Cadeia da soja mira quase 5% do PIB do Brasil e fortalece fundamentos do SNAG11
A cadeia produtiva da soja deve ampliar sua relevância na economia brasileira em 2026, em um cenário marcado por safra recorde, expansão do processamento industrial e maior demanda por biodiesel. O movimento fortalece os fundamentos do agronegócio acompanhados pelo SNAG11, Fiagro que investe em ativos de crédito ligados ao setor.
Levantamento elaborado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP), em parceria com a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), projeta crescimento de 6,87% no Produto Interno Bruto (PIB) da cadeia da soja e do biodiesel no próximo ano.
Se a estimativa se confirmar, o segmento deverá representar 21,2% do PIB do agronegócio brasileiro e cerca de 4,8% da economia nacional, consolidando sua posição entre os principais motores do setor.
O avanço ocorre após um desempenho já expressivo em 2025, quando a cadeia registrou crescimento de 11,72%, impulsionada pelo aumento da produção e da atividade industrial.
Para o SNAG11, embora o fundo não invista diretamente na comercialização da commodity, o fortalecimento da cadeia da soja tende a beneficiar o ambiente de crédito do agronegócio, ampliando oportunidades para operações estruturadas e fortalecendo empresas que integram esse ecossistema.
Safra recorde e indústria impulsionam crescimento
O principal fator por trás da projeção é a safra brasileira de soja 2025/26, estimada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em 180,56 milhões de toneladas, o maior volume já registrado no país.
Com maior disponibilidade de matéria-prima, a expectativa é de expansão tanto do mercado interno quanto das exportações, além do fortalecimento da indústria de processamento.
Segundo o estudo, o crescimento deverá alcançar praticamente todos os elos da cadeia produtiva.
O segmento de insumos agrícolas deve avançar 2,57%, refletindo o aumento da área cultivada e da adoção de tecnologias no campo, o que impulsiona a demanda por fertilizantes, sementes e defensivos.
Já a produção agrícola de soja tem previsão de crescimento de 7,26%, sustentada pelo aumento da produtividade e pela expansão das áreas plantadas.
SNAG11 mira investimentos em armazenagem
É justamente nesse ponto que fundos voltados ao agronegócio começam a enxergar oportunidade. O SNAG11 é um dos que já direcionam parte do portfólio para tentar destravar esse gargalo: a armazenagem de grãos responde hoje por cerca de 6,3% da carteira do fundo, um segmento que a gestora trata como complementar à irrigação — atualmente a maior aposta do SNAG11, com 22,7% dos recursos, reforçada após o direcionamento de cerca de R$ 200 milhões da quinta emissão de cotas ao Fiagro FIDC Irriga Brasil.
A tese por trás dessa alocação segue a mesma lógica descrita pelos dados da Datagro: mais capacidade de estocagem significa mais espaço para o produtor esperar o momento certo de vender, em vez de se submeter à pressão de preços do período pós-colheita.
Armazenagem, irrigação e logística, segundo a Suno Asset, vêm ganhando peso justamente porque ajudam a elevar produtividade e reduzir risco operacional ao longo da cadeia — algo especialmente relevante num ano de safra recorde como 2026.