Axia mira data centers com tecnologia solar; SNEL11 acompanha transformação do setor
O avanço das tecnologias de armazenamento de energia e a crescente demanda dos data centers têm ampliado as oportunidades no mercado brasileiro de renováveis, cenário que beneficia fundos expostos à transição energética, como o SNEL11.
Enquanto o fundo da Suno Asset segue atraindo investidores e registrando forte liquidez na B3, empresas do setor aceleram investimentos em soluções capazes de tornar a geração limpa mais previsível e eficiente.
Um dos exemplos mais recentes vem da Axia Energia, a companhia anunciou um novo aporte de R$ 20 milhões para integrar uma usina solar de concentração a um data center em Petrolina (PE), ampliando pesquisas sobre o uso de energia renovável em aplicações intensivas em consumo elétrico.
Segundo a Axia, a tecnologia heliotérmica utiliza espelhos para concentrar a radiação solar em uma torre central, gerando simultaneamente eletricidade e calor. Esse calor é convertido em água gelada por meio de sistemas de refrigeração por absorção, reduzindo uma das principais despesas energéticas dos data centers: o resfriamento dos equipamentos.
A proposta ganha relevância diante do crescimento acelerado da inteligência artificial, da computação em nuvem e do processamento de dados, atividades que vêm elevando a demanda global por infraestrutura digital e, consequentemente, por fontes energéticas estáveis e sustentáveis.
Armazenamento pode ampliar previsibilidade das renováveis
A planta piloto da Axia possui capacidade instalada de 1 MW de geração elétrica e 2,2 MW de energia térmica. Desde sua implantação, o projeto já recebeu mais de R$ 74 milhões em investimentos, sendo aproximadamente R$ 68 milhões provenientes do Programa de Pesquisa e Desenvolvimento da Aneel.
O diferencial da tecnologia está na capacidade de armazenamento. De acordo com a empresa, o sistema consegue armazenar energia térmica por até três dias e realizar despachos de até 17 horas consecutivas, característica considerada estratégica para complementar fontes intermitentes, como solar e eólica.
Além do projeto em Pernambuco, a Axia também opera uma planta híbrida na Bahia que combina geração solar, eólica, baterias e um data center voltado à mineração de bitcoin. A iniciativa busca reduzir perdas associadas a restrições de transmissão e aumentar a flexibilidade operacional dos ativos.
O avanço dessas soluções dialoga diretamente com a estratégia do SNEL11, fundo lançado pela Suno Asset com foco em projetos ligados à geração renovável.
Embora a atuação do veículo esteja concentrada principalmente em ativos de geração distribuída, a evolução tecnológica tende a ampliar a competitividade econômica de todo o setor, reduzindo custos operacionais e aumentando a previsibilidade das receitas.
Como funciona a estratégia do SNEL11
O SNEL11 foi lançado pela Suno Asset com foco em investimentos relacionados a projetos de energias renováveis.
Diferentemente da maior parte dos fundos imobiliários listados na Bolsa, que investem em galpões logísticos, escritórios, shopping centers ou recebíveis imobiliários, o SNEL11 tem foco em projetos ligados à geração de energia renovável. A proposta é oferecer exposição a um segmento que tradicionalmente esteve mais associado a investimentos de infraestrutura.
Segundo a gestora, a estratégia envolve a participação no desenvolvimento de empreendimentos ligados à geração de energia renovável. Após a entrada em operação, esses projetos podem gerar receitas para o fundo por meio da comercialização de energia elétrica.
A estrutura também prevê a possibilidade de realização de ganhos de capital com a venda de projetos desenvolvidos, conforme a estratégia adotada pela gestão.
Por ser negociado em Bolsa, o SNEL11 permite que investidores tenham exposição ao segmento de energia renovável por meio da aquisição de cotas. No caso da simulação, os números indicam que um investimento de R$ 50 mil teria alcançado R$ 64.021,81 após 12 meses, enquanto o mesmo valor na poupança teria atingido R$ 53 mil.