Fiagros têm deságio médio de 23% e yield de 15,6% ao ano; cenário abre oportunidades
Os Fiagros atravessam uma fase marcada por cotações mais baixas na Bolsa, ao mesmo tempo em que o dividend yield permanece elevado e surgem novas oportunidades no crédito. Levantamento da Éxes Investimentos, que avaliou 28 Fiagros de crédito, aponta que essas carteiras são negociadas, em média, por cerca de 77% do valor de seus ativos, o que equivale a um deságio médio de 23%. No agregado, o dividend yield do grupo está ao redor de 15,6% ao ano.
O deságio aprofunda a distância entre o preço das cotas no pregão e o valor patrimonial reportado pelos fundos. Essa diferença pode abrir espaço para oportunidades quando os riscos já se encontram refletidos nas cotações, mas requer examinar, de forma individual, a qualidade dos ativos detidos, o perfil de cada devedor e o conjunto de garantias que amparam as operações de crédito.
Esse movimento acontece em uma indústria que ganhou escala e profundidade. Em julho, os Fiagros somavam R$ 65,8 bilhões em patrimônio líquido e mais de 1,2 milhão de contas de cotistas, segundo levantamento da Oliveira Trust com dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), indicando maior base de investidores e maior volume de recursos alocados no segmento.
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Crédito restrito nos fiagros cria oportunidades
As oportunidades não se restringem ao mercado secundário. O aumento da inadimplência e das recuperações judiciais, combinado aos juros elevados, tornou a concessão de crédito ao agronegócio mais seletiva, reduzindo a oferta disponível. Com esse filtro mais rígido, novas operações tendem a ser negociadas com maior cuidado em relação a taxa, prazos e garantias exigidas.
Com menor oferta de financiamento, gestores com recursos disponíveis podem buscar novas operações com taxas mais altas e garantias reforçadas. Entre as estruturas observadas nesse ambiente estão garantias imobiliárias superiores ao crédito concedido, recebíveis adicionais e operações que envolvem imóveis rurais, ampliando a cobertura e a proteção contratual frente a potenciais eventos de crédito.
Esse cenário não elimina o risco de inadimplência, mas pode melhorar as condições pactuadas por quem concede novos financiamentos. A avaliação passa por relacionar a taxa cobrada à qualidade do tomador e ao nível de proteção oferecido pela operação, ponderando a suficiência das garantias.
Dividendos dos fiagros seguem elevados
Os pagamentos mais recentes também ilustram o nível de renda do segmento. Entre 12 Fiagros que anunciaram dividendos para setembro, nove registraram dividend yield mensal superior a 1%, com percentuais entre 0,57% e 1,77%.
Os rendimentos passados não garantem pagamentos futuros. Ainda assim, a combinação de deságio nas cotas, dividend yields elevados e condições mais favoráveis para a concessão de novas operações de crédito ajuda a explicar por que o momento chama atenção para os Fiagros, tanto pelo preço quanto pela renda corrente observada.
O ponto central está na seleção. Nem todo desconto se traduz em oportunidade, mas cotações abaixo do valor patrimonial podem abrir espaço para identificar carteiras em que a relação entre preço, renda e risco se mostre mais favorável. Por isso, dividend yield, qualidade dos devedores, garantias, concentração e eventos de crédito precisam ser analisados em conjunto e com consistência.
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