Setor de construção registra retomada de lucratividade e atinge seu maior valor de mercado, demonstra estudo do Economatica



O Economatica (banco de dados e sistema de análise de investimentos sobre o mercado de capitais das principais economias da América Latina e EUA) divulgou um estudo na última segunda-feira (25) que revelou importantes insights a respeito do atual momento imobiliário do Brasil.

O levantamento foi elaborado considerando os seguintes critérios em relação a empresas do setor de construção de edifícios residenciais listados em bolsa:

  • Empresas com dados disponíveis trimestralmente de dezembro de 2014 até setembro de 2019;
  • Os valores do levantamento são todos nominais, sem nenhum ajuste por inflação;
  • Foram considerados os demonstrativos financeiros consolidados entregues à CVM de dezembro de 2014 até setembro de 2019;
  • A amostra considera 11 empresas listadas em bolsa: MRV, Cyrela Realt, Direcional, Even, Helbor, Trisul, Eztec, JHSF Part, Rni, Tecnisa e Cr2;

Conclusões sobre receita líquida operacional (Vendas)

De acordo com o estudo, a receita líquida operacional trimestral das empresas da amostra no 3° trimestre de 2019 é de R$ 4,2 bilhões, sendo que nos últimos 4 trimestres as receitas do setor têm se mantido em níveis acima de R$ 4,0 bilhões, valor que não era registrado desde dezembro de 2015.

O pior trimestre da amostra aconteceu no 1° trimestre de 2018, quando as empresas do setor registraram R$ 2,7 bilhões, e o melhor registro no 4° trimestre de 2014 com R$ 5,3 bilhões.

Lucro líquido trimestral

Nos últimos 20 trimestres (de dezembro de 2014 até setembro de 2019) o setor teve oito trimestres com prejuízo, sendo o pior momento no 4° trimestre de 2016 quando registrou prejuízo de R$ 488 milhões.

Contudo, nos últimos 4 trimestres o lucro consolidado do setor é positivo e com crescimento constante, sendo o que melhor registro da amostra é no 4° trimestre de 2015, com R$ 631 milhões.

No 3° trimestre de 2019 as empresas do setor têm lucro de R$ 434 milhões.

Rentabilidade sobre o Patrimônio Líquido (ROE)

O ROE (do inglês, Return on Equity) avalia a qualidade do lucro das empresas em relação ao seu patrimônio líquido e, na mediana o indicador do setor no 3° trimestre de 2019 é de 7,02%.

Cabe reforçar que o setor não registrava ROE positivo há 11 trimestres, e o melhor registro da amostra é no 3° trimestre de 2014 com 12,07%.

O pior momento do setor da amostra foi no 3° trimestre de 2017 com mediana de ROE de -8,24%.

Dívida líquida total

Outro indicador muito importante para se avaliar empresas do setor de construção é a dívida líquida (dívida bruta – caixa) e, neste sentido, a dívida líquida do setor vem caindo pelo nono trimestre consecutivo e no 3° trimestre de 2019 é de R$ 5,28 bilhões, registrando o menor valor da amostra desde dezembro de 2014.

O dado acima é uma consequência direta do resultado do caixa das empresas, haja vista que o saldo de disponibilidades no 3° trimestre de 2019 é de R$ 6,4 bilhões, que é o quinto maior registro da amostra.

O maior nível foi no 1° trimestre de 2015 com R$ 6,67 bilhões, ao passo que, no 1° trimestre de 2018, observou-se o menor valor com, R$ 4,13 bilhões.

Valor de mercado

Por fim, o valor de mercado consolidado das empresas do setor de construção no dia 21 de novembro de 2019 é de R$ 42,4 bilhões, com crescimento contínuo nos últimos seis trimestres.

Em junho de 2018 o valor de mercado das empresas do setor registrava R$ 15,83 bilhões contra R$ 42,4 bilhões em novembro, ou seja, um crescimento de 167,9%.

Percebe-se claramente, diante dos dados acima, que no atual cenário de inflação sob controle e juros estáveis e civilizados (com tendência de novos cortes) o setor de construção está, de fato, se recuperando após a forte recessão que o país atravessou nos últimos anos.

Os fundos imobiliários não ficam para trás nessa conjuntura.

Com o reaquecimento da construção, todo o mercado imobiliário tende a se estimular, o que já é possível se perceber perante a quantidade de emissões e ofertas follow-on de FIIs que já se vê nesse ano de 2019.

Vivemos no Brasil – e isso é motivo suficiente para se evitar fazer qualquer previsão que seja – mas, sem dúvidas, diversos fatores apontam que os próximos anos, para os fundos imobiliários, tendem a ser muito expressivos, em termos de desenvolvimento e crescimento, de uma maneira que nunca antes se viu na história desse país.

Rafael Campagnaro
Rafael Campagnaro Head de Conteúdo

Engenheiro por formação, trabalha com produção de conteúdo informativo e educacional para o mercado financeiro no FIIs.com.br desde que iniciou no universo das finanças.




Comentários