Ritmo de vendas do milho safrinha acelera no Brasil — veja a relação com o SNFZ11
O produtor brasileiro aumentou o ritmo de venda do milho da segunda safra, a safrinha, na segunda quinzena de julho, mesmo com os preços internos praticamente estáveis na semana.
O movimento contrasta com o cenário externo, onde o grão fechou em alta na Bolsa de Chicago (CBOT): de US$ 4,41 por bushel para US$ 4,64 na quinta-feira (23), impulsionado pelo clima seco nos Estados Unidos e pelo efeito indireto das guerras na Europa e no Oriente Médio, que já vinham pressionando o preço do trigo.
Segundo a CEEMA, a saca de milho seguiu cotada a R$ 58,00 nas principais praças do Rio Grande do Sul e variou entre R$ 44,00 e R$ 62,50 no restante do país — patamar próximo ao da semana anterior.
Ainda assim, o volume negociado cresceu na comparação com o mesmo período de 2024, em um movimento normalmente ligado à necessidade de caixa do produtor, ao avanço da colheita ou à percepção de que o preço interno não deve acompanhar a alta externa no curto prazo.
A colheita da segunda safra, por sua vez, avança mais devagar que na temporada passada. Até 16 de julho, o Centro-Sul havia colhido 49% da área, ante 55% no mesmo intervalo de 2025, segundo a CEEMA.
O dado é confirmado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que apurou 49,8% de colheita nacional até 17 de julho, abaixo da média histórica de 56,7% para o período. Mato Grosso lidera o ritmo, com 79,8% da área já colhida, seguido por Tocantins (73%), Maranhão (70%) e Piauí (58%).
Nas exportações, o Brasil embarcou 786.705 toneladas de milho nos 13 primeiros dias úteis de julho, de acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) repassados pela CEEMA — uma média diária 42,8% menor que a registrada em todo o mês de julho do ano passado. Em compensação, o preço médio recebido por tonelada exportada subiu 4,5%, passando de US$ 205,20 em 2025 para US$ 214,40 neste ano.
Mato Grosso e a tese do SNFZ11
O cenário de colheita atrasada, venda interna acelerada e liderança de Mato Grosso é o pano de fundo direto para as fazendas do Fiagro SNFZ11, que tem propriedades em Gaúcha do Norte (MT) — estado responsável por cerca de 40% a 45% de toda a produção nacional de milho safrinha.
O modelo adotado nas fazendas do fundo combina soja, cultivada entre outubro e fevereiro, com a safrinha de milho ou algodão até maio, podendo incluir uma terceira safra de inverno com culturas de ciclo curto. O arranjo viabiliza até três colheitas por ano na mesma área.
A diversificação de culturas e de janelas de venda é apontada pela gestora como um fator de mitigação de risco justamente em semanas como esta, quando o produtor médio precisa decidir entre vender com colheita atrasada e preço estável ou esperar por uma valorização ainda incerta. Mato Grosso segue como principal referência do país no ciclo atual: o Imea projeta produção estadual de 51,72 milhões de toneladas na safrinha 2025/26, volume que reforça a relevância das áreas em que o fundo está posicionado.
Fiagro mira expansão de portfólio
O fundo também está em fase de expansão de portfólio. O SNFZ11 conduz atualmente sua terceira emissão de cotas, com potencial de captar cerca de R$ 120 milhões — até 12,08 milhões de novas cotas, ao preço de R$ 10,20 cada. Segundo a Suno Asset, gestora do fundo, os recursos serão destinados à aquisição de novas áreas rurais em Mato Grosso.
A base de cotistas já ultrapassou a marca de 15 mil investidores, e a última distribuição de proventos anunciada pelo fundo foi de R$ 0,10 por cota.
O quadro observado nesta semana no mercado de milho — produtor vendendo mesmo sem preço em alta, colheita atrasada em relação ao ano anterior e Mato Grosso concentrando a maior fatia da produção — resume o ambiente em que operam fundos como o SNFZ11, que apostam na diversificação de culturas e na presença nas principais regiões produtoras como estratégia para atravessar ciclos de preço e clima menos previsíveis.