Brasil vai produzir mais de 34 mi de ton de carne — e isso pode mexer com milho, soja e SNAG11
A produção brasileira de carnes bovina, suína e de aves deve alcançar 34,08 milhões de toneladas em 2026 e avançar para 34,26 milhões de toneladas em 2027, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O crescimento projetado para o setor tende a ampliar a demanda por milho e farelo de soja utilizados na alimentação animal, criando novas necessidades de financiamento ao longo da cadeia do agronegócio — segmento no qual está inserido o SNAG11.
A expansão esperada da proteína animal ocorre em um mercado no qual aves e suínos ganham participação na produção nacional. Como essas atividades dependem fortemente de rações à base de grãos, o avanço da produção coloca maior pressão sobre a disponibilidade de matérias-primas utilizadas na alimentação.
O milho ocupa posição central nessa dinâmica. Além do consumo pelas cadeias de aves, suínos e bovinos confinados, o cereal também vem sendo direcionado para a produção de etanol, criando diferentes frentes de demanda para a mesma commodity.
A soja também participa desse ciclo por meio do farelo, um dos principais ingredientes utilizados na formulação das rações. Com isso, o aumento da produção de carnes conecta diretamente a atividade pecuária ao mercado de grãos e às estruturas necessárias para produzir, processar, armazenar e transportar essas matérias-primas.
Essa integração amplia a necessidade de capital em diferentes etapas da cadeia. É justamente nesse ambiente que o SNAG11 encontra sua conexão com o cenário de expansão da proteína animal.
Milho passa a disputar espaço entre diferentes cadeias
O mercado brasileiro de milho vem incorporando novos destinos para o cereal. A expansão do etanol produzido a partir do grão aumenta a demanda das usinas ao mesmo tempo em que a indústria de alimentação animal mantém o milho como um dos principais componentes das rações.
Essa concorrência entre diferentes usos pode tornar ainda mais relevante a capacidade de produção e de abastecimento das regiões consumidoras. Para a indústria de proteína animal, garantir o fornecimento dos ingredientes da ração é uma etapa importante para manter a competitividade.
O avanço do etanol de milho também gera coprodutos que podem retornar à cadeia de alimentação animal. O DDGS, por exemplo, é apontado como uma alternativa que pode complementar ingredientes tradicionais na formulação de rações.
O movimento cria uma cadeia cada vez mais integrada, na qual uma mesma matéria-prima pode participar de diferentes mercados. O milho pode ser direcionado à alimentação animal ou ao combustível, enquanto os coprodutos do processamento do cereal podem voltar para a nutrição dos animais.
Para o crédito do agronegócio, essa integração significa que a demanda por recursos não está restrita ao produtor rural. Indústrias, armazenadores, empresas de processamento e outros agentes da cadeia também precisam de capital para sustentar suas operações.
SNAG11 está exposto ao crédito que movimenta o agro
O SNAG11 atua justamente nessa camada financeira do agronegócio, por meio de investimentos em ativos de crédito relacionados às cadeias produtivas. A diversificação permite que o fundo tenha exposição a diferentes necessidades de financiamento existentes no setor.
O crescimento da produção de carnes não representa, por si só, uma receita direta para o fundo. A conexão ocorre de forma indireta, pela necessidade de capital gerada nos diversos elos que ligam a produção de grãos à transformação dessas matérias-primas em proteína animal.
A dinâmica também envolve investimentos em infraestrutura. À medida que aumentam os volumes movimentados, armazenagem, transporte e processamento passam a ter papel relevante para garantir o abastecimento das indústrias consumidoras de milho e soja.
A análise do Rabobank citada pela Exame aponta justamente para uma maior integração entre a produção de grãos, a fabricação de rações, os biocombustíveis e a indústria de proteínas. Segundo o estudo, a disponibilidade e a diversidade de ingredientes para alimentação animal serão elementos importantes para a competitividade brasileira até 2031.
Nesse contexto, a atuação de fundos de crédito voltados ao agronegócio ganha conexão com uma cadeia que movimenta recursos desde o financiamento da produção agrícola até as etapas industriais que antecedem a chegada da carne ao consumidor.
Expansão da proteína aumenta demanda por milho e farelo
A projeção da Conab de 34,08 milhões de toneladas de carnes em 2026 e 34,26 milhões de toneladas em 2027 coloca a disponibilidade de insumos para alimentação animal como um dos pontos de atenção para o setor.
O crescimento da produção de aves e suínos tende a ampliar a necessidade de rações e, consequentemente, de milho e farelo de soja. Ao mesmo tempo, a expansão do etanol de milho e do processamento de soja acrescenta novas possibilidades de utilização para esses produtos e seus derivados.
O resultado é uma cadeia com maior interdependência entre seus segmentos. A disponibilidade de grãos influencia a produção de ração; a ração impacta os custos da produção animal; e a indústria de proteínas depende da eficiência de toda essa estrutura para ampliar sua oferta.
Assim, a projeção de crescimento da produção brasileira de carnes até 2027 adiciona uma frente de demanda para milho e farelo de soja e aproxima ainda mais as cadeias de grãos, nutrição animal, biocombustíveis e proteínas.
Para o SNAG11, a conexão está na necessidade de financiamento que acompanha essa extensa cadeia do agronegócio — sem que o avanço da produção de carnes represente, isoladamente, uma garantia de impacto positivo sobre os resultados do fundo.