Fiagro ROCA11 anuncia os primeiros dividendos, com yield de 1,45%

Fiagro ROCA11 anuncia os primeiros dividendos, com yield de 1,45%
Dividendos do fiagro ROCA11.

O fiagro ROCA11 anunciou seus primeiros dividendos desde o início de sua operação, no valor de R$ 0,15 por cota. O rendimento marca a estreia do Fiagro na distribuição de proventos aos investidores.

Considerando a cotação de R$ 10,29 registrada pelo fundo no fechamento de agosto, o rendimento corresponde a um dividend yield de aproximadamente 1,45%.

A primeira distribuição ocorre em um momento de expansão da estratégia do ROCA11 no mercado de crédito do agronegócio.

O fundo busca atuar na originação de operações ligadas à cadeia agrícola, com uma carteira diversificada de recebíveis e gestão ativa do risco.

https://files.sunoresearch.com.br/gaia/uploads/2026/01/1180x300-1.jpg

Fiagro alcança 95% de alocação e aposta em originação própria

O ROCA11, Fiagro da Ceres Investimentos voltado ao crédito do agronegócio, concluiu a alocação dos recursos captados em sua segunda emissão e já possui cerca de 95% do patrimônio investido.

Em julho, o fundo apresentava carrego médio próximo de CDI + 5,1% ao ano, patamar que reflete a estratégia da gestora de buscar operações com prêmio no crédito privado do agronegócio.

Mais do que a remuneração dos ativos, porém, a Ceres aposta em uma estratégia de originação próxima à cadeia do agro para encontrar oportunidades. A gestora busca operações por meio de agentes com os quais mantém relacionamento, como revendas de insumos e cedentes acompanhados há anos, o que, segundo Pedro Baumeier, portfolio manager da Ceres, amplia a quantidade de informações disponíveis sobre os devedores.

A estratégia ganhou espaço em um momento de maior seletividade na oferta de crédito para o setor. Na avaliação de Baumeier, enquanto a demanda por financiamento continua crescendo, as fontes tradicionais de recursos não avançam na mesma velocidade. Esse descompasso pode elevar os prêmios disponíveis para quem está disposto a financiar o agronegócio.

https://files.sunoresearch.com.br/gaia/uploads/2026/01/Banner-Materias-01-Dkp_-1420x240-1.png

“Foi num momento que a gente encontrou de aperto, e não de euforia, e acho que foi de propósito. Os bancos estavam diminuindo o custeio, o Plano Safra cresceu pouco. Ou seja: a demanda por crédito está subindo e a oferta caindo. Então, para quem empresta, isso vira prêmio”, afirma.

Nesse ambiente, a tese da Ceres é que a geração de valor depende menos de simplesmente buscar taxas elevadas e mais da capacidade de selecionar os créditos. A gestora procura identificar produtores que atravessam dificuldades pontuais, mas que ainda apresentam capacidade de pagamento. “A oportunidade que eu vejo aqui é pra você conseguir separar o produtor que está apertado do que está quebrado”, diz Baumeier.

Originação local busca transformar informação em vantagem no crédito

A proximidade geográfica é um dos elementos centrais desse modelo. A Ceres está localizada em Uberaba, no Triângulo Mineiro, região com forte atividade ligada ao agronegócio. Segundo o gestor, parte das operações chega à casa por meio de revendas de insumos e cedentes com os quais a equipe mantém relacionamento de longo prazo.

“A Ceres é de Uberaba, a gente está no Triângulo Mineiro. Isso muda muito porque a gente não origina por telefone. A operação chega por revenda de insumo, pelo cedente que a gente acompanha há anos, o crédito é contra o produtor que compra ali. Então, isso muda a informação que a gente tem sobre o devedor”, explica.

https://files.sunoresearch.com.br/gaia/uploads/2026/01/DT-PS-HOME-DE-ARTIGOS-1420x240-ID_01_x1.jpg

Na prática, a estratégia permite que a análise de crédito considere não apenas demonstrações financeiras e indicadores tradicionais, mas também informações obtidas diretamente com participantes da cadeia. Esse conhecimento sobre o relacionamento entre produtores, revendas e cedentes é utilizado pela gestora na seleção das operações que entram na carteira.

Outro pilar da estratégia é a busca por recebíveis pulverizados, reduzindo a dependência de um único devedor. Em vez de concentrar o risco em uma companhia, o fundo pode acessar estruturas nas quais os recebíveis são distribuídos entre centenas de produtores.

“A gente tende a olhar pra uma compra que não é uma dívida de uma empresa grande, é recebível de insumo. Nota fiscal, pulverizado, entre centenas de sacados. Quando um sacado tem algum problema, a carteira sente pouco. Então, isso é bem diferente de comprar um crédito em um único devedor corporativo”, afirma Baumeier.

A pulverização também ajuda a explicar a diferença entre a concentração aparente por emissor e a exposição efetiva aos devedores finais. Um mesmo emissor pode estruturar operações cujo lastro esteja distribuído entre diversos produtores. “Quando a gente vê concentração, é uma concentração pelo emissor. Então, a gente tem CRAs que são do mesmo emissor. Só que quem vai pagar o que está dentro desse CRA, que é o nosso lastro, são centenas de sacados diferentes”, explica.

Tags
Você investe bem em fiis? Um consultor Suno pode te mostrar caminhos que talvez você não conheça.
foto: Vinícius Alves
Vinícius Alves
Jornalista

Jornalista formado na Faculdade Cásper Líbero. Com passagens pela Agência Estado e Editora Globo.

últimas notícias