BIDB11 supera títulos públicos e mostra mudanças em carteira
O FI–Infra BIDB11 promoveu mudanças em sua carteira durante abril ao realizar o desinvestimento da emissão da Águas do Rio, companhia ligada ao grupo Aegea, maior operador privado de saneamento do país. A decisão ocorreu após a empresa revisar critérios contábeis e reapresentar suas demonstrações financeiras.
Segundo a gestão, os ajustes refletiram dificuldades operacionais específicas do projeto desenvolvido no Rio de Janeiro, especialmente relacionadas aos elevados índices de inadimplência registrados na região.
A Águas do Rio passou a reconhecer determinadas receitas apenas após o efetivo recebimento dos pagamentos, deixando de contabilizar clientes com inadimplência prolongada ou cadastros incompletos.
Além disso, a companhia adotou critérios mais conservadores para provisionamento de créditos vencidos, movimento que gerou impacto significativo sobre seu patrimônio líquido e chamou a atenção do mercado para os desafios de execução do projeto.
Apesar do episódio, a gestora do BIDB11 ressaltou que o caso não representa uma deterioração estrutural do setor de saneamento brasileiro. Na avaliação do fundo, as dificuldades observadas decorrem de características socioeconômicas específicas da região atendida pela concessionária.
FI-Infra BIDB11 reforça monitoramento e aposta na qualidade do portfólio
Diante desse cenário, o fundo informou ter intensificado a análise sobre os balanços das empresas investidas, com foco na antecipação de potenciais impactos sobre covenants, estrutura de capital e percepção de risco por parte do mercado.
A atenção tem sido direcionada principalmente para companhias com volumes relevantes de ágio decorrente de aquisições, além de empresas que apresentam saldos elevados em contas a receber e ativos fiscais diferidos.
Ainda assim, a gestão avalia que o BIDB11 segue bem-posicionado para enfrentar o atual período de transição do mercado de crédito.
O fundo destaca que a maior parte dos ativos da carteira possui estrutura de project finance, característica que reduz a sensibilidade das investidas ao atual patamar elevado da taxa Selic.
Além disso, a carteira permanece concentrada em emissores considerados de elevada qualidade de crédito dentro do segmento de infraestrutura, beneficiando-se do ambiente de juros reais elevados, que tende a potencializar os retornos dos ativos incentivados.
Retorno do BIDB11
Os números recentes reforçam essa resiliência. Segundo o relatório gerencial, o BIDB11 acumula retorno de 6,06% na cota de mercado em 2026 até abril, superando o desempenho da NTN-B 2032, de 4,71%, enquanto a cota patrimonial avança 1,42% no mesmo período.
No acumulado desde o início das operações, a rentabilidade da cota de mercado alcança 52,26%, acima dos 38,89% registrados pela NTN-B 2032, evidenciando a capacidade do fundo de atravessar diferentes ciclos mantendo disciplina na gestão do risco.