Fundos de papel mostram resiliência, mas risco Brasil segue no radar, dizem gestores

Fundos de papel mostram resiliência, mas risco Brasil segue no radar, dizem gestores
Fundos de papel mostram resiliência, mas risco Brasil segue no radar, dizem gestores - Foto: FII Experience

Em meio a um ambiente de crédito privado sob pressão, os fundos imobiliários de papel mostram mais resiliência do que o mercado imagina.

A avaliação foi compartilhada por gestores durante o FIIs Experience, evento da Suno realizado em São Paulo. “Nossa carteira não tem nenhum alerta vermelho”, afirmou Bruno Bagnariolli, gestor da Mauá Capital.

Para o crédito privado como um todo, contudo, o sinal é de cautela. Com o petróleo caro e o Brasil dependente do modal rodoviário, a inflação segue pressionada e os juros devem demorar mais para ceder. Esse ambiente, segundo ele, deve continuar gerando problemas no crédito privado em geral.

https://files.sunoresearch.com.br/gaia/uploads/2026/01/Banner-Materias-01-Dkp_-1420x240-1.png

No setor imobiliário, porém, a lógica é diferente. O gestor lembrou que a pandemia foi um teste severo para o segmento, e que o resultado foi positivo.

“Os fundos não deram problema. Teve renegociação para caramba, mas o que aconteceu no fim? Nada. Deu trabalho para o gestor, mas somos pagos para resolver problema”, disse.

Para Bagnariolli, renegociação é parte natural da gestão de crédito e significa alongar o fluxo, não necessariamente prejuízo. E diferentemente do que ocorreu com alguns Fiagros, os FIIs imobiliários não registraram casos graves de inadimplência. O ajuste aconteceu antes de chegar na ponta do investidor, destaca ele.

O gestor reconhece que o segmento residencial está mais sensível, com custos elevados de terreno e obra desde 2023, e que algum player específico pode se enrolar ao longo do caminho. Mas classifica esses casos como exceções e solucionáveis.

https://files.sunoresearch.com.br/gaia/uploads/2026/01/DT-PS-HOME-DE-ARTIGOS-1420x240-ID_01_x1.jpg

A tese central da Mauá para o setor é clara: ativo imobiliário bem estruturado, com bom originador por trás e fluxo de caixa consistente, tem muito menos chance de dar problema. “Se isso for verdade, é mais difícil ter problema”, resumiu. A gestão ativa, segundo ele, não é sobre comprar e vender a mercado, mas sobre antecipar bandeiras amarelas antes que virem vermelhas.

Sem risco estrutural

Na mesma linha, Flavio Cagno, sócio e portfolio manager da Kinea Investimentos, avalia que não há um risco estrutural para a indústria neste momento, embora o cenário macro ainda imponha desafios.

“Não vejo um risco estrutural para a indústria. Acho que estamos em um topo de risco”, afirmou.

Segundo ele, o crédito imobiliário historicamente se mostra mais defensivo, inclusive em momentos de estresse. “Já passamos por outras crises, como a covid, e os créditos aguentaram”, disse. Ainda assim, faz um alerta: a qualidade dos ativos não é homogênea. “Você tem CRIs bons e ruins.”

https://files.sunoresearch.com.br/gaia/uploads/2026/01/1180x300-1.jpg

Cagno pondera que o atual patamar de juros levanta questionamentos sobre a sustentabilidade do setor no médio prazo. “Quanto tempo os fundos aguentam um juro de 20%, considerando o spread? Quando vem a recessão?”, questionou.

Na avaliação do gestor, o crédito imobiliário tende a ser um dos últimos segmentos a sofrer em um cenário mais adverso, mas isso não significa imunidade. “É o último crédito que vai apanhar, mas não dá para dizer que o caminho está livre.”

Ele também destacou que o principal risco hoje vai além dos fundamentos dos ativos. “Mais importante do que o imóvel é entender quem está tomando o crédito”, afirmou.

Para Cagno, o chamado risco Brasil segue como fator determinante para o mercado. “Os últimos 24 meses foram os piores da minha carreira em termos de deterioração da confiabilidade do país”, disse. “Esse risco, apesar de não ser tangível, está permeando tudo.”

Você investe bem em fiis? Um consultor Suno pode te mostrar caminhos que talvez você não conheça.
foto: Marcelo Monteiro
Marcelo Monteiro

Formado pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), em 1996, Marcelo Monteiro tem três décadas de carreira como jornalista. No currículo, inclui passagens e colaborações em veículos como Zero Hora, Correio Braziliense, Valor Econômico, InfoMoney, Gazeta Mercantil, Placar, Diário Catarinense, Fut!, Hoje em Dia e Diário de S.Paulo. É autor dos livros "U-507 - O submarino que afundou o Brasil na Segunda Guerra Mundial" (2012) e "U-93 - A entrada do Brasil na Primeira Guerra Mundial" (2014). Dirigiu os documentários "Delírios - Filosofia e reflexão no túnel da morte" (2021) e "Além do Limite - Quando a meta é sobreviver" (2022)

últimas notícias