FII convoca cotistas para decidir vendas de ativos por R$ 367 milhões
O fundo imobiliário AIEC11 (ARCH Edifícios Corporativos) recebeu propostas que somam R$ 367,415 milhões para a venda dos dois imóveis que compõem seu portfólio.
As negociações envolvem o Standard Building, no Rio de Janeiro, e a Torre D, conhecida como Diamond Tower, do Rochaverá Corporate Towers, em São Paulo. As operações ainda não estão concluídas e serão submetidas à aprovação dos cotistas em Assembleia Geral Extraordinária (AGE).
Segundo fato relevante divulgado pelo fundo, o HGRU11 (Pátria Renda Urbana) apresentou proposta de R$ 79,415 milhões pelo Standard Building. Já o HGRE11 (Pátria Escritórios) propôs pagar R$ 288 milhões pelo ativo do Rochaverá.
As duas propostas são independentes. Isso significa que os cotistas serão chamados a deliberar sobre cada alienação, conforme a convocação da assembleia publicada pelo fundo.
A proposta pelo Standard Building
Localizado na Avenida Presidente Wilson, nº 118, no Rio de Janeiro, o Standard Building recebeu uma proposta de R$ 79,415 milhões do HGRU11.
O documento prevê o pagamento integral no fechamento. A forma como esse pagamento será realizado, porém, dependerá dos recursos disponíveis pelo fundo comprador após sua oferta de cotas.
Caso haja caixa suficiente, o preço poderá ser pago integralmente em dinheiro. Se os recursos captados não forem suficientes, o HGRU11 poderá realizar o pagamento total ou parcialmente por meio de novas cotas emitidas pelo próprio fundo comprador, que seriam subscritas pelo AIEC11 mediante compensação do crédito decorrente da venda do imóvel.
A proposta chega depois de uma mudança importante na situação operacional do prédio. O relatório gerencial de agosto mostra que o Standard está atualmente 100% ocupado, com contrato de locação com a Rede D’Or e vencimento em 2031. A gestão informou ainda que o imóvel foi locado por valor 22% superior ao considerado no laudo.
O relatório mais recente também indicava uma faixa estimada pela gestão de R$ 78 milhões a R$ 83 milhões para o valor patrimonial do Standard na reavaliação de 2026. A estimativa não representa um novo laudo de avaliação nem garantia de valorização.
Rochaverá: proposta de R$ 288 milhões
A maior operação em discussão envolve a Torre D do Rochaverá Corporate Towers, situada na Avenida das Nações Unidas, nº 14.171, em São Paulo. O HGRE11 apresentou proposta de R$ 288 milhões pelo imóvel. Diferentemente da negociação do Standard, o pagamento foi estruturado em duas etapas.
A primeira parcela corresponde a 70% do preço, ou R$ 201,6 milhões, e deverá ser paga no fechamento. Os outros 30%, equivalentes a R$ 86,4 milhões, vencerão 180 dias depois. Essa segunda parcela será paga em dinheiro e corrigida pela variação acumulada do IPCA entre o fechamento e a data do pagamento.
A primeira parcela também poderá envolver cotas do comprador. Caso os recursos captados pelo HGRE11 não sejam suficientes para o pagamento integral em dinheiro, até 40% da primeira parcela poderá ser quitada por compensação mediante emissão de novas cotas do HGRE11. O restante deverá ser pago em moeda corrente.
No relatório referente a agosto, o AIEC11 informou que o Rochaverá Diamond apresentava ocupação de 87%, com 1.855 metros quadrados disponíveis. A ocupação consolidada do portfólio estava em 92%.
Cotistas do FII terão a palavra final
A assinatura das propostas não significa que os imóveis já foram vendidos. O próprio fato relevante estabelece que as duas transações estão sujeitas ao cumprimento de condições precedentes e à aprovação em Assembleia Geral Extraordinária.
Por isso, o AIEC11 convocou uma consulta formal para que os cotistas deliberem separadamente sobre a venda do Standard Building ao HGRU11 e da Torre Diamond do Rochaverá ao HGRE11. A aprovação também autorizará administradora e gestora a praticarem os atos necessários para implementar cada operação.
Os cotistas poderão registrar seus votos pela plataforma Cuore até as 23h59 de 3 de outubro. Segundo a convocação, o resultado da assembleia será divulgado em 5 de outubro, após as 18h, no horário de Brasília.
Caso as duas propostas sejam aprovadas e as respectivas condições sejam cumpridas, o valor nominal conjunto das alienações será de R$ 367,415 milhões. A forma efetiva de recebimento desses recursos, entretanto, poderá combinar dinheiro e cotas dos fundos compradores, conforme as condições previstas em cada proposta.
A votação dos cotistas será, portanto, o próximo passo formal para definir se o fundo imobiliário seguirá com a alienação dos dois imóveis que atualmente formam seu portfólio.