ROCA11 alcança 95% de alocação e aposta em originação própria para gerar valor

ROCA11 alcança 95% de alocação e aposta em originação própria para gerar valor
Fiagro ROCA11 - Foto: Pixabay

O ROCA11, Fiagro da Ceres Investimentos voltado ao crédito do agronegócio, concluiu a alocação dos recursos captados em sua segunda emissão e já possui cerca de 95% do patrimônio investido.

Em julho, o fundo apresentava carrego médio próximo de CDI + 5,1% ao ano, patamar que reflete a estratégia da gestora de buscar operações com prêmio no crédito privado do agronegócio.

Mais do que a remuneração dos ativos, porém, a Ceres aposta em uma estratégia de originação próxima à cadeia do agro para encontrar oportunidades. A gestora busca operações por meio de agentes com os quais mantém relacionamento, como revendas de insumos e cedentes acompanhados há anos, o que, segundo Pedro Baumeier, portfolio manager da Ceres, amplia a quantidade de informações disponíveis sobre os devedores.

A estratégia ganhou espaço em um momento de maior seletividade na oferta de crédito para o setor. Na avaliação de Baumeier, enquanto a demanda por financiamento continua crescendo, as fontes tradicionais de recursos não avançam na mesma velocidade. Esse descompasso pode elevar os prêmios disponíveis para quem está disposto a financiar o agronegócio.

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“Foi num momento que a gente encontrou de aperto, e não de euforia, e acho que foi de propósito. Os bancos estavam diminuindo o custeio, o Plano Safra cresceu pouco. Ou seja: a demanda por crédito está subindo e a oferta caindo. Então, para quem empresta, isso vira prêmio”, afirma.

Nesse ambiente, a tese da Ceres é que a geração de valor depende menos de simplesmente buscar taxas elevadas e mais da capacidade de selecionar os créditos. A gestora procura identificar produtores que atravessam dificuldades pontuais, mas que ainda apresentam capacidade de pagamento. “A oportunidade que eu vejo aqui é pra você conseguir separar o produtor que está apertado do que está quebrado”, diz Baumeier.

Originação local busca transformar informação em vantagem no crédito

A proximidade geográfica é um dos elementos centrais desse modelo. A Ceres está localizada em Uberaba, no Triângulo Mineiro, região com forte atividade ligada ao agronegócio. Segundo o gestor, parte das operações chega à casa por meio de revendas de insumos e cedentes com os quais a equipe mantém relacionamento de longo prazo.

“A Ceres é de Uberaba, a gente está no Triângulo Mineiro. Isso muda muito porque a gente não origina por telefone. A operação chega por revenda de insumo, pelo cedente que a gente acompanha há anos, o crédito é contra o produtor que compra ali. Então, isso muda a informação que a gente tem sobre o devedor”, explica.

Na prática, a estratégia permite que a análise de crédito considere não apenas demonstrações financeiras e indicadores tradicionais, mas também informações obtidas diretamente com participantes da cadeia. Esse conhecimento sobre o relacionamento entre produtores, revendas e cedentes é utilizado pela gestora na seleção das operações que entram na carteira.

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Outro pilar da estratégia é a busca por recebíveis pulverizados, reduzindo a dependência de um único devedor. Em vez de concentrar o risco em uma companhia, o fundo pode acessar estruturas nas quais os recebíveis são distribuídos entre centenas de produtores.

“A gente tende a olhar pra uma compra que não é uma dívida de uma empresa grande, é recebível de insumo. Nota fiscal, pulverizado, entre centenas de sacados. Quando um sacado tem algum problema, a carteira sente pouco. Então, isso é bem diferente de comprar um crédito em um único devedor corporativo”, afirma Baumeier.

A pulverização também ajuda a explicar a diferença entre a concentração aparente por emissor e a exposição efetiva aos devedores finais. Um mesmo emissor pode estruturar operações cujo lastro esteja distribuído entre diversos produtores.

“Quando a gente vê concentração, é uma concentração pelo emissor. Então, a gente tem CRAs que são do mesmo emissor. Só que quem vai pagar o que está dentro desse CRA, que é o nosso lastro, são centenas de sacados diferentes”, explica.

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Mercado de capitais ganha espaço diante das necessidades de financiamento do agro

Para a Ceres, a estratégia de originação também está inserida em uma mudança mais ampla no financiamento do agronegócio. A avaliação de Baumeier é que o crédito rural subsidiado, sozinho, não consegue acompanhar a dimensão e as necessidades de capital do setor.

“O crédito rural subsidiado é orçamento público. O orçamento não aqcompanha o tamanho do agronegócio brasileiro. Então, essa diferença tem que ser financiada por algum lugar. E esse lugar é o mercado de capitais”, afirma.

Nesse cenário, os Fiagros aparecem como uma das alternativas para canalizar recursos privados para o campo. Para o gestor, a movimentação entre diferentes instrumentos de financiamento não significa necessariamente uma perda de relevância do mercado de capitais no agronegócio, mas uma mudança na preferência dos investidores.

“Em 2026, a gente teve uma emissão de CRA caindo, enquanto a captação de Fiagro subiu. Então, isso não é o agro saindo do mercado de capitais. É o investidor trocando de veículo, saindo de papel de devedor único, indo pro fundo, que tem uma gestão ativa, tem subordinação, tem diversificação”, diz.

É nesse contexto que o ROCA11 busca se posicionar: combinando originação própria, pulverização dos recebíveis e gestão ativa para encontrar operações que ofereçam remuneração acima das referências tradicionais de mercado. A conclusão da alocação da segunda emissão, com cerca de 95% do patrimônio investido e carrego médio de aproximadamente CDI + 5,1%, marca uma etapa importante dessa estratégia.

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foto: Vinícius Alves
Vinícius Alves
Jornalista

Jornalista formado na Faculdade Cásper Líbero. Com passagens pela Agência Estado e Editora Globo.

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