No universo do mercado imobiliário, os fundos imobiliários são apenas partes integrantes, sendo, na verdade, uma maneira indireta de adquirir imóveis e obter participação em empreendimentos milionários, além do recebimento, periódico, dos alugueis distribuídos em forma de dividendos.

No entanto, a forma de funcionamento de um fundo imobiliário, muitas vezes, é confundida com renda fixa.

Mas quais seriam as razões que poderiam explicar esta confusão?

Nos fundos imobiliários, a regularidade periódica na distribuição de dividendos pode causar alguma má interpretação da funcionalidade e da estrutura operacional do produto.

Isso porque esta periodicidade, apesar de fixa, todo mês ou todo semestre (dependendo do FII), pode causar impressão de que o dividendo e sua magnitude podem, também, serem fixos, o que não é verdade. 

Os dividendos distribuídos por boa parte dos fundos imobiliários podem possuir, de fato, baixa oscilação histórica.

Contudo, isso não quer dizer que são fixos ou que fundos imobiliários são ativos de renda fixa.

Tanto a cota quanto os dividendos – salvo em casos de Renda Mínima Garantida (RMG) e prêmio de locação – variam ao longo do tempo, em função de como o mercado financeiro e os investidores enxergam determinado ativo, além da evolução do preço de aluguel, influenciado pela oferta, demanda e laudo de avaliação imobiliária.

Cabe mencionar, ainda, que antigamente, a estratégia de vendas de fundos imobiliários prejudicou muito a imagem do produto.

Muitos funcionários de bancos e de outras instituições financeiras do mercado de capitais e financeiro não entenderam muito bem o produto e, infelizmente, venderam-no como um ativo de renda fixa, sendo que, em alguns casos, pode até ter sido proposital.

Assim sendo, como no começo muitos pensaram que estes fundos eram renda fixa, permaneceram investindo e comprando mais cotas, para, então, receber mais dividendos.

No entanto, quando o custo de oportunidade – no caso do Brasil, a taxa Selic  – começou a aumentar em conjunto com uma perspectiva de crise econômica mais adiante, os investidores correram para os ativos de renda fixa.

Logo, isso mostrou um comportamento típico de quem cometeu engano sobre fundos imobiliários, voltando para os títulos de renda fixa que, nesta época estavam, de fato, mais atrativos de que os fundos imobiliários, em especial, em termos de Dividend Yield (DY), principal indicador que investidores de renda fixa buscam em fundos imobiliários.

Infelizmente, pode ser que algumas pessoas ainda cometam este erro e/ou não saibam que estão errando, sendo que o único direcionamento possível, neste caso, é a busca por informação, cujo caminho leva a conclusão de que, na verdade, os fundos imobiliários são ativos de renda variável.

Rafael Campagnaro
Rafael Campagnaro Head de Conteúdo

Engenheiro por formação, trabalha com produção de conteúdo informativo e educacional para o mercado financeiro no FIIs.com.br desde que iniciou no universo das finanças.




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