Setor solar mira 18 GW até 2030; expansão pode favorecer estratégia do SNEL11
O avanço da energia solar no Brasil colocou um novo desafio para o setor elétrico: apesar do aumento da capacidade instalada, parte da eletricidade produzida não consegue ser aproveitada integralmente. O cenário reforça a necessidade de investimentos em armazenamento e em novas formas de absorção da energia gerada.
É nesse contexto que a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) apresentou uma agenda com propostas para o governo federal que assumirá em 2027. Entre as medidas defendidas estão leilões anuais para sistemas de armazenamento, a contratação de pelo menos 8 gigawatts (GW) em baterias e a instalação de outros 18 GW de grandes usinas solares até 2030.
Para o SNEL11, fundo imobiliário voltado a ativos de geração de energia solar, a expansão do setor representa um mercado potencial para novos investimentos. A maior necessidade de infraestrutura para geração, armazenamento e integração da energia renovável pode ampliar o espaço para ativos operacionais e projetos capazes de atender ao crescimento da demanda.
A agenda da Absolar também busca aproximar o aumento da oferta de eletricidade da criação de novas cargas consumidoras. Entre os segmentos citados estão data centers, projetos de hidrogênio verde e indústrias eletrointensivas, que demandam grandes volumes de energia e podem ajudar a absorver parte da geração renovável disponível.
A entidade dividiu suas propostas em três frentes: Bateria Brasil, Energia que Emprega e Sol para Todos. Além dos investimentos em armazenamento e grandes usinas, a Absolar defende levar a energia solar a 3 milhões de unidades consumidoras até o fim da década.
Baterias podem reduzir desperdício de energia solar
O movimento ocorre enquanto a fonte fotovoltaica amplia sua participação na matriz elétrica brasileira, ao mesmo tempo em que aumentam os episódios de cortes de geração renovável.
A necessidade de armazenar a eletricidade produzida em momentos de maior oferta surge, portanto, como um dos principais desafios para a próxima etapa de crescimento do setor.
A energia solar alcançou cerca de 68 GW de capacidade instalada operacional em 2026, tornando-se a segunda maior fonte da matriz elétrica brasileira, atrás apenas da hidrelétrica. A participação da fonte corresponde a aproximadamente 23% a 25% da capacidade instalada do país.
Na frente Bateria Brasil, a Absolar propõe a realização de leilões anuais de capacidade com neutralidade tecnológica. O modelo permitiria que diferentes tecnologias disputassem contratos para fornecer ao sistema a disponibilidade necessária nos momentos de maior demanda ou menor oferta.
A associação também defende a contratação de pelo menos 8 GW de sistemas de armazenamento, além da ampliação do uso de baterias integradas a usinas solares e a sistemas de geração própria, tanto novos quanto já instalados.
SNEL11 avança para 125 mil cotistas após triplicar base em um ano
O FII SNEL11 alcançou a marca de 125 mil cotistas, reforçando o crescimento da base de investidores ao longo do último ano.
Há 12 meses, o fundo contava com 37.520 investidores. Desde então, o número avançou para 125 mil, um crescimento de aproximadamente 233,5% — ou seja, a base de cotistas mais do que triplicou no período.
O avanço significa a entrada de cerca de 87,5 mil novos investidores no fundo em um intervalo de 12 meses. O movimento ocorre em meio à expansão do interesse por ativos ligados ao setor de energia e por veículos que oferecem exposição à geração de renda no segmento.