Há 14 anos, com o intuito de financiar o setor imobiliário no Brasil, as associações financeiras criaram a Letra de Crédito Imobiliário (LCI).

Neste artigo, o investidor vai conseguir compreender de uma vez por todas as definições e características da LCI.

Por isso, se o investidor deseja tirar todas as suas dúvidas sobre este investimento, é interessante conferir os temas que serão abordados:

    1. O que é LCI?
    2. LCI nos Fiis – Fundos de Investimento Imobiliário
    3. LCI é um bom investimento?
    4. Onde posso adquirir uma LCI?
    5. Investir em LCI é seguro?
    6. Riscos de um investimento em LCI
    7. Como investir em LCI?
    8. Passo a passo para investir em uma LCI
    9. Como calcular se vale a pena comprar LCI?
    10. Qual o valor mínimo para aplicar em LCI?
    11. LCI – Rendimentos e prazos de investimento
    12. LCI – Imposto de Renda, taxas e custos para aplicar
    13. Como funciona o resgate dos títulos de LCI?
    14. Qual o melhor LCI do mercado em 2018?
    15. Vale a pena investir em LCI?

O que é LCI?

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LCI significa Letra de Crédito Imobiliário e é um título de Renda Fixa lastreado no crédito imobiliário. Ou seja, é um empréstimo que você faz a uma instituição financeira, que irá direcionar os recursos para o financiamento de imóveis, assim como na sua construção e reforma. Nas aplicações em Fundos Imobiliários, esse título é utilizado com o intuito de se obter caixa.

É uma forma de investimento que foi criado em 2004 por bancos, sociedades de crédito imobiliário e companhias hipotecárias.

LCI nos Fiis – Fundos de Investimento Imobiliário

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Os Fiis tem maior destaque nos seus investimentos em imóveis performados e CRIs (Certificado de Recebíveis Imobiliários).

Também se destacam em aplicações em outros fundos imobiliários.

Já as LCIs, os fundos geralmente investem neste papel para aplicações de caixa.

Veja esse exemplo do fundo HGLG11 (Credit Suisse Hedging Griffo Logística FII).

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Este fundo possui apenas 0,7% de LCI em seu portfólio, com isso, nota-se que não é muito relevante em seus rendimentos.

Tendo em vista o fato de que a letra de crédito imobiliário é um investimento muito procurado no mercado, iremos entender a partir de agora os seus principais conceitos.

LCI é um bom investimento?

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Investir em LCI pode ser um excelente negócio, mas antes de se tomar alguma decisão, o investidor precisa saber quando vale a pena fazer a aplicação.

Como se sabe, não há um investimento bom ou ruim, na verdade, ele depende de cada perfil, objetivos e expectativas.

Portanto, conhecer mais sobre o investimento desejado vai fazer toda diferença na hora de montar uma carteira.

Com isso, confira as vantagens e desvantagens de investir em LCI:

LCI – Vantagens

  • Renda Fixa - Seu rendimento é muito maior que o das poupanças feitas em bancos, por exemplo;
  • Rentabilidade – Rendimentos muitos próximos à taxa do CDI, que é o benchmark da renda fixa;
  • Maiores retornos - Não há incidência de Imposto de Renda para pessoas físicas;
  • Tranquilidade - Os riscos são baixos;
  • Prevenção de capital - Possui proteção do FGC(Fundo Garantidor de Crédito), que protege até 250 mil reais por CPF e instituição financeira;
  • Planejamento - Alternativa de investimento para curto e médio prazo.

LCI – Desvantagens

  • As LCIs não servem como margem de garantia para operações na Bolsa de Valores;
  • O prazo mínimo de emissão é de 90 dias. Ou seja, para quem pretende resgatar o dinheiro em um prazo menor, esse investimento é inviável.
  • A aplicação mínima é maior se comparada com outros investimentos mais tradicionais como o Tesouro Direto e CDB’s.

Onde posso adquirir uma LCI?

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Esses títulos podem ser encontrados em bancos comercias, múltiplos e demais instituições que tenham autorização do Banco Central.

Deste modo, essas instituições poderão emitir LCIs e realizar operações de crédito imobiliário.

Porém, também é necessário que a contratação seja registrada pela Cetip.

Nesse sentido, estas instituições utilizam parte de suas carteiras de créditos imobiliários como lastro de seus produtos.

E assim, os recursos aplicados são direcionados para financiamentos habitacionais.

Entretanto, as LCIs podem ser garantidas por um ou vários créditos imobiliários.

A soma do principal das letras emitidas não pode exceder o valor total dos créditos imobiliários detidos pela instituição que a emitiu.

Investir em LCI é seguro?

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Apesar de serem investimentos extremamente seguros, a LCI rentabilidade está sujeita a dois tipos de risco.

Riscos de um investimento em LCI

  • Risco de crédito

É a possibilidade de a instituição financeira emissora do título vir a tornar-se insolvente.

Neste caso, o investidor estará protegido pela cobertura do FGC em até R$ 250 mil.

