SNEL11 celebra fechamento de oferta na B3 e alcança R$ 620 milhões

SNEL11 celebra fechamento de oferta na B3 e alcança R$ 620 milhões
SNEL11 na B3. Foto: Divulgação.

A B3 foi palco, nesta quinta-feira (29), da cerimônia de toque de campainha que marcou o encerramento da quarta oferta pública do SNEL11, fundo imobiliário voltado a ativos de energia limpa, que levantou mais de R$ 620 milhões em um período considerado desafiador para o mercado de renda variável.

Realizado na sede da bolsa, no centro de São Paulo, o encontro reuniu executivos da gestora, convidados e representantes do mercado. A captação elevou o valor de mercado do SNEL11 para cerca de R$ 950 milhões e consolidou o fundo como o maior FII listado da B3 dedicado exclusivamente a ativos de energia.

O movimento ocorre em um contexto de baixa atividade no mercado primário. Em 2025, poucas ofertas conseguiram avançar, diante de juros elevados e maior seletividade dos investidores.Desde sua listagem, o fundo ampliou de forma acelerada sua base de investidores, passando de cerca de 3 mil cotistas na oferta inicial para aproximadamente 65 mil atualmente, acompanhando a expansão do portfólio e o aumento de escala operacional.

Para Victor Duarte, CIO da Suno Asset, o crescimento do SNEL11 reflete a consolidação de uma nova classe dentro da indústria de fundos imobiliários. “O SNEL vem sendo enxergado pelo investidor como uma alternativa real de diversificação. Dentro do universo de FIIs, já existiam fundos de galpões, lajes corporativas e crédito, mas não havia um veículo estruturado de energia. Isso cria uma diversificação saudável para o investidor”, afirma.

SNEL11 ganha relevância no setor para ‘sentar com grandes’

Segundo Duarte, o fundo também passou a ocupar uma posição diferente no mercado de geração distribuída. “Antes éramos um fundo pequeno, com poucos ativos. Hoje, com cerca de R$ 1 bilhão, conseguimos sentar em mesas que antes não sentávamos. Isso nos permite acessar ativos maiores e negociar diretamente com grupos relevantes do setor”, disse.

O executivo destacou ainda o modelo adotado nas aquisições, no qual antigos proprietários de usinas optam por vender os ativos ao fundo e permanecer expostos ao setor por meio das cotas. “O vendedor deixa de ser dono de uma única usina e passa a ser cotista de um portfólio diversificado, com ganhos de escala, diversificação geográfica e eficiência tributária”, explicou.

Captação em ano difícil e aposta em novo ciclo

De acordo com Duarte, o ambiente macroeconômico reforça a tese do fundo no médio prazo. “Captar R$ 600 milhões em 2025, um ano muito hostil para ofertas, foi um marco. Pouquíssimos veículos conseguiram levantar recursos. Isso mostra que o fundo venceu um cenário adverso e triplicou de tamanho”, afirmou.

Na visão do gestor, a perspectiva de queda dos juros tende a ampliar a atratividade do produto. “O fundo carrega contratos a uma taxa média de cerca de 14% mais inflação. Em um cenário de juros mais baixos, isso se torna ainda mais relevante. Quando o investidor percebe que há reajustes inflacionários recorrentes, a comparação com outros ativos fica mais clara”, avaliou.

Energia limpa como novo eixo do mercado de capitais

Para José Eduardo Daronco, head de Relações com Investidores da Suno Asset, o encerramento da emissão representa um marco para o mercado brasileiro. “Triplicar o fundo e consolidar o primeiro fundo imobiliário de energia do país é muito relevante. Hoje, mais de 65 mil investidores recebem rendimentos mensais oriundos de energia sustentável. Isso é um marco para o mercado de capitais e para o país”, afirmou.

Segundo Daronco, o SNEL11 tende a seguir como plataforma de consolidação do setor. “Acreditamos que esse seja o primeiro de muitos bilhões de reais. O produto vem sendo demandado tanto pelo varejo quanto por investidores institucionais, e a ideia é continuar trazendo ativos da economia real para o ambiente de bolsa”, disse.

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foto: Vinícius Alves
Vinícius Alves
Jornalista

Jornalista formado na Faculdade Cásper Líbero. Com passagens pela Agência Estado e Editora Globo.

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