Energia solar cresce, supera R$ 300 bi em aportes e amplia espaço para SNEL11
Os investimentos em energia solar no Brasil ultrapassaram a marca de R$ 300 bilhões desde o início da expansão da fonte no país, considerando tanto a geração distribuída quanto as usinas de grande porte. O dado, divulgado pela Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), reforça o avanço estrutural do setor na matriz energética nacional.
Além do volume investido, a entidade destaca impactos relevantes na economia. O segmento foi responsável pela criação de mais de 2 milhões de empregos e pela arrecadação de cerca de R$ 96 bilhões em tributos ao longo do período.
Do ponto de vista ambiental, a energia solar também tem papel significativo. Segundo a ABSOLAR, a fonte já evitou a emissão de mais de 114 milhões de toneladas de CO₂, o equivalente ao plantio de mais de 1 bilhão de árvores ao longo de duas décadas.
Atualmente, a capacidade instalada da fonte solar no Brasil soma aproximadamente 68,8 GW, o que garante à tecnologia a segunda posição na matriz elétrica nacional, com participação de 25,3%, atrás apenas das hidrelétricas.
Apesar do avanço, o ritmo de crescimento do setor começa a enfrentar desafios. Em 2025, a expansão da capacidade instalada recuou mais de 25%, refletindo entraves operacionais e limitações estruturais da rede elétrica.
Entre os principais obstáculos apontados pelo setor estão a inversão de fluxo na geração distribuída e os cortes de geração em grandes usinas, conhecidos como curtailment, determinados pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Esses fatores refletem um descompasso entre a capacidade de geração e a infraestrutura de transmissão disponível no país.
Energia solar: SNEL11 acompanha avanço da tese
Mesmo com os desafios, o mercado segue precificando positivamente ativos ligados à transição energética. O fundo imobiliário SNEL11 atingiu, recentemente, um novo recorde histórico ao encerrar o pregão a R$ 8,54 por cota, acumulando valorização de 12,19% nos últimos 12 meses.
O desempenho reflete o fortalecimento da tese de geração distribuída e a busca por ativos com receitas previsíveis, características que ganham relevância em um ambiente de maior demanda energética.
Projeções do setor indicam que o Brasil poderá atingir cerca de 7 GW em armazenamento de energia e 3 GW em mecanismos de resposta da demanda até 2035, movimento associado à maior variabilidade da geração renovável e à necessidade de equilíbrio do sistema elétrico.
Nesse contexto, o SNEL11 amplia sua exposição ao setor ao manter um portfólio de 20 usinas solares distribuídas em oito estados, totalizando 87,5 MWp de capacidade instalada após a última aquisição.
A estratégia reforça o posicionamento do fundo em ativos com contratos de longo prazo e geração de caixa previsível, alinhados ao crescimento estrutural da energia limpa no Brasil.
Gestão mira crescimento com previsibilidade de caixa
Segundo Guilherme Barbieri, Head de Infraestrutura da Suno Asset, o modelo operacional do fundo busca previsibilidade semelhante à lógica do mercado imobiliário.
“O SNEL não vende energia. Ele aluga os ativos para consórcios ou consumidores que se beneficiam economicamente desses créditos”, afirmou.
Na prática, a estrutura busca gerar receitas recorrentes por meio da locação dos ativos solares, reduzindo parte da volatilidade típica do setor elétrico.
“O nosso foco é continuar crescendo de forma saudável, buscando bons projetos que maximizem o retorno e reduzam riscos”, acrescentou Barbieri.