Como saber qual é o melhor momento para investir em FIIs? Veja análise feita no Suno Invest
O investidor que tenta acertar o instante ideal para comprar fundos imobiliários pode estar supervalorizando uma variável de impacto reduzido no longo prazo. Esse ponto foi debatido no painel “O Método”, durante o Suno Invest 2026, com Tiago Reis, Marcos Baroni, professor e head de fundos imobiliários da Suno Research, e João Arthur, CIO da Suno Consultoria. A moderação foi de Vitor Duarte, CIO da Suno Asset. O tema central foi como conduzir aportes em fundos imobiliários (FIIs) com método e foco nos dados.
Na abertura, Tiago Reis destacou a relevância do horizonte de longo prazo e sintetizou sua visão: “Tempo no mercado vale mais que o momento de entrada”. O painel também abordou disciplina, equilíbrio da carteira e a necessidade de acompanhar os fundamentos dos ativos.
FIIs: existe um melhor dia do mês?
A questão sobre o melhor momento para realizar aportes em FIIs foi discutida a partir de um estudo apresentado no painel. A análise comparou estratégias ao longo do tempo, incluindo aportes recorrentes e tentativas de comprar sistematicamente nas menores cotações.
Segundo os dados mostrados, acertar o dia mais barato todos os meses teria produzido entre 3,8% e 6,8% mais patrimônio, com média de 5,3% no período analisado. Distribuída pelos anos, contudo, essa diferença representa menos de 1% ao ano.
O estudo também comparou o investidor que aportaria no primeiro dia útil do ano, aquele que faria aportes mensais e o investidor que deixaria o dinheiro em renda fixa enquanto aguardava uma oportunidade. A conclusão foi que a diferença entre as estratégias não justificaria tentar prever continuamente o melhor momento de entrada.
Para Baroni, quem espera por uma queda maior pode acabar ficando fora do mercado durante movimentos de valorização ou deixando de reinvestir os rendimentos recebidos.
FIIs e data-com: referência, não regra
Baroni afirmou que a única possibilidade adicional identificada no estudo envolve o comportamento das cotas em torno da data-com, que marca o último dia para ter direito ao rendimento anunciado pelo fundo.
Em alguns casos, especialmente entre fundos de papel, pode surgir uma oportunidade nos dias seguintes, quando a cota sofre o ajuste correspondente ao rendimento distribuído. O especialista ressaltou, porém, que esse comportamento não se repete necessariamente em todos os fundos e não deve ser usado como uma fórmula para definir os aportes.
A data-com, portanto, pode ser considerada como uma informação complementar, mas não substitui a análise do fundo e de sua carteira de ativos.
FIIs: o que deve entrar no lugar do timing?
Marcos Baroni afirmou que a tentativa de acertar o melhor dia pode afastar o investidor do acompanhamento dos fundamentos.
“O simples ato de você ficar tentando vai te distrair para aquilo que realmente interessa”, disse. Para ele, o investidor deve estudar os imóveis, a qualidade dos contratos, os inquilinos, a gestão, os relatórios gerenciais, os comunicados e os webcasts dos fundos.
A análise também deve considerar fatores como nível de endividamento, concentração de receitas, prazo dos contratos e capacidade de distribuição de rendimentos. Esses elementos ajudam a compreender a tese de investimento e podem ter impacto mais relevante do que pequenas diferenças no preço de compra.
FIIs: equilíbrio ajuda a evitar concentração
A composição da carteira também foi tratada como parte do método. Baroni mencionou uma referência de aproximadamente 5% do patrimônio em cada FII, com alguma margem de variação, evitando posições muito acima ou muito abaixo desse peso.
A ideia é impedir que um único fundo assuma importância excessiva por causa de uma convicção momentânea. Para Baroni, uma posição acima do dobro desse peso pode indicar concentração exagerada e confiança excessiva em uma tese. Já uma participação abaixo da metade pode mostrar que o investidor deixou de acompanhar ou de acreditar no ativo.
A referência não é uma regra fixa para todos os investidores. O objetivo é mostrar que o equilíbrio entre diferentes fundos, imóveis, gestores e estratégias ajuda a distribuir os riscos da carteira.
O estudo não estabelece um dia universal para comprar FIIs. A conclusão é que o resultado dos aportes depende mais da regularidade, da diversificação e da análise dos fundamentos de cada fundo do que da tentativa de antecipar pequenas oscilações nas cotas. Fatores como qualidade dos imóveis, contratos, gestão, endividamento e capacidade de distribuição de rendimentos continuam sendo decisivos para acompanhar a carteira.