É importante ressaltar que o reembolso pode demorar um pouco, pois não é automático.

Assim, o risco real é de que a instituição quebre e o investidor tenha que aguardar os trâmites burocráticos para a restituição.

  • Risco de liquidez

Para compreender o conceito, chama-se liquidez a velocidade em que um ativo financeiro pode ser transformado em “dinheiro vivo”.

Dessa forma, o investimento nesse papel não é indicado para quem não possa aguardar o vencimento.

Isso se explica pois nem sempre será possível vendê-los antecipadamente.

Portanto, mesmo quando isso for possível, o investidor poderá apurar prejuízos ao vender os títulos no mercado secundário.

Dito isto, é aconselhável que o investidor não aplique as suas reservas de emergências neste investimento.

Como investir em LCI?

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A primeira coisa é compreender que o LCI é um tipo de investimento imobiliário, afetado pelas mesmas variáveis desse mercado.

Isso inclui a ocupação de novos imóveis, os preços de aluguel, e o aquecimento do setor de construção civil, pois essa análise vai definir o risco desse tipo de investimento.

Logo, o maior risco dessa aplicação é o mercado, que pode estar mais retraído para a compra e venda de novos imóveis.

Portanto, o risco geralmente é baixo a moderado, dependendo da situação do mercado e de qual instituição o investidor escolhe.

Veja o passo a passo para investir em uma LCI:

  1. Abra a sua conta: o primeiro passo para investir em LCI é procurar uma Corretora. Depois disso, é só abrir a sua conta. Para isso, basta informar os seus dados pessoais, criar um login e senha.
  2. Transfira os recursos: em seguida, transfira o valor que será investido na LCI da sua conta bancária para a conta que criou na corretora.
  3. Entre na sua plataforma: com os recursos já transferidos, entre na Plataforma de Investimentos e clique na opção Renda Fixa.
  4. Escolha a sua LCI: neste ambiente, você encontra várias alternativas de investimentos, dentre elas a LCI.
  5. Faça uma análise das opções: é ideal reservar um tempo para fazer isso. Para definir em qual LCI investir, verifique pontos, como, taxa de rentabilidade e prazo de aplicação em relação aos seus objetivos;
  6. Simule o seu rendimento: para facilitar a tomada de decisão, utilize um LCI simulador de investimentos. Assim, o investidor terá uma ideia de quanto o seu dinheiro poderá render até a data do vencimento. Para finalizar a escolha, compare entre as demais LCIs disponíveis e veja a mais adequada para o perfil.
  7. Compre a LCI: encontrou a LCI ideal para a sua carteira? Agora, digite o valor da compra e clique em Comprar.

Dessa forma, o investidor irá adquirir o seu título. Assim, agora é só aguardar e deixar que ele se rentabilize.

E importante destacar que, em bancos comerciais os investidores também têm condições de aplicar em LCIs.

Para isso, basta ter uma conta e seguir o mesmo processo citado acima ou procurar o gerente da agência.

Como calcular se vale a pena comprar LCI?

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Podemos citar vários exemplos da renda fixa, mas vamos analisar com um CDB que é uma aplicação muito procurada pelos investidores.

Digamos que uma determinada LCI renda fixa garanta 90% do CDI.

Porém, no mercado, o investidor encontra CDBs que garantam 95%, 100% ou até mais que isso do CDI.

Entretanto, o grande diferencial está na isenção do imposto de renda.

Ou seja, a LCI garante liquido 90% do CDI. Agora, veja quanto um CDB deveria pagar, no mínimo, para se igualar a LCI:

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Podemos ver que, para um CDB remunerar com uma taxa de 90% do CDI em 6 meses, ele deve prometer 116,13% do CDI, o que não é comum de se encontrar.

Qual o valor mínimo para aplicar em LCI?

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As LCIs se caracterizam por possuir um valor mínimo de aplicação.

Mas esses valores podem ser bem variados, dependendo do prazo e do emissor do título.

Diante disso, podemos dizer que a aplicação mínima não é constante.

Existem LCIs cuja aplicação mínima é de R$ 500,00, enquanto há aqueles que exigem pelo menos R$ 50.000,00.

Porém, o mais comum é encontrarmos títulos desse tipo que exigem o valor mínimo de R$ 5.000,00 ou R$ 10.000,00.

LCI – Rendimento

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Igualmente a outros títulos de renda fixa, as LCIs podem ser segmentadas em três tipos:

  • Prefixado: o investidor sabe exatamente quanto receberá na data de vencimento do título, pois a taxa de juros é fixa e combinada no momento da aplicação.

Exemplo: LCI com rentabilidade de 11% ao ano.

  • Pós-fixado: o investidor só saberá quanto irá receber ao final do investimento, mas pode ter uma ideia antecipada de sua rentabilidade porque o retorno é atrelado a algum indicador financeiro, como o CDI ou a Taxa Selic.

Exemplo: LCI a 94% do CDI.

