Sem novos projetos no radar, gestores veem valorização de FIIs de shoppings
A ausência de novos empreendimentos greenfield relevantes deve sustentar a valorização dos fundos imobiliários de shopping centers nos próximos anos.
A avaliação foi compartilhada por especialistas durante painel no FIIs Experience, evento promovido pela Suno.
Segundo os participantes, não há hoje uma perspectiva concreta de crescimento relevante da área bruta locável (ABL) no setor, o que tende a beneficiar diretamente os ativos já existentes nos portfólios dos FIIs.
Mesmo em um cenário hipotético de novos projetos, o impacto seria limitado no curto prazo. Isso porque um shopping center leva, em média, cerca de oito anos entre desenvolvimento e maturação. Na prática, os empreendimentos atuais seguiriam em vantagem por um longo período.
Giuliano Ricci, sênior partner e head residencial da VBI Real Estate, destacou que o foco do setor está longe dos projetos greenfield. “No curto prazo, o desenvolvimento vai acontecer por meio de expansões, não de novos shoppings”, afirmou.
Ele também apontou que a reforma tributária pode incentivar uma maior migração de imóveis para a estrutura de fundos imobiliários, ampliando o universo investível do setor.
Juros altos travam novos projetos
Na visão de Felipe Gaiad, sócio da Hemisfério Sul Investimentos, o atual patamar de juros tem sido um dos principais fatores que limitam novos desenvolvimentos. “A taxa de juros elevada ancora os investimentos, e quem está apostando em greenfield não está conseguindo o retorno esperado”, afirmou.
Ao mesmo tempo, os fundamentos operacionais de shoppings já existentes seguem sólidos. “A vacância média está em torno de 4% e a inadimplência é baixa”, destacou.
Com isso, o executivo vê um cenário favorável para os ativos. “O mercado está praticamente fechado para novos projetos. Temos uma avenida de pelo menos cinco anos para o setor de shopping.”
Mercado precifica risco acima do necessário
Para Marcos Baroni, o mercado ainda embute um prêmio de risco exagerado nos fundos de shopping desde a pandemia. O especialista garantiu estar otimista com o segmento já há algum tempo, e a escassez de novos projetos reforça a tese de valorização.
“Não ter um conjunto relevante de novos empreendimentos faz com que o que já está nos fundos hoje tenha um valor maior do que o mercado está percebendo.”