Na última quarta-feira (5), o Copom - Comitê de Políticas Monetárias - aumentou novamente a taxa básica de juros (taxa Selic) de 2,75% para 3,5%. A justificativa do Banco Central para o aumento dos juros foi diminuir a pressão sobre os preços e controlar a inflação. 

Em todo o mercado, havia a expectativa de mais um aumento na taxa, uma vez que no mês passado, o próprio Copom deixou em aberto a possibilidade de novos aumentos para manter a inflação dentro da meta. 

Para este ano, a meta da inflação é de 3,75%. Desta forma, será considerado um nível satisfatório se a inflação ficar entre 2,25% e 5,25% em 2021.

Desta forma, "o BC já contratou mais 0,75 ponto de alta para a próxima reunião (de junho), o que indica que ele vai ter uma curva de alta da Selic mais intensa agora no curto prazo", informou João Leal, economista da Rio Bravo Investimentos.

No próprio comunicado divulgado pelo órgão do BC, foi indicado um processo de normalização parcial da taxa de juros, mas deixou o órgão deixou claro que "não há compromisso com essa posição e que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados para assegurar o cumprimento da meta de inflação."

Em outras palavras, mesmo com a possibilidade de novos aumentos, não há certeza de que esta será uma tendência permanente para as próximas reuniões do Copom. 

Na verdade, em comunicado, o Banco Central reforçou que, além do aumento da taxa básica de juros, “a inflação precisa ser controlada com reformas e ajustes necessários na economia brasileira para permitir a recuperação sustentável”. 

Aumento da taxa Selic e os FIIs: quedas ou novas oportunidades?

Não é novidade para ninguém que, na teoria, o aumento na taxa básica de juros pode ser prejudicial aos investidores de fundos imobiliários. Com o CDI mais elevado, a tendência é que muitos investimentos em renda fixa estejam mais atraentes que os FIIs.

No entanto, muitos especialistas acreditam que o aumento dos juros pode, ao contrário, abrir uma janela de oportunidade dentro do mercado de FIIs.

“Está bem claro que o aumento da Selic não mata os fundos imobiliários. Você pode até ver uma queda agora, mas no final das contas é o valor intrínseco deles que dita o retorno, e não a taxa Selic atual”, afirmou Ramiro Ferreira, do Clube de Valor.

 Além disso, muitos fundos de papel contém ativos indexados ao CDI, o que pode aumentar a rentabilidade desses FIIs nos próximos meses. Também, como muitos fundos possuem outros títulos de renda fixa, a distribuição dos resultados pode ser maior durante essa escalada de alta da taxa Selic.

Desta forma, aos investidores de FIIs, não há motivo nenhum para pânico com o aumento da taxa Selic. Quem afirmou isso foi o prof. Marcos Baroni da Suno Research: “Quem é um colecionador de cotas e um acumulador de renda, sempre haverá oportunidades”.