Fiagros superam 600 mil investidores na B3; emissões até junho chegam a R$ 8,3 bi
Os Fiagros superaram a marca de 600 mil investidores pessoas físicas na B3, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (10) pela bolsa brasileira. Atualmente, 57 fundos dessa classe estão disponíveis na bolsa.
Além da base de mais de 600 mil investidores pessoas físicas, as emissões de Fiagros chegaram a R$ 8,3 bilhões no primeiro semestre de 2026. Segundo a B3, houve crescimento expressivo na comparação anual, embora a instituição não tenha informado no comunicado o percentual dessa expansão.
Os dados foram apresentados pela B3 por ocasião do 25º Congresso Brasileiro do Agronegócio, realizado nesta segunda-feira pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), em parceria com a bolsa.
Segundo a B3, o mercado de capitais vem ampliando seu papel como fonte complementar de financiamento do agronegócio. Os Fiagros fazem parte desse mercado ao direcionarem recursos para diferentes atividades e ativos relacionados às cadeias agroindustriais.
Fiagros aproximam investidores do agro
Os Fiagros permitem a participação de investidores no financiamento de atividades e ativos ligados às cadeias agroindustriais. De acordo com a B3, a expansão desses instrumentos contribui para conectar as necessidades de capital do setor à poupança dos investidores.
Para Luiz Masagão, vice-presidente de Produtos e Clientes da B3, a ampliação do número de investidores interessados no agronegócio e da variedade de instrumentos disponíveis aumenta as possibilidades de financiamento para o setor produtivo.
Segundo o executivo, programas de crédito direcionado, como o Plano Safra, continuam exercendo uma função fundamental, enquanto o mercado de capitais atua de forma complementar ao aproximar empresas e produtores dos investidores.
Mercado de capitais amplia financiamento
Os Fiagros são apenas uma parcela dos instrumentos relacionados ao financiamento privado do agronegócio. Dados da B3 mostram que o estoque de Cédulas de Produto Rural (CPRs) registrado em sua infraestrutura superou R$ 474 bilhões em junho de 2026.
No mesmo período, as Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) somaram R$ 563 bilhões, enquanto os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) alcançaram R$ 174 bilhões. Os Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCAs), por sua vez, superaram R$ 30 bilhões.
Em junho de 2025, o estoque de CPRs registrado na B3 estava acima de R$ 418 bilhões, enquanto os CRAs somavam R$ 160 bilhões.
Os números fazem parte de um cenário de maior atividade do mercado de capitais brasileiro. No primeiro semestre de 2026, as ofertas alcançaram R$ 361,8 bilhões, segundo a B3, o maior volume já registrado para o período. Desse total, a renda fixa respondeu por R$ 288 bilhões.
Mercado complementa crédito direcionado
Segundo a B3, a diversificação das fontes de recursos amplia as alternativas disponíveis para produtores e empresas do agronegócio. Masagão afirma que o mercado de capitais complementa programas de crédito direcionado e oferece instrumentos para atender diferentes projetos e momentos das cadeias produtivas.
Além da captação de recursos, a B3 destaca o uso de contratos futuros e opções como instrumentos para a gestão de riscos relacionados às oscilações de preços.
No Contrato Futuro de boi gordo, o volume médio diário negociado passou de cerca de R$ 650 milhões em 2025 para R$ 935 milhões em 2026. No futuro de milho, o número de contratos em aberto cresceu 55%, segundo os dados divulgados pela bolsa.
A B3 afirma que esses instrumentos podem ser utilizados por produtores, cooperativas e empresas ligadas às cadeias do agronegócio para reduzir a exposição a movimentos adversos de preços e auxiliar no planejamento financeiro.
Nesse contexto, os mais de 600 mil investidores pessoas físicas dos Fiagros representam uma das formas de participação dos investidores no financiamento de atividades e ativos ligados às cadeias agroindustriais por meio do mercado de capitais.