PPEI11 prevê distribuir R$ 59,1 milhões em dividendos ao longo de 2026
O fundo Prisma Proton Energia (PPEI11) encerrou o segundo trimestre de 2026 com seus quatro ativos de geração solar em operação e índices de disponibilidade entre 99,1% e 99,8%, acima da meta de 99%.
O FIP-IE listado na B3 desde outubro de 2020, possui em seu portfólio quatro autorizações para exploração de ativos de geração solar, todos atualmente operacionais. A estratégia do veículo é gerar rendimentos aos cotistas por meio dos dividendos recebidos das empresas investidas, respeitando a disponibilidade de caixa e as políticas de distribuição de cada ativo.
Desde fevereiro deste ano, o PPEI11 passou a realizar distribuições mensais de dividendos, substituindo o modelo anterior, que previa pagamentos semestrais. Para 2026, a projeção da gestora é distribuir R$ 13,40 por cota da Classe A, o que corresponde a um montante estimado de R$ 59,1 milhões.
Apesar da mudança na periodicidade, a expectativa anual de distribuição foi mantida. O novo calendário prevê 12 pagamentos ordinários, realizados ao final de cada mês, além da possibilidade de uma distribuição extraordinária junto aos dividendos de dezembro caso seja identificado excesso de caixa.
No desempenho operacional, os quatro parques apresentaram produção consolidada de 27,3 MW médios no segundo trimestre, uma queda de 4,5% em relação ao mesmo período de 2025. Segundo o fundo, a redução ocorreu principalmente em razão da menor incidência de recurso solar nos parques durante o trimestre.
Receita do PPEI11 fica praticamente estável apesar de menor geração
Mesmo com a queda no volume produzido, a receita líquida consolidada ficou em R$ 28,48 milhões no segundo trimestre, praticamente estável em relação aos R$ 28,44 milhões registrados um ano antes. O resultado foi sustentado principalmente pelo reajuste dos contratos de venda de energia pela inflação.
De acordo com o fundo, o reajuste pelo IPCA dos preços previstos nos PPAs acrescentou R$ 1,32 milhão à receita no período. Em sentido contrário, a menor geração provocou impacto negativo de R$ 1,28 milhão, praticamente anulando o efeito positivo do reajuste.
No acumulado dos anos contratuais, porém, a geração dos quatro parques permanece acima dos volumes contratados. Eventuais excedentes ao final de cada ano contratual podem ser cedidos a outra usina participante do mesmo leilão, mediante negociação bilateral de preço.
Os custos e despesas tiveram alta de 2% no segundo trimestre em comparação com o mesmo período do ano anterior. A gestora atribuiu o avanço a um efeito de competência observado no trimestre e afirmou que não se trata de uma mudança estrutural na estrutura de custos.
No acumulado de 2026, o crescimento das despesas permanece abaixo da inflação do período, segundo os dados apresentados pelo fundo.
Juros sobre dívida seguem como principal despesa financeira
As despesas financeiras também pesaram sobre o resultado do trimestre. Os gastos com juros somaram R$ 7,86 milhões entre abril e junho, dos quais R$ 6,63 milhões foram relacionados aos encargos do financiamento contratado junto ao BNB.
Outros R$ 1,23 milhão corresponderam aos juros das debêntures de infraestrutura emitidas pela holding. A estrutura de financiamento, portanto, continua representando uma parcela relevante das despesas financeiras do veículo.
Outro ponto de atenção para o fundo é o chamado curtailment, mecanismo que pode resultar em restrições temporárias à geração de energia em determinadas condições do sistema elétrico. Em novembro de 2025, a ANEEL deliberou pela adoção de um Plano Emergencial de Gestão de Excedentes de Energia na Rede de Distribuição.
Entre os quatro ativos do PPEI11, duas usinas podem ser afetadas pelo mecanismo: UFV Esmeralda e UFV Sobrado. Ainda não é possível estimar eventuais impactos financeiros, uma vez que eles dependerão de fatores como volume de energia restringido, critérios de rateio e possíveis mecanismos de ressarcimento.
Em junho, a UFV Esmeralda foi parcialmente afetada por uma restrição de escoamento durante quatro horas. A estimativa foi de corte de 2,73 MWh, com impacto financeiro de aproximadamente R$ 1,3 mil, considerado imaterial pelo fundo. Foi o primeiro episódio de curtailment registrado em um ativo do PPEI11.
Fundo mantém projeção de R$ 13,40 por cota em 2026
Apesar das oscilações na geração e dos efeitos financeiros observados no trimestre, o PPEI11 manteve sua projeção de distribuição para o ano. A expectativa permanece em R$ 13,40 por cota da Classe A, equivalente a um total estimado de R$ 59,1 milhões.
A mudança para pagamentos mensais busca dar maior previsibilidade à distribuição aos investidores, embora o fundo ressalte que a geração de caixa pode variar de um mês para outro. Por isso, além das 12 distribuições ordinárias, foi prevista a possibilidade de um pagamento extraordinário em dezembro.
O desempenho operacional dos parques também permanece como um fator importante para a capacidade de geração de caixa. Mesmo com a menor produção no segundo trimestre, os quatro ativos seguem acima dos volumes contratados no acumulado dos respectivos anos contratuais.