SNAG11 aposta em armazenagem e irrigação enquanto produtores buscam mais investimentos
O déficit de armazenagem de grãos no Brasil voltou ao centro das discussões do agronegócio, com produtores defendendo a criação de uma política de financiamento de longo prazo para a construção de silos, armazéns e sistemas de irrigação. A proposta é separar esses investimentos das linhas tradicionais do Plano Safra e dar mais previsibilidade para a expansão da infraestrutura no campo.
A discussão ganhou força após Paulo Bertolini, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho), defender um programa plurianual para financiar os investimentos. Na avaliação do executivo, o calendário atual do crédito rural não permite que novas estruturas sejam construídas a tempo de atender a próxima safra.
O problema é agravado pelo ritmo diferente entre o crescimento da produção e a expansão da capacidade de armazenagem. Segundo Bertolini, o Brasil acrescentou cerca de 17 milhões de toneladas anuais à produção de grãos na última década, enquanto a capacidade dos armazéns cresceu entre 5 milhões e 6 milhões de toneladas por ano.
Com isso, o déficit de armazenagem já supera 130 milhões de toneladas, criando um gargalo para produtores que precisam decidir quando comercializar sua produção. A falta de espaço também pode elevar custos logísticos e reduzir a capacidade de o agricultor esperar por momentos mais favoráveis de preço.
Fiagro SNAG11 já direcionou recursos para irrigação e armazenagem
O debate sobre a necessidade de ampliar a infraestrutura rural encontra paralelo na estratégia recente do SNAG11, Fiagro da Suno Asset. Após sua quinta emissão de cotas, que levantou aproximadamente R$ 300 milhões, o fundo direcionou parte relevante dos recursos justamente para os segmentos de irrigação e armazenagem.
Cerca de R$ 200 milhões foram destinados ao Fiagro-FIDC Irriga Brasil, enquanto aproximadamente R$ 60 milhões foram investidos em cotas do PLAG11, fundo voltado à logística para o agronegócio. Com as novas alocações, irrigação passou a representar 22,7% do patrimônio do SNAG11 e armazenagem, cerca de 6,3%.
A escolha da irrigação está relacionada não apenas ao aumento da produtividade, mas também à redução da exposição do produtor às condições climáticas. Segundo a gestão do SNAG11, sistemas de irrigação podem funcionar como uma espécie de proteção contra a irregularidade das chuvas e, em determinadas regiões, permitir até três ciclos produtivos no mesmo ano.
Na armazenagem, a tese está diretamente ligada ao gargalo enfrentado pelo setor. A ampliação da infraestrutura permite que parte da produção permaneça estocada nas propriedades ou em estruturas próximas, reduzindo a dependência de vendas imediatas durante períodos de maior oferta.
O movimento mostra que os dois segmentos tratados pelos produtores como estratégicos para o desenvolvimento do agronegócio já fazem parte da estratégia de alocação do SNAG11. Ao todo, o fundo passou a ter 11 ativos e exposição a 264 devedores, mantendo uma carteira diversificada dentro da cadeia agropecuária.
Falta de silos também representa perda econômica para produtores
A dimensão do problema não está apenas na falta de espaço físico para guardar os grãos. A ausência de armazenagem na propriedade pode obrigar o produtor a vender sua produção em momentos de maior oferta, além de aumentar custos de transporte e exposição a gargalos logísticos.
Segundo Fabrício Rosa, diretor-executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), cálculos da entidade apontam perdas de aproximadamente 10% da produção de soja e milho em razão da insuficiência de armazenagem nas propriedades.
No caso do SNAG11, a estratégia de alocação em irrigação e armazenagem ocorre justamente em um cenário em que o acesso a capital de longo prazo é apontado como um dos principais obstáculos para a expansão da infraestrutura rural.
A gestão do fundo afirma enxergar “longa estrada de crescimento” nos dois segmentos e considera a irrigação especialmente relevante diante da necessidade de elevar a produtividade e reduzir a imprevisibilidade climática.