Brasil e Índia ampliam aproximação e podem abrir novas oportunidades para Fiagros
A relação entre Brasil e Índia pode entrar em uma nova fase de cooperação, com potencial para ampliar os investimentos e os negócios ligados ao agronegócio e fiagros. Embora os dois países já figurem entre as maiores economias emergentes do mundo, especialistas avaliam que o intercâmbio no setor agropecuário ainda está aquém do potencial das duas nações.
A expectativa ganhou força neste ano durante a visita oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Índia, que recolocou na pauta a ampliação das parcerias comerciais e tecnológicas entre os dois países. A avaliação é que a cooperação pode extrapolar o comércio tradicional de commodities e avançar para áreas de maior valor agregado.
Estudo da AgroSpectrum Asia aponta que Brasil e Índia possuem características complementares no agronegócio. Enquanto o Brasil se destaca pela produção em larga escala de soja, milho, açúcar, café e carnes, a Índia reúne um dos maiores mercados consumidores do mundo, além de forte presença na produção de fertilizantes, agroquímicos e tecnologias voltadas ao campo.
Entre as oportunidades apontadas estão projetos conjuntos em bioeconomia, biocombustíveis, bioinsumos, agricultura tropical, pesquisa agrícola e soluções voltadas ao aumento da produtividade e da sustentabilidade no setor.
Os números ajudam a dimensionar esse potencial. Em 2024, o agronegócio brasileiro exportou cerca de US$ 164 bilhões, enquanto a Índia colheu aproximadamente 357,7 milhões de toneladas de grãos na safra 2024/25, além de liderar a produção mundial de leite e ocupar posição de destaque no mercado internacional de arroz.
Ambiente pode fortalecer cadeia do agronegócio
Caso a aproximação resulte em acordos comerciais, investimentos e cooperação tecnológica, a tendência é de fortalecimento da cadeia do agronegócio brasileiro, com potencial para ampliar a demanda por crédito, infraestrutura e inovação no setor.
Esse cenário é acompanhado por investidores em ativos ligados ao agro, como os Fiagros. No caso do SNAG11, cuja carteira é composta principalmente por operações de crédito voltadas ao agronegócio, a evolução dos fundamentos do setor pode contribuir para ampliar o universo de oportunidades de investimento ao longo dos próximos anos.
Apesar do potencial, especialistas destacam que ainda existem desafios importantes, como custos logísticos, diferenças regulatórias, exigências sanitárias e a concorrência em mercados como açúcar e oleaginosas. Por isso, a expectativa é de que os primeiros avanços ocorram por meio de projetos específicos e iniciativas de cooperação tecnológica.
Na avaliação do mercado, contudo, o movimento representa mais um sinal de fortalecimento estrutural do agronegócio brasileiro, em um momento de crescimento da produção, expansão das exportações e maior busca por investimentos voltados ao setor.
Liquidez dos fiagros cresce em 2026
O mercado de fiagros voltou a ganhar tração na bolsa brasileira em 2026, impulsionado pelo avanço do agronegócio, maior busca por renda recorrente e crescimento gradual da liquidez no setor.
Dados da B3 mostram que o segmento encerrou abril com aproximadamente 600 mil investidores em custódia, avanço em relação aos cerca de 545 mil registrados no mesmo período do ano anterior.
O estoque financeiro dos fiagros também seguiu em expansão e alcançou aproximadamente R$ 11,5 bilhões em abril de 2026, mantendo trajetória de crescimento ao longo dos últimos meses.
Além do aumento da base de investidores, a negociação dos fundos ligados ao agronegócio também acelerou. O volume médio diário negociado (ADTV) do setor atingiu cerca de R$ 22,3 milhões em 2026.
SNAG11 lucra R$ 9,9 mi em maio e supera 132 mil cotistas
Em maio, o SNAG11 terminou em maio com resultado de R$ 9,89 milhões, mantendo a consistência operacional da carteira e sustentando a distribuição de rendimentos aos investidores.
Outro destaque do período foi o crescimento da base de investidores. O fundo ultrapassou a marca de 132 mil cotistas, consolidando sua posição entre os maiores Fiagros listados da B3. A expansão ocorreu após a conclusão da oferta mais recente de cotas, que ampliou o patrimônio do veículo.
O desempenho operacional também permaneceu sólido. O SNAG11 encerrou maio com inadimplência zerada, preservando a qualidade da carteira de crédito e reforçando a estratégia de seleção de operações estruturadas voltadas ao agronegócio.