Como o IAAG11 monta sua carteira? Gestora explica estratégia de investimento

Como o IAAG11 monta sua carteira? Gestora explica estratégia de investimento
Fiagro IAAG11. Fonte: Pixabay

O ciclo de inadimplência que atingiu parte da indústria de Fiagros nos últimos anos mudou a forma como muitos gestores analisam operações de crédito no agronegócio. Enquanto diversos fundos enfrentaram eventos de crédito ligados a produtores rurais, o IAAG11, Fiagro da Inter Asset, seguiu um caminho diferente desde sua criação, priorizando empresas estruturadas, governança corporativa e preservação de capital.

Segundo Diogo Moraes, analista do IAAG11, a estratégia do fundo foi desenhada desde o início para reduzir riscos inerentes ao setor agrícola, concentrando investimentos em companhias com perfil semelhante ao de empresas listadas em bolsa, ainda que não tenham capital aberto.

“O nosso foco sempre foi investir na cadeia do agronegócio por meio de empresas. Não é porque a gente não goste do produtor rural, mas porque estamos falando do dinheiro da pessoa física. O investidor busca estabilidade e constância ao longo do tempo”, afirmou.

Essa escolha, segundo o executivo, levou o fundo a abrir mão de retornos mais elevados durante o boom inicial dos Fiagros. Enquanto boa parte do mercado buscava operações com spreads mais agressivos, o IAAG11 estabeleceu uma meta de retorno mais conservadora.

“Na época, muitos fundos surgiam prometendo CDI mais cinco, seis ou sete. A nossa meta era CDI mais três porque queríamos encontrar empresas com boa governança e menor risco de crédito”, explicou.

Hoje, a carteira reúne 29 operações distribuídas por diferentes segmentos do agronegócio, incluindo grãos, açúcar e etanol, café, citros e batata. Segundo Moraes, o número de ativos deverá crescer nos próximos meses à medida que o fundo avança em um processo de reciclagem da carteira.

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Fiagro IAAG11: preservação de capital vem antes do retorno

Para o analista, a principal diferença da estratégia do IAAG11 está na forma como o crédito é analisado. Em vez de concentrar a avaliação nas garantias oferecidas pelas empresas, a gestão prioriza a capacidade de geração de caixa dos tomadores.

“Antes de ganhar dinheiro, a gente não pode perder dinheiro. A preservação do capital vem sempre em primeiro lugar”, diz.

Segundo ele, a experiência recente do mercado mostrou que parte dos problemas enfrentados pelos Fiagros decorreu da excessiva confiança na execução das garantias.

“A gente trata a garantia como mitigador de risco, e não como fator de decisão. Quando vamos aprovar uma operação, olhamos primeiro o fluxo de caixa. Essa empresa consegue performar? Se não consegue, não adianta ter uma garantia excelente”, disse.

Moraes também destacou que processos de execução de garantias no Brasil costumam ser demorados e sujeitos a interpretações distintas do Judiciário.

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“Execução de garantia não é um negócio trivial. A insegurança jurídica faz com que a gente nunca conte com isso como principal proteção do investimento”, afirmou.

Mato Grosso concentra investimentos por eficiência

Outro ponto frequentemente questionado pelos investidores é a elevada participação de operações localizadas em Mato Grosso. Segundo o analista, isso não representa concentração excessiva, mas sim uma escolha baseada na eficiência produtiva da região.

“O Mato Grosso é gigantesco. Quando as pessoas olham apenas o percentual da carteira, esquecem que o estado é enorme e que nossos investimentos estão espalhados por diferentes regiões e culturas”, explicou.

Na avaliação da gestora, a localização dos investimentos acompanha justamente as regiões mais competitivas do agronegócio brasileiro.

“O setor é cíclico. Quem sobrevive são as empresas mais eficientes. Em grãos, Mato Grosso reúne produtividade elevada e estabilidade climática. Em açúcar e etanol, São Paulo e Minas Gerais concentram algumas das melhores regiões produtoras do país”, afirmou Moraes.

Além da diversificação geográfica, a carteira também busca reduzir riscos por meio da diversificação entre cadeias produtivas, reunindo empresas ligadas a diferentes culturas e segmentos do agronegócio.

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Volatilidade faz parte da classe de ativos

Ao comentar o cenário para os Fiagros, Moraes destacou que investidores precisam compreender a natureza cíclica do setor antes de investir.

“Fiagro é um ativo de maior risco. Isso não significa que seja um ativo ruim. Significa que ele tem potencial de retorno maior, mas precisa ser analisado dentro do contexto da carteira do investidor”, afirmou.

Para ele, os fundamentos estruturais do agronegócio brasileiro permanecem sólidos, apesar das oscilações de curto prazo.

“Os fundamentos de longo prazo continuam muito positivos. O Brasil ocupa uma posição estratégica no agronegócio mundial e isso sustenta a tese da classe”, disse.

Como recomendação final aos investidores, o analista defendeu uma visão de longo prazo e criticou movimentos extremos de compra e venda motivados apenas pelo ciclo de mercado.

“É importante nunca ir do oito ao oitenta. Se o momento está difícil e você vende, provavelmente estará saindo no pior momento. Se compra apenas quando tudo está ótimo, tende a pagar mais caro. No longo prazo, é um ativo que contribui para o retorno do portfólio”, concluiu.

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foto: Vinícius Alves
Vinícius Alves
Jornalista

Jornalista formado na Faculdade Cásper Líbero. Com passagens pela Agência Estado e Editora Globo.

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