Copom: como o corte dos juros afeta o mercado de FIIs
O novo corte promovido pelo Comitê de Política Monetária (Copom), que reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano, muda novamente o cenário para os ativos de renda variável, como os fundos imobiliários (FIIs).
Embora a taxa básica continue elevada, juros menores podem alterar a relação entre renda fixa e renda variável, além de afetar diferentes segmentos do mercado imobiliário.
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A Selic funciona como uma importante referência para o custo do dinheiro na economia. Quando os juros estão elevados, aplicações de renda fixa oferecem retornos maiores e aumentam a concorrência pelos recursos dos investidores.
Nos FIIs, esse ambiente também pode pressionar as cotas e encarecer operações que dependem de crédito.
O movimento contrário tende a reduzir gradualmente essa pressão. Isso não significa, porém, que um corte de 0,25 ponto percentual provoque sozinho uma valorização generalizada dos fundos imobiliários.
Em live especial da Suno sobre a decisão do Copom, Guilherme Almeida, Head de Renda Fixa da Suno Research, destacou que a redução já era esperada pelo mercado.
“Para o mercado de renda fixa, pouca coisa muda, pouca coisa muda com 0,25% de corte”, afirmou Almeida.
O que muda para os fundos imobiliários?
Uma Selic menor pode diminuir progressivamente a atratividade relativa das aplicações pós-fixadas, abrindo espaço para uma reprecificação de ativos de maior risco, entre eles os FIIs.
Almeida explicou que o corte reduz o chamado “carrego” dos investimentos pós-fixados, embora a remuneração permaneça elevada diante do atual nível dos juros.
“Se a gente olha para pós-fixado, o carrego vai ser menor. Mas, ainda assim, a gente está falando de um carrego interessante”, disse.
Para os fundos imobiliários, os efeitos também variam conforme o segmento. FIIs de papel com recebíveis indexados ao CDI podem ter redução gradual da remuneração desses títulos à medida que os juros recuam.
Já fundos de tijolo podem ser influenciados por outros fatores, como custo de financiamento, atividade econômica, condições do mercado imobiliário e atratividade relativa de suas cotas.
A queda dos juros também pode reduzir o retorno exigido pelo investidor para assumir o risco da renda variável. Na prática, porém, esse processo depende das expectativas para os próximos passos do Copom e da curva de juros, e não apenas da Selic vigente.
Inflação pode limitar novos cortes da Selic
A velocidade desse movimento ainda é uma incógnita. Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, destacou na transmissão que persistem riscos capazes de dificultar uma sequência mais intensa de cortes.
“Tem tanto risco no radar e tantas possíveis pressões para a inflação em que eu vejo que não há muita flexibilidade para o Banco Central cortar juros”, afirmou Sung.
Entre os fatores citados pelo economista estavam inflação de serviços, alimentos, petróleo e câmbio. Caso essas pressões persistam, os juros podem permanecer elevados por mais tempo, mantendo a renda fixa competitiva e limitando parte dos efeitos positivos esperados para ativos de risco.
Por isso, a redução da Selic para 13,75% não significa automaticamente alta do IFIX ou de todos os fundos imobiliários. FIIs de papel e de tijolo possuem sensibilidades diferentes aos juros, enquanto qualidade dos ativos, endividamento, contratos, gestão e preço das cotas continuam determinantes.
Este conteúdo possui caráter exclusivamente informativo sobre o Copom e o mercado de FIIs e não constitui recomendação de investimento.