Oriente Médio segue comprando milho brasileiro — e SNFZ11 está no epicentro da produção
Mesmo em meio à escalada das tensões no Oriente Médio e aos impactos logísticos provocados pelo fechamento parcial do Estreito de Ormuz, as exportações do agronegócio brasileiro para os países do Golfo seguem avançando em 2026.
Segundo levantamento da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, as vendas do agro brasileiro para o Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) cresceram aproximadamente 1,97% no acumulado do ano, somando cerca de US$ 1,76 bilhão.
O bloco reúne países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Kuwait, Omã e Bahrein, considerados importantes compradores de commodities agrícolas brasileiras.
Entre os produtos exportados, frango, açúcar, carne bovina, milho e café aparecem entre os principais destaques da pauta comercial.
No caso do milho, o desempenho chamou atenção após forte recuperação em abril. Segundo os dados, as exportações do cereal somaram aproximadamente US$ 11,8 milhões no mês, revertendo a quase paralisação registrada em março.
Conflito no Oriente Médio: Irã amplia importação do agro brasileiro
Além disso, o Irã também ampliou significativamente as compras de grãos brasileiros nos últimos meses.
Dados da balança comercial mostram que o agronegócio exportou US$ 54,2 bilhões entre janeiro e abril deste ano, alta de 2% em relação ao mesmo período de 2025. O desempenho foi sustentado principalmente pelo complexo soja e pelas exportações de proteínas animais.
Um dos destaques recentes foi o avanço das compras iranianas. Segundo números da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o Irã elevou em 49% suas importações agrícolas do Brasil nos meses de março e abril, ampliando aquisições de soja, farelo e milho.
Os iranianos compraram 610 mil toneladas de soja e 511 mil de farelo nesse período. No acumulado do quadrimestre, os iranianos movimentaram aproximadamente US$ 912 milhões em produtos agrícolas brasileiros, consolidando o país entre os principais compradores do agro nacional.
Milho safrinha fortalece tese do SNFZ11
O avanço das exportações reforça a importância do milho safrinha dentro da estrutura agrícola brasileira e também fortalece a tese operacional do SNFZ11.
Grande parte da produção nacional do cereal atualmente está concentrada no modelo de segunda safra, cultivado logo após a colheita da soja, principalmente em estados como Mato Grosso, Paraná e Goiás.
Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento, o milho safrinha já representa aproximadamente 75% de toda a produção brasileira do grão.
O modelo ganhou escala nas últimas décadas com avanços tecnológicos, melhoria genética das sementes e expansão do plantio direto, permitindo maior eficiência produtiva e múltiplas colheitas na mesma área ao longo do ano.
Além do aumento de produtividade, a estratégia também reduz parte dos riscos operacionais, ao distribuir melhor o calendário agrícola e ampliar o aproveitamento do solo.
Fiagro foca exposição no Mato Grosso
O SNFZ11 possui exposição a esse modelo produtivo por meio de propriedades localizadas em Gaúcha do Norte, no Mato Grosso, principal estado produtor de milho do país.
Segundo a gestão, a estratégia combina produção de soja, milho safrinha e outras culturas agrícolas, ampliando o potencial de geração de receitas e reduzindo a dependência de um único ciclo de commodity.
O fundo também opera com contratos ligados diretamente à produção agrícola. Um dos exemplos é o acordo firmado com a Jequitibá Agro, que garante participação aproximada de 25% da safra produzida nas áreas vinculadas à operação.
Na prática, o sistema produtivo adotado nas fazendas permite até três ciclos agrícolas na mesma área ao longo do ano, incluindo soja, milho safrinha, algodão e culturas de inverno como sorgo e feijão.
Além da demanda externa, o milho brasileiro segue estratégico para cadeias como proteína animal, etanol de milho e produção de ração, fatores que sustentam o crescimento estrutural do cereal mesmo em meio ao cenário geopolítico mais desafiador.