  • Híbrido: união das duas modalidades anteriores.

Com uma taxa preestabelecida acrescida da variação de um indexador, como o IPCA.

Exemplo: LCI com rentabilidade IPCA+3%.

Contudo, apesar dessa divisão, o mais comum é encontrarmos LCI com rentabilidade pós-fixada atrelada ao CDI.

LCI – Prazos de investimentos

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Em regras gerais, existem dois tipos de prazo para investimentos em renda fixa. São eles o prazo de vencimento e carência.

O prazo de vencimento é a data que foi acordado o pagamento pelo título, onde o investidor receberá o seu valor aplicado mais os juros combinados.

Já o prazo de carência é o período mínimo que o dinheiro do investidor deve ficar aplicado.

É interessante destacar que, durante esse momento não é possível retirar o dinheiro sem perder rentabilidade.

Contudo, após este prazo, o investimento passa a ter liquidez diária.

No caso da LCI, geralmente elas possuem prazo de carência de 90 dias, estipulado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Ou seja, este é o prazo mínimo que o dinheiro precisa ficar aplicado.

Por isso, não é interessante investir em LCI se você por ventura vier a precisar do dinheiro antes deste prazo.

LCI – Imposto de Renda

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Ao contrário de outros títulos de Renda Fixa, esse investimento tem a dispensa do imposto de renda, o que é excelente para o LCI vantagens.

Deste modo, o investidor tem isenção total sobre essa tributação.

Isso faz com que o investimento seja interessante para a carteira do investidor.

Mas, apesar de não ser tributado, o investimento em LCI precisa ser declarado. Entenda:

Todo contribuinte deve enviar anualmente para Receita Federal sua declaração de Imposto de Renda.

Porém, a corretora ou banco entrega ao investidor um informe de rendimentos que só precisa ser copiado na declaração.

Com isso, não é preciso pagar nenhum Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF) e nem preencher nenhum formulário especial.

Taxas e custos para aplicar em LCI

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Antes de investir em LCI, é preciso estar ciente de todos os custos envolvidos.

Desta forma, o investidor consegue saber se ela está dentro das suas expectativas e se vale a pena a aplicação.

Portanto, esse investimento é livre de taxas e tributos, o que o torna muito atraente.

Como funciona o resgate dos títulos de LCI?

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Uma das dúvidas mais frequentes na hora de investir em LCI é em relação ao seu resgate.

Primeiramente, o investidor precisa saber que é possível solicitar a liquidação a qualquer momento.

Porém, ela só estará disponível depois do prazo de carência, que pode ou não existir e ele varia conforme o emissor.

É importante destacar que em motivos de urgência, é possível liquidar o investimento dentro deste período.

Mas o investidor estará sujeito a multas por parte da instituição emissora.

No entanto, quando solicitado depois do prazo de carência, não há custos.

Em contrapartida, a LCI será recomprada a preço de mercado que, por sua vez, costuma ser um valor menor do que aquele investido.

Portanto, para evitar perdas de rentabilidade, o ideal é investir e só resgatar na data do vencimento.

Assim, o investidor receberá exatamente o que foi acordado no momento da compra.

Qual o melhor LCI do mercado em 2018?

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Para responder essa pergunta, é interessante notar e compreender quais são as expectativas do investidor.

Então, vamos considerar a macroeconomia e suas direções como referência.

Neste cenário, podemos dizer que o mercado imobiliário tem a evoluir nos próximos anos, isso devido as projeções da taxa básica se manterem sem grandes oscilações.

Com isso, podemos definir que, o melhor LCI do mercado é aquele que está pagando mais próximo a taxa CDI.

Pois, essa taxa é a principal referência dos investimentos em renda fixa.

Vale a pena investir em LCI?

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O setor imobiliário brasileiro vem apresentando bons sinais de retomada.

Então, a tendência é de que as emissões deste título aumentem, inclusive a variabilidade de condições, melhorando também o prazo de vencimento LCI e taxa de rentabilidade.

Dessa forma, se você quer diversificar a sua carteira e ajudar no desenvolvimento do país, investir em LCI pode ser uma boa alternativa.

LCI - Considerações

Definitivamente o investidor viu neste artigo que investir em LCI é uma ótima decisão tanto para o curto como para o médio prazo.

Com a crescente procura por investimentos mais rentáveis e livres de taxas, a LCI se destaca como uma ótima opção.

Contudo, para escolher o título, é importante que se observe se a taxa de rentabilidade está acima de 94% do CDI. De acordo com os especialistas, este é o rendimento mínimo para que este ativo tenha retornos atrativos.

Por fim, a LCI é uma aplicação que possui baixo risco. Então, ela pode ser flexibilizada em qualquer perfil de investidor, principalmente para os conservadores.

Marcos Baroni
Marcos Baroni Especialista em FIIs (Suno Research)

Marcos Baroni é especialista em Fundos Imobiliários. Professor há 20 anos em cursos de Graduação e MBA nas áreas de Gestão de Projetos e Processos.

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