Fundo imobiliário vende conjunto no prédio do Google e BTG por R$ 26,7 mi

Fundo imobiliário vende conjunto no prédio do Google e BTG por R$ 26,7 mi
Fundo imobiliário vende conjunto no "prédio do Google" e do BTG por R$ 26,7 milhões (Foto: Edifício Pátio Victor Malzoni/BTG Pactual/Reprodução)

O fundo imobiliário BLCA11 (Catuaí VBI Triple A) anunciou a venda do conjunto 183 do Edifício Pátio Victor Malzoni, um dos empreendimentos corporativos mais emblemáticos da Avenida Faria Lima, em São Paulo.

Segundo fato relevante divulgado ao mercado, a transação foi formalizada em escritura pública assinada em 28 de maio e envolve uma área de 411,26 metros quadrados, além do direito de uso de 12 vagas de garagem. O imóvel foi vendido por R$ 26,73 milhões, valor equivalente a R$ 65 mil por metro quadrado. O montante representa um prêmio de 10,28% em relação ao laudo de avaliação realizado em 2025.

A operação gerou ao BLCA11 um lucro em regime de caixa de R$ 4,6 milhões, equivalente a R$ 2,86 por cota. O fundo imobiliário estimou impacto líquido negativo de R$ 0,03 por cota na distribuição mensal recorrente. Do valor recebido com a negociação, um total de R$ 17,6 milhões será destinado à amortização antecipada facultativa e parcial do saldo de CRI da 329ª série da 4ª emissão da Virgo.

A operação reforça o movimento de reciclagem de portfólio realizado por diversos fundos imobiliários de escritórios nos últimos anos. Nesse tipo de estratégia, ativos ou participações são vendidos para geração de caixa, realização de ganhos e eventual redirecionamento de recursos para novas oportunidades de investimento.

O comunicado divulgado pelo fundo imobiliário informa que o pagamento será realizado à vista e em moeda corrente nacional. A gestão também destacou que a venda envolve uma fração específica do empreendimento e não altera a continuidade das operações do edifício, um dos mais valorizados do mercado corporativo brasileiro.

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Endereço corporativo disputado

Mais do que uma simples venda imobiliária, a transação chama atenção pelo ativo envolvido. O Pátio Victor Malzoni é considerado um dos edifícios corporativos mais conhecidos do país e se tornou um símbolo da transformação da Avenida Faria Lima no principal centro financeiro do Brasil.

Inaugurado em 2012, o empreendimento foi concebido para combinar arquitetura contemporânea, tecnologia e preservação histórica. O projeto manteve no terreno uma Casa Bandeirista do século XVIII, que passou a ocupar posição de destaque no complexo. Duas torres corporativas foram construídas ao redor do imóvel histórico e conectadas por um grande pórtico de aproximadamente 30 metros de altura e 45 metros de largura, característica que tornou o edifício um marco visual da região.

Com cerca de 20 andares e seis níveis de subsolo, o Pátio Victor Malzoni possui algumas das maiores lajes corporativas de São Paulo, com aproximadamente 5 mil metros quadrados por pavimento. O empreendimento é classificado como Triple A, categoria reservada aos imóveis que apresentam os mais elevados padrões construtivos, tecnológicos e operacionais do mercado de escritórios.

Além disso, o edifício recebeu certificação LEED Core & Shell Prata, concedida pelo U.S. Green Building Council, reconhecimento voltado a empreendimentos desenvolvidos com foco em sustentabilidade, eficiência energética e uso racional de recursos.

Sede do BTG Pactual e do Google

O prédio também se tornou conhecido por abrigar algumas das empresas mais relevantes do mercado brasileiro. Entre seus ocupantes estão o BTG Pactual e o Google, que transformaram o endereço em uma das localizações corporativas mais desejadas do país.

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Nos últimos anos, o Pátio Victor Malzoni também ganhou espaço no noticiário além do mercado imobiliário. O edifício apareceu em reportagens relacionadas ao Banco Master e a investigações envolvendo empresas citadas em apurações sobre lavagem de dinheiro, ampliando sua exposição pública.

Essa combinação de localização, arquitetura diferenciada, padrão construtivo e perfil dos ocupantes ajuda a explicar por que negociações envolvendo o empreendimento costumam ser acompanhadas de perto por investidores, gestores e participantes do mercado imobiliário.

Histórico de valorização

O Pátio Victor Malzoni vem registrando transações relevantes nos últimos anos. O próprio BLCA11 possui histórico de movimentações dentro do edifício. Em 2023, o fundo anunciou a venda de uma unidade localizada no 11º andar do empreendimento por cerca de R$ 96,2 milhões, em operação realizada acima do valor de avaliação do imóvel.

A nova venda anunciada em 2026 segue essa mesma tendência de negociações realizadas em níveis de preço superiores aos laudos de avaliação, refletindo o posicionamento do edifício entre os ativos corporativos mais valorizados da cidade.

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No fato relevante, a gestão do BLCA11 destacou que o conjunto comercial foi vendido por valor superior ao laudo de avaliação vigente, reforçando a precificação obtida na transação e a liquidez do ativo localizado em um dos endereços mais disputados da Faria Lima.

Banco Master e PCC

Além da relevância imobiliária e corporativa, o Pátio Victor Malzoni voltou ao noticiário nacional nos últimos meses por ter sido citado em reportagens relacionadas ao Banco Master e a investigações sobre supostos esquemas de lavagem de dinheiro atribuídos ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Reportagem publicada pelo ICL Notícias apontou que o 11º andar da Torre A do edifício aparece em documentos oficiais como endereço vinculado simultaneamente ao Banco Master e à Trustee DTVM, empresa mencionada em investigações conduzidas pela Polícia Federal. Segundo a publicação, a gestora prestava serviços ao banco e também foi citada em apurações envolvendo estruturas financeiras investigadas por suspeitas de lavagem de recursos ligados à facção criminosa.

O episódio levou o nome do Pátio Victor Malzoni para além das páginas de economia e mercado imobiliário. É importante destacar, contudo, que as reportagens tratam de empresas que utilizaram endereços no edifício e não apontam qualquer envolvimento do empreendimento imobiliário nas investigações.

A exposição pública reforçou ainda mais a notoriedade do edifício, que já figurava entre os endereços corporativos mais conhecidos do país por abrigar a sede do BTG Pactual e operações do Google no Brasil. Nos últimos anos, o imóvel também esteve no centro de negociações bilionárias envolvendo fundos imobiliários, bancos e investidores institucionais.

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foto: Marcelo Monteiro
Marcelo Monteiro

Formado pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), em 1996, Marcelo Monteiro tem três décadas de carreira como jornalista. No currículo, inclui passagens e colaborações em veículos como Zero Hora, Correio Braziliense, Valor Econômico, InfoMoney, Gazeta Mercantil, Placar, Diário Catarinense, Fut!, Hoje em Dia e Diário de S.Paulo. É autor dos livros "U-507 - O submarino que afundou o Brasil na Segunda Guerra Mundial" (2012) e "U-93 - A entrada do Brasil na Primeira Guerra Mundial" (2014). Dirigiu os documentários "Delírios - Filosofia e reflexão no túnel da morte" (2021) e "Além do Limite - Quando a meta é sobreviver" (2022)

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