Ocupação de escritórios após Covid19



Esse texto foi escrito por Julia Arruda Botelho, CEO & Sócia fundadora da matchpoint, uma empresa especializada na gestão de ativos imobiliários.

 

O último ciclo do mercado de escritórios (principalmente, entre os anos de 2014 e 2018) foi marcado por um período de grande oferta de novo estoque, altas taxas de vacância e baixa de preços, ou seja, momento mais favorável aos locatários.

Com isso, observamos um movimento de fly-to-quality e/ou fly-to-price de empresas que enxergaram a possibilidade de sair de prédios mais antigos e obsoletos, com aluguéis muitas vezes inflados, e irem para espaços mais novos e eficientes com redução de custos operacionais.

Esses prédios corporativos mais modernos possuem lajes (andares) mais amplas e com menos pilares, possibilitando que as novas sedes dessas empresas pudessem concentrar suas atividades em um único espaço, representando ganhos em termos de eficiência operacional, além de gestão de pessoas.

Esses novos escritórios possibilitaram que muitas empresas implantassem um novo e mais moderno conceito de ocupação: open space, com espaços colaborativos e salas de reunião e conference call. Além disso, muitas também adotaram o conceito de vizinhanças, mas sem posições fixas. Ou seja, você senta em um lugar diferente todos os dias. Com isso existem mais funcionários que estações de trabalho, isso porque nem sempre o colaborador está no escritório, ele pode estar de férias, numa reunião externa, home office e ou numa viagem de trabalho.

Todas essas mudanças possibilitaram uma diminuição real na área de escritório necessária pelas empresas. Mas e “pós Covid19”? Muita gente está falando que como aprendemos que é possível trabalhar em home office, as empresas enxugarão ainda mais seus escritórios. Eu, pessoalmente, acredito que se houver impacto nesse sentido, será marginal.

Isso porque esse movimento vai contra a modernização que foi feita recentemente. Criaram-se espaços abertos e interativos que proporcionaram um aumento de produtividade no ambiente de trabalho.

Durante a pandemia que estamos vivendo fica claro que podemos sim trabalhar em home office, principalmente, para uma atividade que necessita de mais concentração, mas perdemos muita agilidade com a distância. Um assunto que poderia ser resolvido no café em 5 minutos, agora pode demorar o dia inteiro para que todas as pessoas possam se conectar.

Além disso, muitas pessoas estão odiando trabalhar em home office chamando até de “hell’s office”, pois não conseguem criar uma rotina, se concentrar, sentem falta de interação com pessoas etc.

O que eu acredito que vai mudar pós pandemia será a quantidade de reuniões externas e palestras. Os profissionais perceberam que podem fazer teleconferências e lives que o resultado é o mesmo ou muito parecido. Nesse sentido, teremos mais eficiência e menos custos, pois não haverá tempo de deslocamento.

Por fim, algo que as empresas investirão ainda mais será em tecnologia. Isso porque percebemos que temos muitas ferramentas que não utilizamos (como as teleconferências), mas que estão disponíveis e que agregarão muito valor.

 

matchpoint

Formada em Ciências Econômicas na PUC- SP, Julia Botelho possui 17 anos de experiência no mercado imobiliário.

Atualmente é responsável pela prospecção e atendimento de clientes pessoas físicas e jurídicas (incluindo fundos imobiliários) na gestão operacional e estratégica de seus portfólios imobiliários. Alguns clientes atendidos são: Rio Bravo, Veirano Advogados, BTG, RecargaPay, Sogest e Família Arruda Botelho.

Iniciou sua carreira profissional na JLL, uma multinacional de consultoria imobiliária, para estagiar na área de Consultoria, Avaliações e Pesquisa. Após um ano e meio aceitou o desafio de trabalhar na área comercial, especificamente no departamento de Vendas & Investimentos. Durante os próximos anos, a Julia teve a oportunidade de trabalhar em diversos projetos de venda dos mais diversos tipos (industrial, varejo, escritórios etc.) e clientes. Após um grande processo de reestruturação na área de transações, assumiu a gestão da área de escritórios Brasil, sendo responsável pela entrega de projetos de locações e vendas, representando tanto ocupantes como proprietários. Em busca da realização de um sonho desligou-se da JLL e após alguns meses, em setembro de 2018, abriu a matchpoint.

Bruno Sperandio
Bruno Sperandio Autor

Engenheiro por formação, com mais de 7 anos de experiência no mercado de investimentos, trabalha com produção de conteúdo informativo e educacional para o mercado imobiliário brasileiro.




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