Volatilidade - Ansiedade ou Oportunidade? (É você que decide!)

Você já fez ou conhece alguém que tenha feito alguma operação de compra e/ou venda de imóveis físicos?

Se sim, é muito possível que você concorde que fechar uma operação dessa natureza é cansativo, lento, caro, desgastante e cheio de burocracias.

Assim sendo, logo depois de fechar um negócio desse tipo, é muito natural que os envolvidos tendam a tirar um “sossego para curar a ressaca” do negócio feito, afinal de contas, foram muitos desafios para serem superados ao longo da transação.

Tirar um tempo para si mesmo, para a família, ou mesmo para curtir o tempo de calmaria, portanto, é uma atitude muito corriqueira para quem acaba de finalizar com sucesso uma operação no mercado tradicional de imóveis.

Dito isso, é coerente pensar que, após todo esse esforço para vencer as burocracias e contratempos, muito provavelmente essa pessoa não vá ficar ligando para o seu corretor todos os dias – muitas vezes por dia, em muitos casos – para perguntar o preço atual dos imóveis que foram negociados.

Quem faria isso?

O corretor, em algum momento, certamente iria parar de atender essa pessoa ou iria indicar para ela um psicólogo de confiança para ajudar a tratar toda essa insanidade derivada de um possível quadro grave de ansiedade.

Contudo, nos fundos imobiliários, eventos dessa categoria acontecem com frequência, em uma conjuntura muito parecida, mas de maneira um pouco “disfarçada”.

Os negócios com fundos imobiliários, em si, geralmente são muito rápidos e “limpos”.

No entanto, os envolvidos, por algum motivo – talvez pela velocidade com que as coisas acontecem – ficam se desgastando emocionalmente depois que os negócios acontecem.

Abrir o home broker (atividade que pode ser feita hoje pela tela do celular) geralmente vira atividade normal no dia a dia dos personagens desses eventos e, embora não exista, de fato, a figura do corretor de imóveis para se perguntar o preço, existe o famoso pisca-pisca da variação dos preços das cotas a cada minuto.

Isso pode se tornar uma tortura para quem está começando no mercado de fundos imobiliários e não está acostumado com essa variação corriqueira dos preços das cotas.

A pergunta que fica é...

Por que, com imóveis físicos, isso dificilmente acontece, e com os fundos imobiliários a ansiedade pode tomar conta dos investidores?

Acreditamos que, por ser normal os preços variarem diariamente nas cotas dos Fiis, as pessoas que não estão acostumadas com isso deixam a emoção tomar conta.

A grande questão é que as emoções, em muitos casos, acabam virando um problema, pois elas, de certa maneira, atropelam a nossa racionalidade.

Neste sentido, a tranquilidade que uma pessoa conquista investindo em imóveis físicos – muito por conta de os mesmos não possuírem uma “placa pisca-pisca” informando os seus preços a cada minuto – é substituída pela perda de sono por conta da facilidade e praticidade de se ver e acompanhar na palma da mão o “pisca-pisca” dos preços das cotas dos fundos imobiliários.

Por vezes, essa perda de sono se dá por euforia, ao se ver o preço de um Fii qualquer subir continuamente.

Em muitas outras situações, muita “pré-ocupação” pode ser gerada pela angústia de se ver os preços caindo, dia após dia.

É preciso pontuar, aqui, que como é muito raro os preços dos ativos de renda variável se manterem, ou até mesmo se repetirem, é muito provável que essa aflição seja contínua para quem ainda não entendeu a dinâmica do mercado.

Na renda variável, os preços variam, como o próprio nome sugere.

Portanto, para o seu próprio bem, deixe de lado a preocupação diária e contínua de para onde estão caminhando os preços das cotas.

Isso está totalmente fora do controle de qualquer ser humano.

Procure focar sempre nos fundamentos dos Fiis, pois não há como controlar os seus preços.

Tendo consciência disso, portanto, os investidores podem tirar vantagem de tal situação.

Nunca é demais lembrar que cotas de fundos imobiliários representam muito mais do que quatro letras e dois números piscando no home broker.

Tais cotas são, na verdade, pequenas participações societárias em empreendimentos imobiliários e, por isso, uma forma inteligente que o pequeno investidor possui para se tornar sócio de gigantescos empreendimentos imobiliários, o que seriam extremamente difícil de se fazer no mercado tradicional.

Portanto, procure sempre se lembrar disso para não perder o seu foco no longo prazo, pois tendo isso em mente é possível aproveitar de maneira muito mais assertiva as oportunidades pontuais geradas pelos cenários de volatilidade na bolsa para, com isso, aumentar a participação societária proporcional nesses empreendimentos e, assim, usufruir – justa e meritocraticamente, diga-se de passagem – de dividendos mensais cada vez maiores e mais robustos.

Com toda certeza, esse tipo de abordagem é muito mais rentável e, principalmente, saudável, para aqueles que pretendem ter sucesso investindo em fundos imobiliários no longo prazo.

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Rafael Campagnaro
Rafael Campagnaro Head de Conteúdo

Engenheiro por formação, trabalha com produção de conteúdo informativo e educacional para o mercado financeiro no FIIs.com.br desde que iniciou no universo das finanças.

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