Demanda por escritórios bate recorde em SP; como ficam os FIIs de lajes corporativas?
A cidade de São Paulo encerrou 2025 com a maior absorção líquida já registrada de escritórios corporativos dos padrões de alto padrão (A+ e A), de acordo com levantamento da consultoria Binswanger Brazil.

Em um ano marcado pela entrega limitada de novos empreendimentos, com apenas 53 mil metros quadrados de novo estoque, a taxa de vacância recuou para 13,9%, voltando a ficar abaixo de 15% pela primeira vez desde o período anterior à pandemia de covid-19.
Segundo a Binswanger Brazil, a continuidade da volta ao trabalho presencial e o crescimento da economia brasileira resultaram em uma diferença positiva de 316 mil metros quadrados entre áreas locadas e devolvidas ao longo de 2025 na capital paulista. Apenas no quarto trimestre, a absorção líquida somou 105 mil metros quadrados.
Entre outubro e dezembro, a principal locação do período foi realizada pelo Nubank, que ocupou 14.957 metros quadrados no Edifício Capote 210, localizado em Pinheiros. Na sequência, a Wise alugou 14.183 metros quadrados no empreendimento River South, na Marginal Oeste. O governo do Estado de São Paulo respondeu pela terceira maior operação do trimestre, com a locação de 11.900 metros quadrados no Arena Tower, na região da Avenida Marquês de São Vicente.
Com o aumento da demanda, os valores pedidos também avançaram. O preço médio de locação por metro quadrado na cidade de São Paulo alcançou R$ 121,74 em 2025, o que representa uma alta de 5,3% em relação aos R$ 115,66 registrados em 2024, conforme os dados da Binswanger Brazil.
Para 2026, a consultoria projeta que a absorção líquida fique em linha com a média dos últimos três anos, em torno de 250 mil metros quadrados. A expectativa da Binswanger é de entrega de aproximadamente 357 mil metros quadrados de novo estoque, enquanto a taxa de vacância tende a permanecer, novamente, abaixo de 15%. Atualmente, o mercado paulistano de escritórios corporativos dos padrões A e A+ soma cerca de 4,8 milhões de metros quadrados.
Na opinião de Gerardo Azevedo, analista de FIIs da Suno Asset, “os dados são muito positivos para os FIIs expostos ao segmento, reforçando a tese de alocação no setor, que hoje apresenta o maior desconto do IFIX quando tomamos como base o valor patrimonial dos ativos”.
Além disso, prossegue Azevedo, “esse cenário benigno no mercado real, aliado às perspectivas de queda de juros, oferece boas expectativas de fechamento desse gap de preço, ao mesmo tempo que potencializa os rendimentos dos FIIs que possuem ativos com valores de locação ainda defasados frente aos valores atualmente praticados pelo mercado”.