Após sofrerem com a crise sanitária causada pela pandemia do coronavírus, os fundos de investimento imobiliários do setor de lajes corporativas - ou FIIs de escritório - estão vivendo um novo momento no mercado. A crescente vacância de vários prédios gestados por fundos imobiliários e a adoção do home office chegou a ameaçar o setor. Afinal, houve realmente uma retomada dos FIIs de  lajes corporativas que agora passam por uma recuperação?

Conforme dito, a pandemia não aliviou para o segmento corporativo. Na verdade, além do home office, muitas empresas ao verem seus lucros despencando, tiveram que negociar os valores dos aluguéis sob o risco de não cumprirem seus compromissos. Por tabela, o setor empresarial reduziu sua participação em outros segmentos da economia, como o turismo de negócios e os eventos corporativos. 

De acordo com dados publicados pelo IBGE, das 2,814 milhões de empresas em funcionamento no país na primeira quinzena de julho de 2020, 44,8% afirmaram que a pandemia impactou de forma negativa suas atividades.

A restrição ao comércio para conter o avanço do coronavírus afetou diretamente o varejo e, obviamente, o home office foi uma saída para amenizar a crise. 

Os FIIs de lajes corporativas e a pandemia

Desta forma, os FIIs de lajes corporativas foram bastante afetados com o desaquecimento do setor comercial e com a saúde das empresas em baixa. Desvalorização das cotas, aumento da vacância, redução de distribuição de proventos, enfim, foram elementos comuns em grande parte dos fundos.

No entanto, o avanço da vacinação contra a covid-19 e a retomada da economia trouxe alento ao setor empresarial e, consequentemente, aos FIIs de lajes corporativas. De acordo com André Freitas, CEO e sócio da gestora Hedging-Griffo, “recuperação pode representar também uma virada de jogo para os Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) de tijolo, que administram escritórios, shoppings e outros ativos físicos”. 

Na visão de Freitas, a normalização da vida com o aumento da vacinação será positiva também para outros tipos de FIIs. Afinal, destaca o CEO, “penalizados pela redução de circulação de pessoas, esses fundos podem voltar a pagar bons dividendos, conforme a demanda por espaços físicos voltar”. 

Bons ventos para o setor de escritórios?

Tudo indica que esse cenário tem se desenhado a partir do fim do primeiro semestre deste ano. A retomada da economia e o avanço da vacinação têm contribuído para mudanças no setor corporativo. E claro, os FIIs de lajes corporativas são influenciados por essas mudanças. 

Quem afirma isso é Vitor Duarte, gestor do Suno Fundo de Fundos (SNFF11). Em relatório gerencial do FII em questão, Duarte pontuou que “os FIIs de lajes corporativas em geral seguem descontados em relação aos seus valores patrimoniais. A gestão acredita que com a recuperação do cenário econômico e o avanço da vacinação no país, FIIs com portfólios de qualidade devem voltar a performar a níveis satisfatórios”. 

Portanto, o cenário para a retomada dos FIIs de escritório é positivo, ainda que o investidor tenha que analisar com cautela o panorama macroeconômico e sanitário do país. A tendência de casos e mortes pela covid-19 segue em baixa, mas a possibilidade de novos picos da doença com a variante delta ainda é uma realidade.

O que traz esperança para o investidor é que o setor corporativo tem se adaptado às mudanças do mundo do trabalho e conciliado o home office com a locação de escritórios. Tudo indica que esta convivência de dois espaços de trabalho tem sido absorvida pelo mercado imobiliário, o que é positivo para os FIIs de lajes corporativas