PPEI11 aparece como veículo de renda de longo prazo, afirma analista
O PPEI11, FIP-IE listado na B3, apresentou resultado considerado em linha no segundo trimestre de 2026. O fundo detém, por meio da Proton Energy, quatro usinas fotovoltaicas operacionais no Nordeste, com capacidade instalada de 133,3 MWp.
No segundo trimestre, o fundo registrou receita líquida de R$ 28,48 milhões, praticamente estável em relação ao mesmo período do ano anterior. O EBITDA somou R$ 22,34 milhões, com margem de 78,4%, enquanto o lucro líquido ficou em R$ 9,05 milhões, queda de 10,1% na comparação anual.
A retração do lucro ocorreu principalmente devido ao resultado financeiro. A geração de energia também recuou, afetada por um menor recurso solar no período, mas a disponibilidade operacional das usinas permaneceu entre 99,1% e 99,8%, acima da meta de 99%.
As quatro usinas são vinculadas a contratos de venda de energia realizados em leilões de reserva de 2015, com receitas indexadas ao IPCA e vencimentos entre 2037 e 2038. A estrutura faz com que o PPEI11 tenha características mais próximas de um veículo de renda contratada de longo prazo do que de um fundo voltado à expansão do portfólio.
A estrutura financeira também aparece como um dos pontos positivos. A alavancagem está em 2,7 vezes o EBITDA dos últimos 12 meses, enquanto o custo médio da dívida é de IPCA + 1,99%, com prazos alinhados aos contratos de venda de energia das usinas.
PPEI11 combina renda contratada, desconto patrimonial e isenção fiscal
Na avaliação da Eleven Financial Research, a qualidade operacional é um dos principais pontos positivos do fundo. As quatro usinas ficaram no primeiro quartil de fator de capacidade entre 848 ativos fotovoltaicos analisados no Brasil, enquanto a disponibilidade permaneceu acima da meta estabelecida.
A geração acumulada no ano contratual também está acima do volume contratado nos quatro parques. Angico e Malta apresentam geração equivalente a 112,5% do contratado, enquanto Esmeralda está em 106,6% e Sobrado, em 105,5%.
Esse excedente funciona como uma espécie de margem de segurança para o fundo, reduzindo a exposição ao mercado de curto prazo e permitindo, em determinadas circunstâncias, a cessão do volume excedente para outra usina participante do mesmo leilão ao final do período contratual.
Outro ponto destacado pela análise é a previsibilidade da receita. Como os contratos são corrigidos pelo IPCA e não dependem diretamente dos preços de energia no mercado spot, o fundo apresenta uma estrutura de geração de caixa mais previsível. Além disso, a estrutura societária é considerada simples e verticalizada, facilitando a transferência dos recursos das usinas para o fundo.
A estrutura de custos também é considerada baixa para o segmento, diz a Eleven, com taxa de administração de 0,10% ao ano e taxa de gestão de 1% ao ano, sem cobrança de taxa de performance.
O fundo também passou a realizar distribuições mensais em fevereiro de 2026, aumentando a previsibilidade dos rendimentos para os cotistas.
PPEI11 mantém tese de longo prazo, mas exige tolerância a riscos
Na conclusão, a Eleven Financial Research classifica o PPEI11 como um veículo de renda de infraestrutura maduro, com uma estrutura relativamente simples e baseada em contratos de longo prazo. As usinas possuem contratos de energia até 2037 e 2038, receitas indexadas ao IPCA e margem EBITDA superior a 78%.
A análise considera que os pontos negativos observados no segundo trimestre são, em grande medida, relacionados a fatores cíclicos, como menor recurso solar e o efeito da inflação sobre uma dívida também indexada. Na avaliação apresentada, esses fatores não representam, neste momento, uma ameaça à operação das usinas.
Na bolsa, a cota próxima de R$ 84 representa um desconto de aproximadamente 10% sobre o valor patrimonial, enquanto o fundo negocia a cerca de 6,5 vezes o EBITDA. A análise estima ainda dividend yield de 16% para 2026 e uma TIR real líquida de IPCA + 14,1%.
A isenção de Imposto de Renda sobre os rendimentos para pessoas físicas também é considerada parte importante da tese. Segundo a análise, ao fazer um gross-up de 15% para comparar o PPEI11 com ativos tributados, a TIR real esperada chegaria a IPCA + 17,1%.
Para o investidor, porém, o relatório destaca três pontos que precisam ser considerados: a baixa liquidez, a queda esperada dos dividendos entre 2027 e 2029 e a exposição ao risco regulatório relacionado ao curtailment.
Dessa forma, a análise conclui que o PPEI11 pode fazer sentido para investidores de longo prazo, dispostos a aceitar menor liquidez, oscilações na distribuição de rendimentos e os riscos regulatórios associados ao setor elétrico.