Vacância de 25% desafia FIIs de lajes corporativas no mercado de escritórios do Rio

Vacância de 25% desafia FIIs de lajes corporativas no mercado de escritórios do Rio
Vacância de 25% desafia FIIs de lajes no mercado de escritórios do Rio (foto: Alexandre Macieira/Prefeitura do Rio)

A taxa de vacância do mercado de escritórios no Rio de Janeiro segue próxima de 25% e continua sendo um dos principais desafios para os fundos imobiliários (FIIs) de lajes corporativas com exposição à cidade. O dado reflete um cenário de demanda ainda enfraquecida, mesmo após anos de ajustes no setor.

De acordo com levantamento da Newmark, a atividade de locação de escritórios de alto padrão desacelerou no quarto trimestre de 2025, com queda relevante na ocupação de espaços. No período, o volume de novas locações, já descontadas as devoluções (absorção líquida), somou cerca de 15 mil metros quadrados.

Já o total de áreas alugadas, sem considerar saídas de inquilinos (absorção bruta), ficou em 27 mil m² — números inferiores aos registrados no ano anterior.

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Demanda fraca e concentração setorial

O ritmo mais lento de ocupação está ligado, entre outros fatores, à concentração da demanda em poucos segmentos, como o setor público e o de óleo e gás. Essa dependência limita uma recuperação mais consistente do mercado, reduzindo a diversificação de inquilinos e aumentando o risco para proprietários e fundos imobiliários.

Além disso, o elevado volume de áreas disponíveis continua pressionando a dinâmica de ocupação. Mesmo com leve aumento da área ocupada em regiões como Centro, Porto Maravilha e Barra da Tijuca, o estoque vago ainda impede uma redução mais acelerada da vacância.

Preços estáveis e possível acomodação

Por outro lado, os preços pedidos de locação mostram sinais de estabilização. O valor médio gira em torno de R$ 78 a R$ 79 por metro quadrado ao mês, praticamente estável em relação aos trimestres anteriores. Esse comportamento pode indicar o fim do ciclo de queda observado nos últimos anos.

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A baixa atividade construtiva também contribui para esse cenário, ao limitar a entrada de novos empreendimentos e favorecer um reequilíbrio gradual entre oferta e demanda.

Impacto para os FIIs

Para os FIIs de lajes corporativas, o ambiente ainda exige cautela. A vacância elevada tende a pressionar receitas imobiliárias, afetando a distribuição de rendimentos e o dividend yield. Ao mesmo tempo, a estabilização dos preços pode representar um primeiro passo para uma recuperação mais consistente no médio prazo.

Fundos com maior exposição ao Rio de Janeiro seguem mais sensíveis a esse cenário, especialmente aqueles com portfólios concentrados em lajes corporativas de alto padrão. Nesse contexto, a capacidade de gestão ativa e renegociação de contratos torna-se um diferencial relevante para os cotistas.

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foto: Marcelo Monteiro
Marcelo Monteiro

Formado pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), em 1996, Marcelo Monteiro tem três décadas de carreira como jornalista. No currículo, inclui passagens e colaborações em veículos como Zero Hora, Correio Braziliense, Valor Econômico, InfoMoney, Gazeta Mercantil, Placar, Diário Catarinense, Fut!, Hoje em Dia e Diário de S.Paulo. É autor dos livros "U-507 - O submarino que afundou o Brasil na Segunda Guerra Mundial" (2012) e "U-93 - A entrada do Brasil na Primeira Guerra Mundial" (2014). Dirigiu os documentários "Delírios - Filosofia e reflexão no túnel da morte" (2021) e "Além do Limite - Quando a meta é sobreviver" (2022)

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