SNEL11 capta R$ 1 bilhão e ganha escala para ampliar portfólio de usinas solares
O SNEL11, fundo da Suno Asset dedicado à geração distribuída de energia solar, encerrou sua quinta emissão de cotas com uma captação de R$ 1,01 bilhão.
A operação adicionou 116,37 milhões de novas cotas ao fundo, ao preço de R$ 8,65 cada, já considerando a taxa de distribuição.
A nova rodada de captação praticamente dobra o tamanho do fundo e dá à gestão maior capacidade financeira para avançar na expansão do portfólio. O plano é direcionar os recursos principalmente para a compra de usinas que já estão em funcionamento, com contratos firmados e histórico comprovado de geração de energia.
A escolha por ativos operacionais ocorre em um mercado ainda bastante fragmentado. Segundo a tese da Suno Asset, a presença de diversos pequenos operadores, combinada às dificuldades de acesso a capital em condições mais competitivas, pode abrir espaço para uma concentração maior do setor em torno de empresas e fundos com capacidade de investimento.
Para Vitor Duarte, CIO da Suno Asset, o momento também é favorável do ponto de vista dos preços. Depois da forte valorização observada nos últimos anos, os valores de usinas em operação estariam retornando para níveis mais próximos das médias históricas, tornando a aquisição de ativos existentes mais atrativa do que a construção de novos projetos neste momento.
Com a estratégia, o SNEL11 pretende acrescentar até 250 MWp à capacidade atualmente instalada, de aproximadamente 150 MWp. Caso a expansão seja integralmente executada, o fundo poderá alcançar uma capacidade próxima de 400 MWp, aumentando significativamente sua presença no segmento de geração distribuída.
Emissão do SNEL11 atrai fundos de investimento e reforça capacidade de expansão
A composição dos investidores também chama atenção. A quinta emissão contou com 424 subscritores, sendo que os fundos de investimento responderam por uma parcela relevante da demanda e subscreveram cerca de 52,7 milhões de novas cotas.
No total, foram captados R$ 1.006.640.523,55, com a integralização de 116.374.627 cotas. Embora a quantidade de cotas ofertada tenha sido reduzida em relação à previsão inicial, a operação atingiu o volume mínimo estabelecido.
O reforço de capital coloca o SNEL11 em uma posição mais confortável para avaliar oportunidades de aquisição em um segmento no qual a escala pode ser determinante. Com maior poder de fogo, a gestão pode analisar um número maior de ativos e buscar operações capazes de ampliar rapidamente a capacidade instalada.
A estratégia vem sendo construída em um fundo que já apresenta uma base relevante de investidores. O SNEL11 possui mais de 125 mil cotistas, enquanto o dividend yield acumulado em 12 meses está em 14,48%.
Desde dezembro de 2022, o retorno acumulado do fundo chega a 80,25%, segundo dados do Status Invest citados pela Suno Asset. No mesmo intervalo, o IFIX registrou valorização de 20,85%, evidenciando o desempenho histórico superior do fundo em relação ao índice.
SNEL11 prioriza ativos em operação em vez de novos projetos
A preferência por usinas já prontas representa uma mudança importante na forma de expansão. Ao comprar empreendimentos em funcionamento, o fundo busca evitar parte dos riscos e do prazo envolvidos na construção de novos projetos, além de incorporar ativos que já apresentam histórico de geração.
O movimento ocorre em um momento em que os preços dos ativos operacionais passam por uma normalização após o ciclo de valorização observado anteriormente. Para a Suno Asset, esse ajuste pode criar oportunidades para investidores com capital disponível e capacidade de realizar aquisições em escala.
A estratégia também se beneficia da fragmentação do mercado. Com operadores menores enfrentando restrições de capital, ativos podem chegar ao mercado para venda, criando oportunidades para fundos que tenham recursos para consolidar projetos e ampliar sua participação no setor.
O objetivo de adicionar até 250 MWp ao portfólio atual mostra a dimensão dessa estratégia. Se concretizado, o plano levaria a capacidade do SNEL11 para perto de 400 MWp e transformaria a quinta emissão em uma importante fonte de recursos para a próxima fase de crescimento do fundo.