VISC11 apresenta resultados do "sombrio" mês de março

Vinci Shopping Centers FII (VISC11) apresentou seu relatório de desempenho mensal referente ao "sombrio" mês março/20.  Os destaques foram para as aplicações financeiras, distribuição de rendimentos e liquidez média diária.

De acordo com seu documento divulgado ao mercado, o VISC11, na data base de 31/03/2020 apresentava cerca de R$ 372,0 milhões alocados em aplicações financeiras, enquanto aproximadamente R$ 84,5 milhões são referentes a obrigações a prazo (dos quais apenas R$ 12,9 milhões apresentam vencimento em até 12 meses), o que caracteriza a situação extremamente favorável de liquidez do fundo.

Quanto a assembleia geral de cotistas que seria deliberada a aquisição de até 100% das cotas do FII IPS PB, foi postergada para o dia 29 de maio de 2020. Esse adiamento, na visão do gestor do VISC11, se faz necessário em função da postergação da negociação com o vendedor da transação para melhor avaliação dos impactos do coronavírus (COVID-19) no setor de shopping centers e nos fundos imobiliários.

Carteira de ativos: O Vinci Shopping Centers apresenta um portfólio com 13 shoppings, localizados em 9 estados do Brasil, administrados por 7 administradoras distintas, totalizando mais de 106 mil m² de ABL própria.

visc11

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Para seu gestor, Vinci Real Estate, os impactos da crise serão de diferentes magnitudes em cada região do país, e por este motivo, a diversificação pode ser um diferencial neste momento de crise.

Rendimentos: O VISC11 divulgou um rendimento de R$ 0,30 por cota para o mês de março em função do cenário adverso. Esse valor representa um dividend yield de 0,30% sobre o valor da cota de fachamento do mês (R$ 98,20) e será pago no próximo dia 14 de abril/20 aos detentores das cotas no dia 31 de março/20.

Com essa distribuição, o VISC11 encerrou o mês de março com uma reserva de resultado não distribuído equivalente a R$ 0,56 por cota.

A rentabilidade acumulada total do VISC11 desde o seu IPO é de 22,9%. Neste mesmo período o IFIX apresentou rentabilidade total de 12,0%.

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Em função da difícil mensuração dos impactos da crise do COVID-19, os próximos rendimentos serão definidos mensalmente e serão oportunamente comunicados ao mercado, destacou o relatório.

Liquidez: O volume médio diário de negociação foi de R$ 8,5 milhões, o que representou um giro equivalente a 13% de suas cotas. O fundo encerrou o mês de março com 146,7 mil cotistas e um valor de mercado de R$ 1,4 bilhões.

VISC11: Gestor fala sobre o momento de mercado (Covid-19)

O mês de março caracterizou-se pelo avanço da pandemia do COVID-19, em que o Brasil, assim como o resto do mundo, passou a sentir os impactos sociais e econômicos da expansão do novo coronavírus.

Em todo o país, foram estipuladas medidas de interrupção temporária de parte das atividades dos shopping centers, de forma a evitar a aglomeração de pessoas, o que impactou o desempenho dos fundos imobiliários como um todo, principalmente no segmento de shoppings.

No dia 25 de março de 2020, foi divulgado em relatório extraordinário consolidado, a visão da Vinci Real Estate sobre a crise sofrida pelo mercado de fundos imobiliários, os impactos nos segmentos em que atua e as ações tomadas nos fundos imobiliários que faz a gestão.

Foram detalhadas também a situação de liquidez de cada um dos fundos (volume de aplicações financeiras em relação ao volume de obrigações a prazo de curto e longo prazo) e a diversificação dos portfólios, em relação aos ativos, locatários, localização, entre outros.

No mês de março o IFIX apresentou uma rentabilidade de -15,8%, enquanto o VISC11 apresentou rentabilidade de -22,2%, incluindo a variação bruta da cota e a distribuição de rendimentos no mês.

O VISC11 acompanhou o comportamento dos demais fundos do segmento, onde os impactos previstos serão potencialmente maiores pela crise do COVID-19, por sofrer a consequência direta da restrição de circulação de pessoas e da determinação do Poder Público de mantê-los provisoriamente fechados.

No momento, todos os shoppings do portfólio encontram-se fechados, com funcionamento apenas para serviços básicos e essenciais como farmácias e supermercados, assim como operações de alimentação que podem funcionar no formato de delivery ou take away.

Neste momento, o time de gestão do VISC11 está monitorando os impactos da crise em todos nossos fundos e tomando as medidas necessárias, diretamente ou através dos administradores dos ativos, para minimizar os seus efeitos em cada um de nossos fundos.

No caso dos shoppings centers, as administradoras em sua totalidade têm feito esforços para redução das despesas condominiais e do fundo de promoção e, consequentemente, o custo de ocupação para o lojista.

Em relação a cobrança dos aluguéis, as administradoras têm adotado diferentes posições, variando em relação à situação específica de cada shopping. Em linhas gerais, os aluguéis têm sido negociados com desconto ou postergados mediante a adimplência dos boletos de condomínio e fundo de promoção.

Por fim, o Vinci Real Estate disse que essa metodologia descrita foi definida para o mês de março e será revista a cada mês.

Destinado a investidores em geral, o VISC11 é um FII do tipo tijolo gestão ativa administrado pela BRL Trust, que possui patrimônio líquido de R$ 1,7 bilhões, uma taxa de administração de 1,20% ao ano e não é cobrado taxa de performance.

Bruno Sperandio
Bruno Sperandio Desenvolvedor de conteúdos

Formado em Engenharia de Produção pela FAACZ, com experiência de mais de 5 anos no mercado financeiro do Brasil. Investidor e desenvolvedor de conteúdos sobre o mercado imobiliário, economia e investimentos.

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