Tijolo deve ganhar tração em 2026, mas FIIs de papel seguem preferidos pelo Itaú BBA
O mercado de fundos imobiliários (FIIs) deve apresentar mudanças de desempenho entre os segmentos ao longo de 2026, com maior tração dos FIIs de tijolo — aqueles que investem diretamente em imóveis — em um cenário de expectativa de início de cortes de juros.
Ainda assim, a preferência do Itaú BBA permanece com os FIIs de papel, que tendem a continuar liderando na distribuição de rendimentos.
De acordo com o relatório setorial de ativos financeiros do banco, a aproximação do início do ciclo de queda de juros, somada ao alívio observado nas curvas futuras, favorece o desempenho dos fundos de tijolo. Esse movimento ocorre em linha com o comportamento histórico desses ativos em ambientes de redução das taxas, que costumam beneficiar a valorização de suas cotas.
Em 2025, o setor já havia registrado forte desempenho. O IFIX avançou 21,1% no período, enquanto os FIIs de ativos financeiros apresentaram alta de 19,2%, segundo o levantamento do Itaú BBA. O banco destaca que o cenário mais previsível ao longo do ano contribuiu para sustentar o desempenho dos ativos de risco.
Apesar da expectativa de melhora relativa para os fundos de tijolo, o relatório afirma que isso não altera a preferência da instituição pelos FIIs de papel em 2026. Esses fundos, que investem majoritariamente em Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), devem seguir como principais geradores de renda no período.
A explicação está na dinâmica dos indexadores. Com a estimativa de taxa terminal ainda acima de 12% ao ano, os ativos indexados ao CDI continuam favorecidos em termos de rendimento. Já os fundos atrelados ao IPCA permanecem atrativos diante de projeções mais estáveis de inflação, o que sustenta a distribuição de resultados.
Na Carteira Renda com Imóveis do Itaú BBA, os ativos financeiros seguem com maior exposição, representando cerca de 30% do portfólio. O banco também reforça a preferência por fundos com portfólios de qualidade, gestão experiente e garantias robustas, características consideradas relevantes em diferentes cenários econômicos.
O relatório indica, portanto, um ambiente em que diferentes segmentos de FIIs podem apresentar desempenhos distintos ao longo do ciclo de juros, sem alteração na estratégia central da instituição em relação à geração de renda.