Fiagros chegam a 1,2 milhão de investidores; SNAG11 e SNFZ11 ampliam base de cotistas
O mercado de Fiagros completou cinco anos em agosto com uma característica que chama atenção: o número de investidores cresceu em ritmo muito mais acelerado do que o patrimônio concentrado nas mãos do público de varejo. Em julho, o segmento somava R$ 65,8 bilhões em patrimônio líquido e mais de 1,2 milhão de contas de cotistas, segundo levantamento da Oliveira Trust com dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
A fotografia do mercado mostra, porém, uma forte diferença entre quantidade de investidores e volume de recursos. Embora 92,4% das contas estejam em classes destinadas ao público geral, elas representam apenas 28,9% do patrimônio, cerca de R$ 19 bilhões.
Na outra ponta, investidores qualificados e profissionais correspondiam a apenas 7,6% das contas, mas concentravam 71,1% dos recursos, ou aproximadamente R$ 47 bilhões. Os números mostram que a popularização dos Fiagros ainda não significa uma distribuição proporcional do patrimônio entre os diferentes perfis de investidores.
É nesse processo de ampliação da base que fundos como SNAG11 e SNFZ11 ganham destaque. Os dois veículos vêm registrando crescimento no número de cotistas e representam diferentes formas de acesso do investidor pessoa física à cadeia do agronegócio.
O SNAG11, por exemplo, encerrou julho com 138.652 cotistas, alta de 1.909 investidores em relação ao mês anterior. O fundo possui uma estratégia híbrida, com exposição a CRAs, cotas de fundos e imóveis rurais, e fechou o mês com patrimônio líquido de aproximadamente R$ 911,45 milhões.
SNAG11 e SNFZ11 mostram como o investidor pessoa física vem chegando ao agro
O avanço também aparece no SNFZ11. O fundo passou de 15.221 para 15.785 cotistas em julho, enquanto ampliou sua exposição a propriedades rurais após concluir a aquisição de três novas fazendas no Mato Grosso.
No caso do SNFZ11, a estratégia oferece ao investidor uma exposição diferente daquela encontrada no SNAG11. O fundo combina propriedades rurais e ativos de crédito, e chegou a seis fazendas e três CRAs após as novas aquisições realizadas em julho.
O crescimento das bases dos dois fundos ocorre, portanto, em um momento em que o mercado de Fiagros passa a alcançar uma quantidade cada vez maior de investidores. A expansão do número de cotistas não significa, por si só, melhora de desempenho ou redução de risco, mas indica que o instrumento ganhou espaço entre investidores que buscam exposição ao agronegócio por meio do mercado de capitais.
No SNAG11, a expansão da base vem acompanhada de uma carteira pulverizada entre 13 ativos e 264 devedores, com inadimplência zerada no fechamento de julho. O fundo distribuiu R$ 0,12 por cota no mês e apresentou remuneração média da carteira de CDI + 2,66%.
No SNFZ11, a expansão do número de cotistas também ocorreu paralelamente à transformação do portfólio. As seis fazendas passaram a representar uma parcela relevante da estratégia, todas arrendadas à Jequitibá Agro, com vacância física e financeira zeradas.
Fiagros: mais investidores, mas patrimônio ainda concentrado
A diferença entre número de contas e patrimônio ajuda a explicar o momento atual do mercado. Os Fiagros já alcançaram uma escala relevante entre investidores de varejo, mas grande parte do dinheiro ainda está concentrada em investidores qualificados e profissionais.
Esse cenário cria espaço para uma possível mudança na composição do mercado à medida que mais investidores de varejo conhecem os veículos e passam a utilizá-los como forma de exposição ao agronegócio.
SNAG11 e SNFZ11 ilustram esse movimento em escalas diferentes. Enquanto o primeiro já reúne quase 139 mil cotistas, o segundo se aproxima da marca de 16 mil investidores, mostrando que diferentes estratégias dentro do universo dos Fiagros vêm conquistando espaço entre pessoas físicas.
A expansão também acontece em um ambiente de maior relevância do agronegócio para a economia brasileira. Para o SNAG11, por exemplo, a tese está diretamente relacionada ao financiamento da cadeia produtiva, enquanto o SNFZ11 busca exposição a propriedades rurais e à geração de renda associada à atividade agrícola.