CCME11 vê carteira de CRIs render até IPCA + 15,8% com desconto da cota
O fundo imobiliário (FII) CCME11 destacou o potencial de sua carteira de crédito diante do desconto pelo qual suas cotas são negociadas no mercado secundário. Segundo a gestão, considerando o preço de mercado do fundo e não apenas seu valor patrimonial, os CRIs da carteira apresentam taxas implícitas de CDI + 12,5% ao ano e IPCA + 15,8% ao ano, já descontadas as taxas de gestão e administração.
Pelo valor patrimonial, as taxas médias dos títulos são de CDI + 2,6% ao ano e IPCA + 9,8% ao ano. A diferença ocorre porque a cota do CCME11 é negociada com desconto em relação ao valor patrimonial, aumentando, na visão da gestão, a remuneração implícita dos ativos de crédito para quem compra as cotas no mercado secundário.
O movimento ocorre enquanto o fundo mantém uma parcela relevante de resultados acumulados. Em julho, o CCME11 registrou resultado de R$ 6,8 milhões, equivalente a R$ 0,101 por cota. Em 17 de agosto, foram distribuídos R$ 0,086 por cota, mantendo uma reserva de resultados não distribuídos de R$ 8,1 milhões, ou R$ 0,12 por cota.
O resultado de julho foi beneficiado pelo pagamento trimestral de juros de parte dos CRIs que compõem a carteira. Segundo a gestão, a distribuição realizada está dentro do intervalo previsto no guidance de rendimentos para o terceiro trimestre de 2026 e alinhada aos resultados recorrentes do fundo.
Na carteira de crédito, o CCME11 também realizou novas alocações. Foram investidos R$ 30 milhões em dois CRIs, sendo R$ 20 milhões no CRI Vista Faria Lima, com remuneração de IPCA + 9,48% ao ano, e R$ 10 milhões no CRI Almeida Junior, a CDI + 1,25% ao ano.
As operações foram adquiridas no mercado secundário e, de acordo com a gestão, apresentavam remunerações superiores às taxas de emissão e perfil considerado high grade.
O fundo informou ainda que pretende realizar uma nova aquisição de perfil defensivo em agosto e investir, em setembro, em duas operações originadas ou estruturadas pela própria Canuma.
FII CCME11: ativos imobiliários apresentão evolução operacional
Além da carteira de crédito, os ativos imobiliários apresentaram evolução operacional no período. O Kasa Vila Olímpia, residencial com 243 apartamentos voltados à locação de média duração, encerrou julho com ocupação de 71%, alta de quatro pontos percentuais em relação a junho. A gestão projeta que o indicador chegue a 79% em agosto.
O aluguel médio atingiu R$ 111 por metro quadrado, alta de 24% desde o início da gestão, em 2023. Já o prazo médio dos contratos assinados em julho foi de 16 meses, acima dos 14,8 meses registrados em 2025.
No Shopping Jardim Sul, as vendas totais cresceram 0,8% em junho na comparação anual, enquanto o NOI avançou 34%. No acumulado do primeiro semestre, as vendas apresentaram alta de 11%. A ocupação do empreendimento chegou a 98,3%.
O fundo também anunciou em agosto um acordo preliminar para a venda de uma fração ideal de 10% do Shopping Jardim Sul por R$ 67 milhões. O valor corresponde a um cap rate de 7,8%, considerando os 12 meses encerrados em maio, e está 8,1% acima do último laudo de avaliação. A transação ainda depende do cumprimento das condições precedentes e da assinatura dos documentos definitivos.
Carteira de FIIs
Em julho, a carteira de FIIs do CCME11 era composta por oito ativos e registrou queda de 0,25%, ante recuo de 0,32% do IFIX.
Desde o início das alocações, entre junho de 2022 e julho de 2026, a carteira acumula valorização de 52,9%, enquanto o IFIX avançou 35,5% no mesmo intervalo, segundo dados apresentados pela gestão.
O fundo afirma que continua avaliando oportunidades de alocação diante da queda observada nos preços de diversos FIIs nos últimos meses.