BTG vê crédito mais seletivo no agro e destaca ‘equilíbro’ dos fiagros
O avanço do conflito no Oriente Médio reacendeu preocupações sobre a rentabilidade do agronegócio brasileiro e aumentou o alerta no mercado de fiagros. Em relatório divulgado nesta semana, o BTG Pactual avaliou que a interrupção parcial do fluxo global de petróleo e derivados no Estreito de Ormuz provocou uma nova rodada de pressão sobre custos agrícolas, especialmente em segmentos dependentes de combustíveis, fertilizantes e defensivos.
Segundo o banco, o setor agrícola vinha atravessando um movimento gradual de recuperação após três anos consecutivos de compressão de margens. No entanto, o choque recente nos preços de energia alterou essa perspectiva para 2026.
O BTG destacou que diesel, gás natural e fertilizantes nitrogenados passaram a subir em ritmo mais acelerado do que os preços das principais commodities agrícolas, reduzindo a capacidade de repasse de custos pelos produtores rurais.
Culturas como soja, milho e algodão aparecem entre as mais impactadas, já que possuem maior intensidade no uso de insumos agrícolas e dependência relevante de capital de giro.
Na avaliação da instituição, esse cenário deve manter a rentabilidade operacional do setor pressionada ao longo dos próximos trimestres, principalmente entre produtores mais alavancados e dependentes de renegociação de dívidas.
BTG vê crédito mais seletivo e pressão sobre produtores
Além da pressão operacional, o banco aponta que o conflito também provocou reprecificação das curvas globais de juros, reduzindo as apostas de cortes monetários nas principais economias.
No Brasil, esse movimento tende a prolongar o ambiente de juros elevados justamente em um momento de fragilidade financeira para parte do agronegócio.
Segundo o relatório, o resultado pode ser um ambiente de crédito mais seletivo, aumento no custo de carregamento das dívidas e maior probabilidade de eventos pontuais de estresse financeiro no setor agropecuário.
Fiagros são estruturas equilibradas para atual ciclo, diz BTG
Apesar disso, o BTG avalia que os fiagros sob sua cobertura apresentam atualmente uma estrutura mais equilibrada para enfrentar o novo ciclo de volatilidade.
Entre os fatores apontados pelo banco estão maior pulverização das carteiras, redução gradual da concentração em produtores de grãos, duration mais curta das operações e manutenção de reservas acumuladas.
O relatório também destaca que muitos fundos seguem negociando com desconto em relação ao valor patrimonial, enquanto o carrego elevado das operações indexadas ao CDI funciona como uma camada adicional de proteção para os investidores.
SNAG11, IAAG11 e OIAG11 focam em crédito pulverizado
O SNAG11 tem focado na pulverização em uma de suas principais operações da carteira, ligada à Boa Safra. Segundo a Suno Asset, o CRA pulverizado da companhia elevou a base de cedentes de 57 para 88 produtores rurais. O movimento reforça a diversificação da operação e reduziu a concentração de risco do portfólio.
Já o IAAG11 informou que vem adotando uma estratégia mais defensiva diante do cenário de juros elevados e maior volatilidade global. Segundo a gestão, o foco passou a ser operações com perfil de crédito mais robusto e melhor relação entre risco e retorno. O fundo também apontou que a recente abertura de spreads criou oportunidades em empresas consideradas de maior qualidade dentro do agronegócio.
Enquanto isso, o OIAG11 avançou na alocação de recursos em março, ampliando posições em operações já presentes na carteira.
A gestão afirmou que segue priorizando crédito diversificado, disciplina na originação e preservação de liquidez para novas oportunidades, mantendo foco em geração recorrente de renda com proteção de capital.