Fiagros da AZ Quest mantêm carteira próxima de CDI + 3% e focam em diversificação
Os fiagros AAZQ11 e AZQA11 fecharam o primeiro trimestre de 2026 praticamente 100% alocados, em um período ainda marcado por pressão sobre algumas cadeias do agronegócio brasileiro.
Segundo a equipe da AZ Quest, os fundos mantiveram patrimônio com retorno próximo a CDI + 3% e uma carteira considerada amplamente diversificada.
De acordo com Maria Tereza, integrante da equipe de agro da gestora, a estratégia dos fundos segue concentrada na pulverização do risco entre diferentes cadeias produtivas e empresas do setor. Segundo ela, a maior parte das posições representa entre 1% e 3% do patrimônio sob gestão, reduzindo concentração relevante em ativos específicos.
A executiva ponderou que o agronegócio não pode ser analisado como um único segmento, já que diferentes cadeias atravessam ciclos distintos de preços, margens e demanda. “Temos soja, café, proteína animal, milho, cana-de-açúcar, arroz e muitas outras cadeias, além de empresas ligadas a insumos, logística, armazenagem e serviços”, afirma.
Segundo a AZ Quest, mesmo em um cenário de juros elevados, inflação e impactos logísticos globais, parte relevante das empresas acompanhadas pela gestora segue apresentando capacidade de adaptação operacional e financeira. O setor de café foi citado como exemplo de cadeia que atravessa atualmente um ciclo mais positivo, após anos anteriores mais pressionados.
A equipe também ressaltou que algumas empresas ligadas à produção de grãos continuam enfrentando desafios relacionados a custos de insumos, juros elevados e fatores climáticos. Ainda assim, segundo a gestora, diversas companhias conseguiram ajustar alavancagem, reduzir custos e manter operações funcionando de forma saudável.
Fiagros: AZ Quest foca em monitoramento e diversificação no agro
Segundo a gestora, o atual momento do setor exige acompanhamento mais próximo das empresas investidas, além de maior atenção à estrutura de crédito e às garantias das operações.
Maria Tereza afirma que o trabalho da equipe envolve originação própria de ativos, análise de crédito, monitoramento operacional das empresas e revisão constante das estruturas financeiras das operações. “Quanto mais complexo e desafiador o momento, mais acompanhamento e relacionamento próximo precisamos ter com as empresas”, destaca.
A AZ Quest também informou que, em determinados casos, vem revisando estruturas para adequar fluxo de pagamento dos devedores e, ao mesmo tempo, reforçar garantias e mecanismos de proteção patrimonial dos fundos.
Na avaliação da gestora, apesar do cenário macroeconômico ainda desafiador para algumas cadeias, o agronegócio brasileiro segue apresentando fundamentos estruturais relevantes e histórico de resiliência em ciclos adversos.
Lucro contábil do fiagro AAZQ11 cresce 21% em relação a fevereiro
O resultado do AAZQ11 apurado em março foi de R$ 2,77 milhões, alta de 21% frente aos R$ 2,28 milhões registrados em fevereiro. O lucro contábil por cota subiu de R$ 0,0948 para R$ 0,1153 no período.
Vale notar que, a partir de abril de 2025, o fundo passou a adotar o regime de competência para apuração de resultados, por determinação da CVM, o que torna os números comparáveis dentro dessa nova metodologia.
Carteira está praticamente toda alocada no agronegócio
O AAZQ11 encerrou março com cerca de 99% do patrimônio líquido alocado em ativos do agronegócio. A maior fatia está em CRAs (67,7%), seguida de Fiagros de direitos creditórios (26,8%). A taxa ponderada de carrego dos ativos ficou em 3,81%, com retorno líquido da carteira de CDI+2,60% ao ano.
No mês, a gestão ampliou a exposição no Fiagro Toagro em aproximadamente R$ 3 milhões, a uma taxa de CDI+5,00% ao ano — operação que representa 1,37% do patrimônio líquido do fundo. O movimento faz parte da estratégia de substituição de posições com menor retorno por ativos com prêmios mais elevados.
A gestora sinalizou novos investimentos para os próximos meses, em ativos-alvo em fase de estruturação, com foco em recomposição de posições amortizadas e substituição de operações alocadas em mercado secundário com retorno próximo ou abaixo do CDI.