Estrangeiros movimentam 20,7% das negociações de Fiagros na B3 em agosto

Estrangeiros movimentam 20,7% das negociações de Fiagros na B3 em agosto
Estrangeiros movimentam 20,7% das negociações de Fiagros na B3 em agosto (Foto: Pexels/Pixabay)

Os investidores estrangeiros responderam por 20,7% do volume financeiro negociado com Fiagros na B3 em agosto, segundo o boletim mensal divulgado pela bolsa. A participação chama atenção principalmente quando comparada à presença dos não residentes entre as posições mantidas em custódia: apenas 0,4% do total.

Os números mostram que a participação dos estrangeiros nas compras e vendas realizadas ao longo do mês foi proporcionalmente muito maior do que sua fatia nas posições mantidas em carteira. O boletim da B3, porém, não apresenta as razões dessa diferença nem permite concluir, apenas com esses dados, se houve entrada ou saída líquida de capital estrangeiro dos Fiagros.

A distinção é importante. O volume negociado contabiliza a movimentação financeira das operações realizadas no mercado secundário, enquanto a posição em custódia representa a participação dos diferentes tipos de investidores nas cotas mantidas em carteira.

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Pessoa física ainda domina mercado

Mesmo com a participação relevante dos estrangeiros nas negociações de agosto, as pessoas físicas continuam sendo o principal grupo de investidores dos Fiagros. Elas responderam por 70,3% do volume financeiro negociado durante o mês.

A concentração é ainda maior quando se observa a posição em custódia. As pessoas físicas representavam 91,4% das posições, enquanto investidores institucionais respondiam por 5,7%. Instituições financeiras tinham participação de 1,8%, outros investidores, de 0,7%, e não residentes, de 0,4%.

Na prática, os dados revelam dois retratos diferentes do mercado. A carteira de Fiagros permanece fortemente concentrada no investidor pessoa física, mas a negociação realizada em agosto teve uma participação proporcionalmente maior de investidores estrangeiros.

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O levantamento da B3 não identifica quais Fiagros concentraram as operações dos não residentes. Também não detalha se a movimentação representou predominantemente compras ou vendas. Por isso, os 20,7% não devem ser interpretados como participação estrangeira no patrimônio dos fundos nem como evidência, isoladamente, de aumento da exposição dos estrangeiros ao setor.

Negociação acelera em agosto

A presença dos não residentes ocorreu em um mês de aumento generalizado da atividade no mercado secundário de Fiagros. O volume financeiro negociado chegou a R$ 417,1 milhões em agosto, ante R$ 351,3 milhões em julho, crescimento de aproximadamente 18,7%.

O número de negócios apresentou uma variação ainda mais expressiva, passando de 24,9 milhões para 41,6 milhões entre julho e agosto, avanço de cerca de 67%. Já o volume financeiro médio negociado por dia, conhecido pela sigla ADTV, subiu de R$ 17,9 milhões para R$ 21,7 milhões.

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A quantidade de Fiagros negociados na bolsa também aumentou, passando de 36 em julho para 38 em agosto. Os indicadores mostram que agosto teve maior movimentação no mercado secundário, embora não indiquem, por si só, melhora ou piora no desempenho dos fundos.

Número de investidores recua

O aumento das negociações aconteceu ao mesmo tempo em que o número de investidores com Fiagros em custódia apresentou uma pequena redução mensal. A base passou de aproximadamente 606,9 mil investidores em julho para cerca de 605 mil em agosto.

Entre as pessoas físicas, a B3 contabilizou 604.053 investidores, redução de 1.904 participantes, ou 0,3%, na comparação mensal. Ainda assim, a base permanece superior à observada um ano antes: em agosto de 2025, o mercado contabilizava aproximadamente 547,5 mil investidores.

Assim, agosto combinou três movimentos distintos: crescimento do volume financeiro, forte aumento do número de negócios e pequena redução da quantidade de investidores com posições em custódia. Dentro desse cenário, a participação de 20,7% dos estrangeiros nas negociações se destaca por contrastar com os apenas 0,4% que os não residentes representam nas posições mantidas no mercado de Fiagros.

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foto: Marcelo Monteiro
Marcelo Monteiro

Formado pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), em 1996, Marcelo Monteiro tem três décadas de carreira como jornalista. No currículo, inclui passagens e colaborações em veículos como Zero Hora, Correio Braziliense, Valor Econômico, InfoMoney, Gazeta Mercantil, Placar, Diário Catarinense, Fut!, Hoje em Dia e Diário de S.Paulo. É autor dos livros "U-507 - O submarino que afundou o Brasil na Segunda Guerra Mundial" (2012) e "U-93 - A entrada do Brasil na Primeira Guerra Mundial" (2014). Dirigiu os documentários "Delírios - Filosofia e reflexão no túnel da morte" (2021) e "Além do Limite - Quando a meta é sobreviver" (2022)

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