instabilidade nos preços dos ativos no mercado secundário.

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Destacou também que em função deste cenário – e apenas durante este período – o HGLG11 organizou os comentários do time de gestão em três tópicos:

  • Resultados e Rendimentos;
  • Carteira e Mercado; e
  • Resumo de Informações.

Outros 2 pontos importantes foram a realização da venda de um imóvel do fundo e a assembleia que seria realizada no último dia 24 de março/20, que foi adiada para o próximo dia 23 de abril/20.

Resultados e rendimentos: Em março o HGLG11 obteve um resultado de R$ 8,7 milhões e um acumulado no ano de R$ 33,7 milhões. Para sua distribuição, o Credit revelou que foi alterada neste período de maior instabilidade para refletir em cada mês os possíveis impactos decorrentes da operação do fundo.

Com isso, mensalmente será analisada o resultado do fundo, incluindo todos potenciais impactos na certeira e visando uma distribuição próxima a 100% dos resultados auferidos no semestre.

Acreditamos que, na maior parte do tempo, devemos manter a distribuição de rendimentos próxima ao limite mínimo obrigatório (95%), no entanto, nos momentos de maior pressão de caixa, acreditamos que devemos aumentar a distribuição para 100%, e preservando as reservas de lucros acumulados apenas para eventos não previstos, destacou a Credit.

Segundo seu relatório, a intenção desta alteração é demonstrar ao mercado, de forma transparente, o atual patamar de geração de resultado.

Portanto, em relação aos rendimentos, o HGLG11 informou 3 pontos muito importantes:

  • No mês de março, será mantido a distribuição em R$ 0,78 por cota;
  • Não existe previsão de suspensão do pagamento mensal de rendimentos; e
  • Até o momento o fundo não sofreu nenhum impacto.

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Sua cotação no mercado secundário fechou o mês de março a R$ 158,05, apresentando uma perda de -10,3%. No ano, a perda é ainda maior, atingindo negativos 22,4%.

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Carteira e mercado: Na visão do HGLG11, o setor logístico e industrial não deve ser o primeiro a ser afetado, mas, no entanto, conforme a pandemia perdurar, o efeito cascata deve chegar ao setor e, em alguma medida, diminuir a circulação de mercadorias, estoques e utilização da capacidade instalada das indústrias.

Sua gestão, a principio, não adotará nenhuma política padrão para negociar condições dos contratos de locação, sendo que será analisado eventuais demandas caso a caso.

Em complemento, disse que está em contato com seus locatários para entender os impactos da pandemia em seus negócios, especialmente naqueles mais representativos em termos de renda para o fundo ou que atuem em segmentos mais afetados pela pandemia.

Para alguns casos, o HGLG11 entende ser possível e necessário conceder um prazo adicional para o pagamento de alugueis, de forma a manter o nível de ocupação, a saúde financeira dos locatários e reforçar as relações de longo prazo.

Em adição, ressaltou que todo relacionamento com locatários é realizado pelo time de gestão diretamente, sem terceiros, o que acredita ser essencial para identificação do cenário de cada locatário e manutenção da ocupação no longo prazo.

Ao final de março, o HGLG11 não possuía aluguéis diferidos ou acordos de diferimento firmados, sendo que a partir do mês de abril será divulgado detalhes sobre eventuais acordos e status das conversas com os locatários.

Sexta emissão de cotas do HGLG11: Apesar da aprovação da 6ª emissão de cotas, seu time de gestão apenas seguirá em frente quando o mercado estiver menos volátil e o pipeline de novos negócios esteja em estágio avançado de negociação. O HGLG11 disse estar convicto de que o ciclo imobiliário é favorável para novas aquisições.

Atualmente, o portfólio do HGLG11 detém 11 empreendimentos logísticos que representam 74,3% do seu patrimônio. Os restantes 25,7% estão divididos em cotas de FII, CRI, LCI e renda fixa.

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Resumo de informações: O HGLG11, com o objetivo de demonstrar os níveis de concentração por locatário, relacionou todos aqueles que representam 5% ou mais da receita de locação contratada.

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Liquidez - Com 100% de presença nos pregões, seu volume negociado no mês foi de R$ 171,1 milhões (maior movimentação dos últimos 12 meses), montante equivalente a 9,5% do total de suas cotas. Sua participação no IFIX (111 FIIs) é de 3,1%, ficando entre os 10 FIIs mais negociados na bolsa.

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O CSHG Logística é um FII do tipo tijolo de renda gestão ativa que foi constituído no início de 2010 com o objeto de explorar empreendimentos imobiliários voltados primordialmente para operações logísticas e industriais, por meio de aquisição de terrenos para construção ou imóveis em construção ou prontos, com potencial geração de renda.

Destinado a investidores em geral e com cerca de 177,9 mil cotistas, o HGLG11 possui 5 emissões de cotas já realizadas e uma taxa de administração de 0,6% ao ano sobre seu valor de mercado (R$ 1,9 bilhões).

Bruno Sperandio
Bruno Sperandio Autor

Engenheiro por formação, com mais de 7 anos de experiência no mercado de investimentos, trabalha com produção de conteúdo informativo e educacional para o mercado imobiliário brasileiro.

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