Fiagros voltam ao valor patrimonial; a chave é escolher bem, diz XP

Fiagros voltam ao valor patrimonial; a chave é escolher bem, diz XP
Fiagros - Foto: Freepik

Depois de uma forte recuperação em 2025, os Fiagros chegaram a 2026 negociando próximos ao valor patrimonial — o que reduz a margem de segurança que atraiu muitos investidores no passado recente.

Para analistas da XP, o ambiente de juros elevados e as incertezas para 2026 tornam a classe menos generosa para quem não escolhe bem: “entendemos que a classe oferece margens de segurança menores, o que exige maior seletividade“, afirmam em relatório recente.

O cenário setorial do agronegócio é heterogêneo, e entendê-lo ajuda a calibrar o olhar sobre as carteiras dos fundos. Segundo analistas da XP, grãos e açúcar seguem com margens pressionadas por excesso de oferta global e custos elevados de produção, enquanto pecuária e frigoríficos vivem momento mais favorável, com preços do boi em alta e demanda externa aquecida. 

Os fundos bem posicionados são aqueles com carteiras diversificadas entre devedores e regiões — o que mitiga tanto o risco de crédito quanto os efeitos de eventos climáticos adversos. Por isso o investidor precisa “ficar de olho”. 

Mas seletividade não é pessimismo. Para quem sabe onde olhar, os Fiagros ainda combinam rendimento recorrente, diversificação e exposição ao agronegócio — um dos setores mais resilientes da economia brasileira.

Resiliência provada na prática

O CRAA11, da Sparta Investimentos, é um dos exemplos dessa tese. Em mais de três anos de operação, o fundo atravessou conflitos geopolíticos, a forte alta de juros no Brasil, quebras de safra, enchentes e eventos de crédito no mercado doméstico. 

Segundo a gestora, nenhum desses episódios resultou em inadimplência ou perda de capital. “Buscamos construir uma carteira de crédito composta por emissores sólidos e gerida com horizonte de longo prazo, capaz de atravessar ambientes mais turbulentos”, afirma a Sparta em seu último relatório.

A carteira encerrou fevereiro com 121 ativos em 22 segmentos distintos, com concentração máxima de 3,3% em um único emissor — estrutura que dilui o impacto de qualquer evento isolado. O carrego atual está em CDI+1,7% ao ano.

Performance consistente e crescimento 

Na lista dos fundos que não sofreram com as “crises macroeconômicas” é o SNAG11, que reforça a tese com números históricos: desde julho de 2022, o fundo acumula retorno de 76,68%, acima do benchmark IPCA+7%, com volatilidade abaixo da média dos pares. 

Com a valorização dos fiagros em 2025, o SNAG11 “nadou de braçada”, com valorização de 33% nos últimos 12 meses. 

Em fevereiro, lançou sua 5ª emissão de cotas, captando R$ 618,9 milhões — sinal de confiança do mercado na proposta do fundo. De acordo com a gestora, o carrego médio da carteira ao longo de 2025 ficou em CDI+2,41%, sustentado por estruturas de garantias e pulverização.

Adaptação que gera resultado nos fiagros

O IAAG11 mostra que parte da indústria soube se ajustar. Após implementar recompra de cotas e ampliar o escopo de ativos no final de 2025, o fundo viu sua liquidez diária atingir recorde histórico — superando R$ 240 mil por dia — e sua base de cotistas chegar a 13.653 investidores, também recorde.

Sem sofrer com eventos de crédito, o fundo ainda é negociado abaixo do seu valor patrimonial, cerca de 10%. 

Para a XP, o ceticismo que ainda paira sobre os Fiagros pode, paradoxalmente, gerar oportunidades: fundos com carteiras de alta qualidade, bem diversificados e sem histórico de eventos de crédito podem estar sendo negociados abaixo do que sua solidez justifica. 

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foto: Gustavo Silva
Gustavo Silva

Jornalista com doutorado pela UFMG e produtor de conteúdo da unidade de mídias da Suno. Também trabalha no Suno Notícias e Funds Explorer, fazendo a cobertura de FIIs, Fiagro e FI-Infra.

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