Fundos imobiliários podem ser impactados pela crise na Venezuela? Entenda cenário

Fundos imobiliários podem ser impactados pela crise na Venezuela? Entenda cenário
Mercado de petróleo - Foto: Freepik

A captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, em uma operação de forte impacto geopolítico, reacendeu incertezas sobre o futuro político e econômico da Venezuela. Apesar do caráter extraordinário da ação, o episódio tende a ter efeitos limitados sobre os mercados financeiros globais no curto prazo, e isso inclui os fundos imobiliários brasileiros, avalia Rafael Pérez, economista da Suno Research.

Segundo o analista, embora a Venezuela detenha cerca de 20% das reservas globais de petróleo, sua produção atual representa menos de 1% da oferta mundial, com volumes estimados entre 700 mil e 800 mil barris por dia. “Isso reduz significativamente a capacidade do evento de provocar oscilações imediatas nos preços do petróleo”, afirma.

Na leitura de Pérez, a motivação central da operação americana parece menos ligada ao efeito de curto prazo nos preços das commodities e mais à reorganização estratégica de poder no médio e longo prazo. Um eventual governo de transição mais alinhado a Washington poderia, no futuro, abrir espaço para a entrada de petroleiras ocidentais no país — um processo que exigiria investimentos bilionários e anos de reconstrução da infraestrutura produtiva.

Outro ponto relevante, destaca o economista, é o componente geopolítico. Ao retirar Maduro do poder, os Estados Unidos reduzem a influência de países como China e Rússia sobre as reservas venezuelanas. “Há um movimento claro de contenção estratégica. No curto prazo, isso traz mais estabilidade do que volatilidade para os mercados”, diz.

O que realmente importa para os fundos imobiliários

Na avaliação de Pérez, os fundos imobiliários seguem muito mais sensíveis ao cenário doméstico do que a choques geopolíticos pontuais. “Nada indica que o episódio da Venezuela vá alterar o processo de desinflação no Brasil ou interferir no ciclo de política monetária”, afirma.

A expectativa predominante do mercado é que o Banco Central sinalize, já na reunião de janeiro, a proximidade do início do ciclo de cortes da Selic, com o primeiro movimento efetivo possivelmente ocorrendo em março. Esse tipo de comunicação tende a ser antecipado pelos mercados, pressionando os juros futuros para baixo.

Esse movimento é considerado um dos principais vetores de sustentação para os FIIs em 2026. No acumulado de 12 meses, o IFIX já registra valorização próxima de 23%, impulsionado pela reprecificação do risco, maior apetite por renda e melhora gradual das condições financeiras.

Apesar disso, Pérez chama atenção para um fator que começa a entrar no radar dos investidores globais: o aumento da percepção de risco geopolítico na América Latina. Tradicionalmente vista como uma região de baixa instabilidade militar, a área pode passar a ser reavaliada diante de uma postura mais intervencionista dos Estados Unidos.

“No curto prazo, isso não altera os fluxos de capital, mas no médio e longo prazo pode influenciar decisões de alocação internacional”, pondera. Ainda assim, o economista reforça que, no balanço geral, o cenário segue favorável para os fundos imobiliários brasileiros, especialmente em um ambiente de juros em queda, inflação mais controlada e fundamentos setoriais sólidos.

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foto: Vinícius Alves
Vinícius Alves
Jornalista

Jornalista formado na Faculdade Cásper Líbero. Com passagens pela Agência Estado e Editora Globo.

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