Agro brasileiro tem superávit de US$ 13,49 bi em agosto; veja impacto para SNFZ11
O agro brasileiro registrou superávit de US$ 13,49 bilhões em agosto, segundo dados do Departamento Econômico da Faesp. O resultado veio de exportações de US$ 15,18 bilhões, que avançaram 6,7% na comparação com agosto de 2025, enquanto as importações cresceram 5%, para US$ 1,68 bilhão.
O desempenho reforça a relevância do setor externo para a atividade agropecuária brasileira e ocorre em um momento de expansão da demanda por algumas das principais commodities produzidas no país. A soja em grãos permaneceu como destaque, com US$ 4,41 bilhões em exportações, alta de 14% em um ano.
Outros produtos também apresentaram crescimento expressivo nas vendas externas. As exportações de café verde avançaram 24,1%, enquanto as de celulose subiram 30,2%. O farelo de soja teve alta de 35,9% e a carne de frango in natura cresceu 39,4%.
A carne de frango também aparece como um dos destaques da comparação anual. As vendas para a China contribuíram para o avanço, em contraste com o ano anterior, quando o país asiático havia suspendido as compras brasileiras entre maio e novembro em razão da ocorrência de gripe aviária.
Para o mercado de fundos e Fiagros ligados ao agronegócio, os números ajudam a dimensionar o ambiente em que esses veículos estão inseridos. O SNFZ11, por exemplo, tem exposição direta ao mercado de terras agrícolas e vem ampliando sua carteira no Mato Grosso.
Agro: SNFZ11 amplia exposição a terras agrícolas
O SNFZ11 concluiu recentemente a aquisição de três novas propriedades rurais no Mato Grosso — Panteão, Berrante e Guaraipós. Com a operação, o fundo passou a contar com seis fazendas e três CRAs em seu portfólio.
As novas propriedades estão arrendadas para a Jequitibá Agro, mantendo a vacância física e financeira do portfólio em zero. A exposição do fundo aos imóveis rurais chegou a R$ 306,8 milhões após as aquisições.
O movimento faz parte de uma estratégia que combina a exposição à valorização das terras agrícolas com a geração de renda proveniente dos contratos de arrendamento e dos ativos de crédito do agronegócio.
Nesse sentido, o cenário positivo das exportações não representa uma receita adicional automática para o SNFZ11. A relação é indireta: uma atividade agropecuária com maior participação no comércio exterior pode contribuir para a demanda por terras produtivas e para a dinâmica econômica das regiões onde estão localizados os ativos do fundo.
O Mato Grosso, onde estão as propriedades do SNFZ11, é justamente um dos principais polos do agronegócio brasileiro. Assim, indicadores de produção, preços das commodities, exportações e demanda por áreas agrícolas são fatores que podem ser acompanhados pelos investidores para avaliar o ambiente de negócios no qual os imóveis do fundo estão inseridos.
Expansão do SNFZ11 acompanha crescimento da base de investidores
A expansão dos ativos também veio acompanhada de aumento da base de cotistas. Após a conclusão das novas aquisições e a terceira oferta pública, o SNFZ11 superou a marca de 16 mil investidores, enquanto a captação levantou R$ 51,8 milhões para financiar a expansão do portfólio.
No relatório referente a julho, antes dos dados mais recentes de agosto, o fundo registrava 15.785 cotistas e distribuição de R$ 0,10 por cota, com dividend yield anualizado de 13,69%.
A carteira passou a ter seis fazendas, com área total de 3.160 hectares, dos quais 1.060 hectares são irrigados. Os contratos de arrendamento das novas propriedades estabelecem remuneração baseada em sacas de soja por hectare, criando uma relação direta entre a exploração das terras e a produção agrícola.