SNEL11 ganha impulso com reajustes tarifários aprovados pela Aneel; entenda
Os reajustes tarifários aprovados recentemente pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) podem reforçar a geração de receita de ativos presentes na carteira do SNEL11. Segundo a gestão do fundo, o principal destaque do período foi a aprovação de revisões tarifárias em diversas distribuidoras às quais o portfólio possui exposição.
Entre as concessionárias impactadas estão Enel Ceará, Energisa Mato Grosso do Sul, Energisa Mato Grosso, Neoenergia Coelba e Neoenergia Pernambuco. Considerando os reajustes aprovados, o impacto consolidado foi de uma alta média de 7,4% nas tarifas cobradas dos consumidores de baixa tensão.
Além disso, a Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição para geração distribuída (TUSD G), componente relevante para projetos solares, registrou aumento médio de 1,9%. Para o fundo, a atualização dos valores tende a contribuir para o crescimento das receitas operacionais ao longo dos próximos meses.
A relevância dos reajustes ocorre em um momento em que o setor elétrico brasileiro enfrenta discussões sobre o aumento estrutural dos custos de energia. Um levantamento divulgado pela Frente Nacional dos Consumidores de Energia (FNCE) estima que medidas aprovadas pelos poderes Executivo e Legislativo entre 2023 e 2026 poderão gerar cerca de R$ 985 bilhões em custos adicionais para os consumidores até 2050.
Segundo a entidade, os impactos decorrem de leis, medidas provisórias, leilões de energia, acordos setoriais e outros encargos que deverão ser incorporados gradualmente às tarifas de energia elétrica pagas por residências, empresas e indústrias.
Bandeira amarela e menor oferta de novos projetos podem beneficiar ativos do SNEL11
O cenário tarifário ganhou um novo capítulo após a Aneel confirmar a manutenção da bandeira tarifária amarela para junho. Com isso, os consumidores seguem pagando uma cobrança adicional de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos, refletindo condições menos favoráveis para a geração de energia devido à redução das chuvas em diversas regiões do país.
Na avaliação da gestão do SNEL11, outro fator relevante para o mercado é a desaceleração observada no segmento de geração distribuída desde 2025. O movimento está relacionado à perda de atratividade econômica dos projetos enquadrados nas modalidades GD II e GD III, criadas após a entrada em vigor da Lei 14.300.
Com a incidência de encargos sobre a energia injetada na rede, a oferta de novos projetos passou a crescer em ritmo menor. Já os ativos enquadrados nas regras anteriores, caso dos empreendimentos presentes na carteira do SNEL11, tornaram-se mais escassos no mercado.
Para a gestão, essa dinâmica tende a favorecer os ativos já instalados e operacionais, uma vez que a menor oferta pode fortalecer o poder de negociação dos contratos de locação e contribuir para reajustes de preços no médio prazo.
Guidance do SNEL11
Diante desse cenário, o fundo manteve a projeção de distribuir entre R$ 0,10 e R$ 0,11 por cota nos próximos três meses.