FI-Infra, o primo pouco conhecido dos FIIs, ainda é nicho na bolsa, mas já soma cerca de 20 fundos

FI-Infra, o primo pouco conhecido dos FIIs, ainda é nicho na bolsa, mas já soma cerca de 20 fundos
FI-Infras, os primos pouco conhecidos dos FIIs, são nicho na bolsa, mas já somam cerca de 20 fundos - Foto: Freepik

Enquanto os fundos imobiliários (FIIs) se popularizaram entre investidores em busca de renda periódica, outro segmento listado na bolsa brasileira começa a ganhar espaço: os fundos de investimento em infraestrutura, conhecidos como FI-Infra. O mercado ainda é relativamente pequeno, mas promissor, com cerca de 20 FI-Infra listados na B3 e patrimônio que soma alguns bilhões de reais, segundo dados de mercado baseados em informações da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), da bolsa e de gestoras.

Esses fundos têm como foco principal investimentos em debêntures incentivadas de infraestrutura, títulos de dívida emitidos por empresas para financiar projetos de longo prazo em setores como energia, rodovias, saneamento e logística. Em troca, os cotistas recebem rendimentos periódicos, que em vários casos são distribuídos mensalmente.

Além do número de fundos listados, o mercado de FI-Infra também apresenta volumes relevantes de captação e de ativos financiados. Um exemplo recente é o AZIN11 (AZ Quest Infra), que realizou terceira emissão de cotas no valor de R$ 328,9 milhões, segundo fato relevante divulgado em fevereiro de 2026.

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No mercado de renda distribuída, diversos fundos pagam proventos mensais aos cotistas. Em fevereiro de 2026, por exemplo, fundos de infraestrutura anunciaram distribuições como R$ 1,35 por cota no BINC11 (Bradesco FICFIF Renda Fixa Inv Infra CDI CP), R$ 1,15 por cota no CPTI11 (Capitânia Infra), R$ 1,14 por cota no CDII11 (Sparta Infra CDI) e R$ 1,00 por cota no JURO11 (Sparta Infra), de acordo com comunicados de rendimento divulgados pelas gestoras.

Os projetos financiados por esses fundos também envolvem ativos de grande escala. Em transmissão de energia, por exemplo, há linhas com centenas ou milhares de quilômetros de extensão e receitas reguladas relevantes. Um dos ativos citados em relatórios de mercado possui 245 quilômetros de extensão e Receita Anual Permitida (RAP) de cerca de R$ 119 milhões. Outros conjuntos de linhas de transmissão mencionados somam mais de 2.200 quilômetros de rede e cerca de R$ 352 milhões em RAP anual.

No caso de projetos específicos, algumas transmissoras apresentam receitas reguladas adicionais, como R$ 45 milhões de RAP anual em determinadas concessões e cerca de R$ 24 milhões em outras linhas de transmissão, refletindo o porte dos ativos que compõem parte das carteiras ligadas ao setor elétrico.

Esses números ajudam a dimensionar o papel dos FI-Infra no financiamento privado de infraestrutura. Ao direcionar recursos do mercado de capitais para projetos de energia, transporte e saneamento, os fundos acabam participando indiretamente de empreendimentos com receitas reguladas de dezenas ou centenas de milhões de reais por ano.

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Estrutura semelhante à de fundos de renda

Na prática, os FI-Infra funcionam como fundos de crédito listados em bolsa. Os recursos captados junto aos investidores são direcionados para a compra de títulos de dívida ligados a projetos de infraestrutura. A remuneração desses papéis — composta por juros e correção monetária — é a principal fonte de resultado distribuído aos cotistas.

Grande parte dessas debêntures possui prazo longo e remuneração indexada à inflação, característica comum em financiamentos de projetos de infraestrutura.

Carteiras amplamente diversificadas

Alguns FI-Infra mantêm carteiras com dezenas — ou até centenas — de posições em debêntures de diferentes emissores. O CDII11 (Sparta Infra CDI), por exemplo, possui cerca de 178 ativos em carteira. Já o JURO11 (Sparta Infra) reúne aproximadamente 141 posições em debêntures de diferentes projetos.

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Outros fundos também apresentam portfólios amplos. O CPTI11 (Capitânia Infra) conta com cerca de 97 ativos, enquanto o BDIF11 (BTG Pactual Dívida Infra) tem mais de 70 papéis na carteira.

A diversificação é uma estratégia usada pelos gestores para reduzir a exposição ao risco de crédito de cada emissor.

Prêmio em relação aos títulos públicos

Outro aspecto observado no mercado de FI-Infra é o prêmio em relação a títulos públicos indexados ao IPCA. Relatórios de mercado indicam que alguns fundos negociam com spreads relevantes sobre as NTN-B, refletindo características como risco de crédito das empresas emissoras e liquidez menor em comparação a títulos soberanos.

Apesar do crescimento do número de fundos listados, o segmento ainda apresenta liquidez menor no mercado secundário quando comparado a segmentos mais consolidados da bolsa. O volume negociado diário costuma ser inferior ao observado em fundos imobiliários, que contam com uma base mais ampla de investidores.

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foto: Marcelo Monteiro
Marcelo Monteiro

Formado pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), em 1996, Marcelo Monteiro tem três décadas de carreira como jornalista. No currículo, inclui passagens e colaborações em veículos como Zero Hora, Correio Braziliense, Valor Econômico, InfoMoney, Gazeta Mercantil, Placar, Diário Catarinense, Fut!, Hoje em Dia e Diário de S.Paulo. É autor dos livros "U-507 - O submarino que afundou o Brasil na Segunda Guerra Mundial" (2012) e "U-93 - A entrada do Brasil na Primeira Guerra Mundial" (2014). Dirigiu os documentários "Delírios - Filosofia e reflexão no túnel da morte" (2021) e "Além do Limite - Quando a meta é sobreviver" (2022)

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