Investidores mudam estratégia no mercado imobiliário em 2026: 4 sinais

Investidores mudam estratégia no mercado imobiliário em 2026: 4 sinais
Investidores mudam estratégia no mercado imobiliário em 2026: 4 sinais (Foto: Pexels)

O mercado imobiliário voltou a chamar atenção de parte dos investidores após a recuperação registrada pelos fundos imobiliários (FIIs) em 2025. Depois de um longo período de pressão sobre preços e desvalorização, o segmento encerrou o ano com desempenho superior ao CDI, contrariando parte das expectativas mais pessimistas para a classe de ativos.

Mesmo com esse avanço, o ambiente para 2026 segue desafiador. Juros elevados, incertezas políticas e oscilações na curva de juros continuam influenciando o apetite ao risco e a forma como investidores distribuem recursos entre renda variável e renda fixa.

Na avaliação de Martim Fass, gestor de fundos imobiliários da Daycoval Asset, a melhora recente não representa, necessariamente, uma mudança estrutural de humor do mercado.

https://files.sunoresearch.com.br/gaia/uploads/2026/01/Banner-Materias-01-Dkp_-1420x240-1.png

“Observamos uma recalibração da percepção de risco, uma compressão dos spreads depois dessa forte desvalorização que vimos entre 2020 e 2024″, afirma Fass, indicando que a cautela ainda não foi totalmente eliminada. “Ainda assim, existe uma aversão residual concentrada em alguns segmentos de tijolos”.

Na prática, isso significa que parte do mercado passou a revisar preços e oportunidades, mas ainda mantém cautela em setores considerados mais sensíveis.

Veja quatro sinais da mudança:

1. Recuperação dos FIIs mudou a leitura de risco

O desempenho positivo dos fundos imobiliários em 2025 ajudou a reduzir descontos acumulados ao longo dos últimos anos. Muitos ativos negociavam abaixo do valor patrimonial ou com prêmio de risco elevado, o que abriu espaço para recomposição de preços.

https://files.sunoresearch.com.br/gaia/uploads/2026/01/DT-PS-HOME-DE-ARTIGOS-1420x240-ID_01_x1.jpg

Esse movimento foi mais visível em fundos com portfólios sólidos, contratos longos e geração de caixa mais previsível. Ainda assim, alguns segmentos continuam enfrentando maior desconfiança, especialmente lajes corporativas e fundos de desenvolvimento, mais expostos à vacância e ao ciclo econômico.

2. Investidor experiente voltou, varejo segue defensivo

Segundo Fass, o mercado mostra comportamentos distintos entre perfis de investidores. Os mais sofisticados voltaram a buscar exposição seletiva, priorizando análise de crédito, qualidade dos imóveis e capacidade de geração de renda.

Já parte relevante do investidor pessoa física segue mais conservadora, priorizando produtos em que a oscilação diária aparece menos e o risco parece mais controlado.

3. Renda fixa ligada ao mercado imobiliário ganhou espaço

Com a taxa Selic ainda elevada, cresceram alternativas como LCI, CRI e debêntures ligadas ao setor imobiliário.

https://files.sunoresearch.com.br/gaia/uploads/2026/01/1180x300-1.jpg

Esses instrumentos podem oferecer fluxo de remuneração mais previsível e, em alguns casos, contam com garantias adicionais ou estruturas de capital com maior prioridade de recebimento, a depender da emissão.

Para parte dos investidores, esse perfil passou a competir diretamente com FIIs tradicionais de tijolo.

4. Portfólios ficaram mais sofisticados

A migração parcial para renda fixa imobiliária não indica abandono do setor, mas uma mudança de estratégia. Em vez de apostar apenas em valorização de cotas, parte dos investidores passou a combinar ativos com indexação à inflação, prioridade de recebimento e diferentes perfis de risco.

O resultado é um mercado imobiliário mais seletivo, em que retorno continua importante, mas previsibilidade de fluxo e qualidade do risco ganharam espaço nas decisões de investimento em 2026.

Você investe bem em fiis? Um consultor Suno pode te mostrar caminhos que talvez você não conheça.
foto: Marcelo Monteiro
Marcelo Monteiro

Formado pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), em 1996, Marcelo Monteiro tem três décadas de carreira como jornalista. No currículo, inclui passagens e colaborações em veículos como Zero Hora, Correio Braziliense, Valor Econômico, InfoMoney, Gazeta Mercantil, Placar, Diário Catarinense, Fut!, Hoje em Dia e Diário de S.Paulo. É autor dos livros "U-507 - O submarino que afundou o Brasil na Segunda Guerra Mundial" (2012) e "U-93 - A entrada do Brasil na Primeira Guerra Mundial" (2014). Dirigiu os documentários "Delírios - Filosofia e reflexão no túnel da morte" (2021) e "Além do Limite - Quando a meta é sobreviver" (2022)

últimas notícias