Como a decisão do Copom influencia os fundos imobiliários?
A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) segue como um dos principais vetores de curto e médio prazo para o mercado de fundos imobiliários. Em um ambiente de juros ainda elevados, a taxa básica funciona como régua para o custo de oportunidade dos investidores e influencia diretamente tanto o preço das cotas quanto o apetite por risco.

Para Bianca Azevedo, especialista em investimentos e MBA em Finanças pela FBNF (Faculdade Brasileira de Negócios e Finanças), o impacto dos juros altos vai além da comparação direta com o CDI. “A Selic é o principal parâmetro de preço de risco da economia. Quando está elevada, reduz a atratividade relativa dos FIIs e afeta o valuation dos ativos imobiliários”, afirma.
Segundo ela, o efeito também se estende ao mercado imobiliário real. “Juros altos encarecem o crédito, pressionam a valorização dos imóveis e podem reduzir taxas de ocupação em segmentos mais sensíveis, como escritórios e lajes corporativas”, explica.
Ainda assim, Azevedo ressalta que parte do mercado já começa a olhar além do curto prazo. “Mesmo com a Selic em 15%, o IFIX bateu recordes em 2025, impulsionado por captações relevantes e pela expectativa de transição de ciclo. Isso mostra que uma parcela dos investidores já antecipa o início de um novo ambiente monetário.”
FIIs: expectativa do Copom e o impacto no médio prazo
Na visão de Cristiano Leal, planejador financeiro e especialista em investimentos, a trajetória esperada para os juros pode destravar um movimento gradual de reprecificação dos FIIs. “O mercado já trabalhava com a manutenção da Selic nesta reunião, mas espera o início dos cortes ao longo de 2026, levando a taxa para algo entre 12% e 13%”, afirma.
Para ele, mesmo um ciclo moderado tende a ser positivo. “Com juros menores, o custo de oportunidade da renda fixa cai e os FIIs voltam a competir melhor pelos recursos. Além disso, a queda dos juros futuros aumenta o valor presente dos fluxos de caixa, o que tende a valorizar as cotas”, diz.
Leal também chama atenção para o comportamento histórico do mercado. “O IFIX costuma se antecipar aos ciclos de queda. Muitas vezes, a valorização acontece antes mesmo dos cortes efetivos, à medida que a expectativa se consolida.”
Fundos imobiliários voltam a ganhar espaço nas carteiras
Leonardo Santana, especialista em investimentos e sócio da casa de análise Top Gain, reforça a leitura de que o movimento não será imediato, mas tende a ganhar força com o tempo. “Em um cenário de juros elevados, o investidor compara o risco do mercado imobiliário com a renda fixa e acaba reduzindo exposição aos FIIs”, afirma.
Segundo ele, a virada ocorre justamente quando essa lógica começa a se inverter. “Quando a Selic inicia um ciclo de queda, mesmo que gradual, a renda fixa perde atratividade e os fundos imobiliários voltam a ganhar espaço nas carteiras, combinando renda recorrente e potencial de valorização”, diz.
Santana avalia que o setor pode voltar a ocupar posição de destaque nos próximos anos. “Os FIIs sofreram bastante com o ciclo prolongado de juros altos. Com a perspectiva de flexibilização do Copom, o mercado começa a se reposicionar. Para o investidor de médio e longo prazo, o cenário atual pode representar uma janela interessante para entrar em fundos de qualidade, ainda negociados com desconto.”